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Colunistas / Gerson Nogueira

COLUNA

Gerson Nogueira comenta desempenho remista no Parazão

quinta-feira, 30/01/2020, 12:16 - Atualizado em 30/01/2020, 12:15 - Autor: Gerson Nogueira


| Fernando Araújo

Falta de ideias trava o Leão

Os números nem sempre contam toda a história. O Remo faz uma campanha OK no Parazão, com duas vitórias em dois jogos, mas o desempenho é muito contestado. Sem inspiração, o time conquistou vitórias muito mais por deficiências dos adversários do que por méritos próprios. Ao mesmo tempo, deixou a impressão de que alguns jogadores poderiam render mais se o lado coletivo estivesse devidamente ajustado.

Estudiosos de táticas do futebol insistem na importância do conceito de balanço para ilustrar a combinação entre intensidade e compactação, principalmente na produção do meio-campo. É fato que o Remo até o momento não passou nem perto de mostrar essas virtudes.

A parte defensiva não tem sido afetada, até pela fragilidade dos ataques de Tapajós e Carajás. De maneira geral, as atuações da linha defensiva têm sido tranquilas e até elogiadas. Os problemas começam na zona de marcação e na organização da meia-cancha.

Nenhuma equipe vai a algum lugar sem criatividade e capacidade de articulação. O setor central determina o bom funcionamento defensivo e o poderio ofensivo, sendo que o ataque simplesmente não sobrevive se não contar com jogadas organizadas.

Como o trio de meia cancha – Xaves, Lailson e Robinho (Eduardo Ramos) – pouco participou efetivamente das ações desenvolvidas pelo time, a transição não se estabelece. Contra o Tapajós, Ramos era o encarregado e não fez a bola girar, nem se conectou com o ataque.

A atitude burocrática se repetiu contra o Carajás, quando Robinho ficou responsável pela criação. Não por acaso, nos dois jogos iniciais, os atacantes tiveram imensas dificuldades para agredir a última linha adversária, parando na marcação à entrada da área. Douglas Packer entrou na parte final e tornou o passe mais qualificado.

As iniciativas individuais nas primeiras rodadas ficaram com Gustavo Ermel, mas não geraram consequências práticas, pois a bola demorava a chegar até ele e quando isso ocorria havia uma parede dobrada de marcação a ser superada. Contra o Tapajós, o bloqueio chegou a ser triplo.

É fácil de detectar quando um time não tem planejamento definido. A movimentação é sempre atropelada, as inversões de jogo não funcionam e a bola nunca chega em condições de aproveitamento na frente.

Parte das dificuldades do Remo nos dois jogos poderia ter sido atenuada pela utilização dos laterais, mas apenas Djalma se apresentou bem, ajudando Lukinha no lado direito. Pela esquerda, Ronaell quase não avançava, preocupado em vigiar o rápido Pulga.

Outro ponto merece observação, além da citada falta de liga demonstrada pelo time neste começo de competição: não existem jogadas ensaiadas para compensar o natural desentrosamento.

Refiro-me a escanteios que fujam ao previsível. Ao invés da bola levantada para o bolo de jogadores, por que não buscar a alternativa de cobranças no primeiro pau a fim de quebrar a marcação e facilitar a finalização de um atacante no meio da área. Ou, ainda, escanteios em direção a um ou mais jogadores posicionados à altura da meia-lua.

Contra o Carajás, o Remo teve uma dúzia de escanteios. Todos executados em direção à pequena área. Ninguém – nem o técnico – teve a ideia de variar o repertório, cobrando baixo ou colocando a bola no segundo pau.

Um time não pode viver apenas de escanteios e faltas, mas precisa saber aproveitar quando as situações se apresentarem. A estatística diz que quase metade dos jogos é decidida em lances de bola parada. Se não há entrosamento que pelo menos não falte estratégia.

As cobranças da torcida têm sido intensas, embora nem sempre justas. Tudo tem a ver com a falta de ideias, refletida em atuações ruins e sem força de conjunto. Sim, é cedo ainda, afinal apenas dois jogos foram realizados, mas o sentimento de frustração tem fundamento.

Balanço defensivo: importância de treino e repetição

Sobre o tal balanço, citado superficialmente no texto principal, vale detalhar um pouco mais. É um conceito novo em cima de uma ideia antiga, como é comum em futebol. Basicamente, consiste em juntar o máximo de jogadores com e sem a posse de bola. Por óbvio, compactar a equipe e fechar espaços, principalmente no plano defensivo, é o melhor jeito de evitar que o adversário encontre espaços para chegar ao gol.

No 4-4-2 tradicional, o balanço se revela na movimentação dos zagueiros entre um lado e outro do campo, no sentido transversal. Significa que, quando um lateral estiver em combate direto a um atacante com a bola, o outro lateral aproxima-se dos zagueiros centrais para fechar a última linha.

Quando há uma inversão de bola, o lateral que fechava com os zagueiros sai para combater o atacante que vai receber o passe. No mesmo instante, o lateral oposto tem a obrigação de correr para perto dos zagueiros e ajudar a compactar a defesa. Essa arrumação determinada pelo lado em que a bola está é que ficou conhecida como balanço defensivo.

Existem variações que contemplam o 3-5-2, implicando na aproximação de um ala para compor a linha de marcação do meio-de-campo. Parece simples, mas a movimentação requer treinamento e repetição de atletas para que a recomposição seja feita de forma rápida e perfeita.

Nesse sentido, é bom não esquecer, a participação do goleiro também é fundamental como orientador do posicionamento de beques e laterais, pois tem a visão mais privilegiada do jogo. Além de “cantar” a situação, ele pode alertar sobre a chegada de outros atacantes sem a bola.

Voltarei ao assunto, presente hoje em qualquer roda sobre futebol. Da próxima vez, pitacos sobre o balanço ofensivo.

Modelão: critérios diferentes justificam críticas

A informação da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Castanhal, sobre a liberação dos três laudos técnicos necessários para liberação do estádio Maximino Porpino Filho, acrescenta mais um item no festival de trapalhadas envolvendo a questão dos estádios do Campeonato Estadual.

Com razão, a Semel de Castanhal critica o tratamento desigual dado ao Parque do Bacurau, liberado um dia antes do jogo Independente x Castanhal. No caso do Modelão, a FPF optou por transferir o jogo Castanhal x PSC para o Mangueirão, domingo, mesmo com a situação do estádio já normalizada desde ontem.

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