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Colunistas / Gerson Nogueira

PARAZÃO 2020

Futebol da lama ao caos: veja na coluna de Gerson Nogueira!

segunda-feira, 16/03/2020, 11:46 - Atualizado em 16/03/2020, 11:55 - Autor: Gerson Nogueira


Quem foi ao Baenão e a Curuzu viu o que para muitos parecia pelada
Quem foi ao Baenão e a Curuzu viu o que para muitos parecia pelada | Olga Leiria/ Diário do Pará

Da lama ao caos 

O torcedor que gastou dinheiro para assistir futebol neste fim de semana em Belém, enfrentando muita chuva e riscos potenciais do coronavírus, merece aplausos entusiasmados. No total, 10 mil heróis compareceram ao Baenão e à Curuzu, sábado e domingo. Compraram ingresso para ver futebol e receberam em troca duas gloriosas peladas.

Nos dois jogos, Remo x Independente e PSC x Castanhal, faltou drible e sobrou chutão. Apenas um gol marcado – e, ainda assim, irregular. Ao invés de lances bonitos, trombada e pancadaria. Sem campo bom para trocar passes, principalmente na Curuzu, os times se danaram a lançar bolas na área inimiga. Bumba-meu-boi virou estratégia de jogo.

É claro que o leitor amigo vai ouvir muita análise rebuscada, apontamentos minuciosos sobre variações táticas, técnicos esmiuçando valências posicionais de seus atletas etc. Esqueça. Tudo conversa fiada.

Na prática, não houve futebol nestes dois dias. Foi quase como se os clubes tivessem feito um pacto secreto de adesão ao bizarro pré-decreto do prefeito de Belém ameaçando proibir eventos de grande porte na cidade.

Por conta própria, os times trataram de desmotivar o torcedor quanto a futuros jogos sob o previsivelmente chuvoso início de temporada. Se era essa a intenção, a coisa funcionou. A partir de agora, dificilmente o torcedor vai pagar bovinamente para ver novas peladas aquáticas.

O confronto no Baenão teve gramado ligeiramente melhor, mas só houve alguma movimentação no 1º tempo, quando o Remo tentou chegar ao gol tocando bola no meio-campo. Errava, porém, nas finalizações.

Geovani acertou um cabeceio, mas o goleiro Evandro Gigante espalmou. Depois, Robinho chutou à meia altura para nova boa defesa do goleiro do Independente. No meio-campo, a bola era disputada a tapa e safanão. Pouquíssimos lampejos de categoria. Eduardo Ramos tentou algumas investidas, mas faltava fôlego para avançar.

Mazola Jr. insistiu com a ideia marota de usar Jackson e Geovani no ataque, com um anulando o outro. Teimosamente, também, manteve Nininho, Xaves e Robinho. Erros que custariam caro ao Remo, que se apresentou travado pelos lados, moroso no meio e anêmico na frente.  

Na etapa final, o árbitro Joelson Nazareno expulsou Wellington Cabeça e Ezequias (nocauteou Jackson dentro da área), o Leão não teve competência para chegar ao gol ou assustar a última linha do Independente. Somente dois lances levantaram a torcida: Fredson cabeceando junto ao poste direito e Gelson errando no toque final ante o goleiro Evandro.

A rigor, o único instante de satisfação para os 5 mil azulinos presentes ao Baenão foi Wallace. Substituiu Nininho e deu vida ao lado direito. Lúcido e habilidoso, atuou por 12 minutos e mostrou que merece oportunidades – tanto ele quanto Hélio, que não entrou. Um 0 a 0 foi justo.

Na manhã de ontem, a Curuzu teve um bom começo de jogo, com o gramado ainda em condições. Na metade do 1º tempo, a chuva começou a cair e transformou o campo em piscina, dificultando para os dois times. Antes, porém, ocorreu o lance que definiu a partida.

Aos 9 minutos, Nicolas subiu e desviou cruzamento. Deivid Souza (em impedimento) aproveitou para finalizar e fazer o gol. Depois disso, pouca coisa ocorreu. O Castanhal tentava reagir, mas parava na firme atuação da zaga do Papão, que não permitiu chances na jogadas aéreas.

O aguaceiro forçou uma parada de 30 minutos no começo do 2º tempo. Arbitragem e capitães aceitaram continuar e aí tudo virou pelada. Para piorar as coisas, o Japiim teve o centroavante João Leonardo expulso por tocar a bola com a mão. Um recorde: estava há 2 minutos em campo.

Aos 48’, o árbitro Joelson Silva Santos expulsou Eneilson por entrada violenta em PH. Se já estava difícil para o Castanhal, a perda do segundo jogador tornou a missão impossível. Pecel até se aventurava pela esquerda, mas a única jogada era o balãozinho improdutivo na área.

O Papão (19) já classificou e o Leão (17) está quase nas semifinais, mas o futebol segue abaixo do que a torcida merece. Sem emoções, o campeonato caminha para um desfecho técnico melancólico. Uma paralisação (pelo coronavírus) viria a calhar a essa altura.

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Para um campeonato que ostentava orgulhosamente a média de quase 3 gols por jogo, o Parazão sofreu duro baque na oitava rodada. Os ataques entraram em modo econômico. Uma queda brutal. A sétima rodada, por exemplo, registrou 18 gols.

Com quatro gols marcados neste final de semana, a média baixou para 2,5. Até então, as rodadas menos generosas eram a segunda e a terceira, ambas com 10 gols. De quebra, a rodada ampliou para oito (20%) a quantidade de empates na competição.

Via CBF (quem diria?), futebol dá exemplo de sensatez

Com certa demora, mas com a responsabilidade que falta ao poder político, a CBF decidiu ontem suspender todas as competições de âmbito nacional, tanto no masculino quanto no feminino.

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