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Colunistas / Gerson Nogueira

GERSON NOGUEIRA

Papão em busca de afirmação

domingo, 02/02/2020, 16:47 - Atualizado em 02/02/2020, 17:30 - Autor: Gerson Nigueira


| Jorge Luiz/Paysandu

O jogo ainda não é definidor de posições na primeira fase do Campeonato Estadual, mas serve para medir o nível técnico do time do PSC, que começou conquistando duas vitórias e deixou dúvidas quanto ao rendimento dos setores de meio-campo e defesa.

Poucas alterações estão previstas para o confronto com o Castanhal. Hélio dos Anjos tem prestigiado a base do time que fechou a temporada 2019. Até mesmo a insegurança demonstrada pela defesa foi relativizada, como algo mais ou menos natural em começo de temporada.

De qualquer maneira, Wesley Matos, zagueiro recentemente contratado, é opção para substituir Micael, caso o técnico resolva imprimir um rodízio no setor. No marcação, Uchoa pode ser a novidade. Já recuperado da contusão sofrida na Série C, o jogador pode ser lançado para qualificar a saída de bola, visto que é um dos melhores passadores do elenco.

Nos primeiros jogos do campeonato, contra Itupiranga e Bragantino, a zaga ficou exposta a lances de velocidade e isso pode ser atribuído à distância entre a marcação de meio-campo e os zagueiros de área.

Contra o Tubarão, Hélio tentou corrigir o problema posicionando Caíque Oliveira praticamente na mesma linha de Micael e Perema, como um terceiro zagueiro. Ainda assim, o Bragantino ameaçou o tempo todo em investidas do atacante Vitinho e Vinícius Junior.

A insistência ofensiva do visitante, com chutes de média distância e de dentro da área, acabou por transformar o goleiro Gabriel Leite na principal figura do time, confirmando a boa estreia contra o Itupiranga.

Segundo informe do repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube, é possível que Deivid Souza ganhe oportunidade como titular substituindo Elielton. O atacante entrou na reta final das partidas, em mostrar a que veio.

O Castanhal, mandante jogando fora de seu estádio, busca recuperar a pegada inicial, quando venceu o Independente em Cametá. Promessa de um confronto interessante. 


Flamengo vs. Globo: a ingratidão sem sentido

Está rolando um desacerto entre Flamengo e Globo em relação aos direitos de transmissão do Campeonato Carioca, por supostas divergências no contrato do Campeonato Brasileiro. Para surpresa geral, o clube ingressou com ação questionando eventuais direitos contratuais que estariam sendo negados pela emissora. O caso é sério: o Fla ajuizou ação na 36ª. Vara Cível do Rio de Janeiro contra a poderosa, cobrando judicialmente valores de cessão dos direitos de transmissão, pay-per-view e outras receitas. A empresa emitiu nota na qual diz confiar em “solução consensual”.

Repito o que escrevi aqui quando torcedores do Flamengo hostilizaram jornalistas da Globo na comemorações pelo título da Libertadores: nada justifica a ingratidão, um dos piores defeitos humanos. Se há alguém que não pode se queixar da emissora líder de audiência é a massa rubro-negra. Uma ligação tão afiada, construída ao longo de décadas e sedimentada nos últimos anos, não pode ser destruída por detalhes tão menores. 

Confio que, como bem prevê a emissora, logo será fumado o cachimbo da paz e a parceria vitoriosa será mantida.

 

Bola na Torre

O programa começa às 22h30, na RBATV, logo depois da transmissão da NBA, com apresentação de Guilherme Guerreiro. Na bancada de debates, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. Em pauta, a 3ª rodada do Parazão.

 

Camisa 24: Bahia investe contra o preconceito

O Bahia desbrava mais um bolsão de resistência no universo do futebol no Brasil. Depois de ousar em campanhas inclusivas e de preocupação ambiental, o clube lança-se contra a homofobia tendo como símbolo a camisa 24, que será usada pelo volante Flávio.

Mais importante: o Bahia inicia a cruzada, convidando outros clubes a seguirem o mesmo caminho. Flávio decidiu que usará o número 24 por toda a temporada. A estreia foi contra o Imperatriz-MA, pela Copa do Nordeste, na terça-feira (28). 

Divulgação
 

Além de um brado contra a idiota discriminação ao número pelos clubes brasileiros, a camisa de Flávio homenageia a lenda Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, tragicamente desaparecido em acidente de helicóptero no último domingo.

Um sinal de que a iniciativa do Bahia tende a frutificar é que o Corinthians, antes refratário à ideia, anunciou na sexta-feira que o meia colombiano Cantillo usará a 24 na temporada. O engraçado é que o Timão já teve o goleiro Cássio usando o número em 2012. Outro exemplo é Euller, o Filho do Vento, que vestiu a camisa 24 durante campanhas vencedoras de Libertadores pelo Palmeiras.

O estigma envolve todo o país, como se o número que simboliza o veado no jogo do bicho fosse definidor do gênero de cada um. No futebol do Pará não se tem notícia de jogador que usasse o número. Quem será o primeiro a quebrar a escrita? 

 

Uma importante vitória da periferia

A coluna de hoje é dedicada aos milhares de estudantes da periferia de Belém e cidades interioranas do Pará, forjados no ensino público, que conquistaram acachapante e inédito índice de aprovação na UFPA e na Uepa.

É uma vitória das pautas afirmativas de direitos, tão ameaçadas. Revela também a capacidade e competência de nossos professores. Parabéns a todos os envolvidos.

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