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Colunistas / Gerson Nogueira

FIM DE SEMANA AGITADO

Gerson Nogueira analisa títulos do Flamengo e contratação azulina

segunda-feira, 25/11/2019, 08:08 - Atualizado em 25/11/2019, 08:21 - Autor: Gerson Nogueira


| Alexandre Vidal/CRF

Com as graças de Jesus

Jorge Jesus é o grande campeão do continente. A façanha de sábado à tarde, indo do inferno ao paraíso em três minutos, entra definitivamente para a galeria de grandes feitos de um técnico no Brasil. O seu Flamengo precisou de três minutos para virar um jogo que parecia perdido, após quase 90 minutos de vitória e controle do River de Gallardo.

Até a imprensa europeia – como os jornais espanhóis Marca e As –, normalmente comedida em relação à América do Sul, rendeu-se ao espetacular desfecho da decisão e destacou como épica a reviravolta no placar obtida pelo time rubro-negro.

Nunca na história da Libertadores uma decisão mobilizou tanta atenção no Brasil e no reto do mundo. Nas ruas e praças embandeiradas de todas as cidades, o jogo foi esperado com ansiedade e clima de Copa do Mundo.

O Flamengo, impulsionado por uma formidável cobertura midiática, encarnou a mística do Brasil bom de bola. E não há injustiça nisso, afinal fazia muito tempo que um time não jogava tão à moda brasileira.

Curiosamente, quando a bola rolou no Monumental de Lima, aquele espírito de futebol moleque e desassombrado não deu as caras. Tímido e acuado, aceitando passivamente a marcação imposta pelo River, o Fla se apequenou a ponto de fazer esquecer o estilo avassalador de outros jogos.

Tudo piorou aos 14 minutos, quando o colombiano Borré abriu o placar aproveitando cochilo de William Arão, Gerson e toda a zaga rubro-negra.

O tempo foi passando, o River perdendo chances e controlando o jogo com muita tranquilidade. Bruno Henrique e Rafinha ainda tentavam alguma coisa, mas Everton, Arrascaeta e Gabigol seguiam fora de jogo.

Por sorte, o Flamengo saiu do 1º tempo sem tomar mais gols. No intervalo, pelo que se tem notícia, Jesus chamou o time às falas. Deve ter apontado os muitos erros de posicionamento e a baixa intensidade demonstrada.

O reinício da partida mostrou um Flamengo melhor, correndo mais, porém ainda sob domínio argentino. Palácios, Enzo Perez, Borré e Pinola jogavam com absoluta facilidade. No gol, Armani não era incomodado.

Houve o lance agudo com Bruno Henrique e Everton, no qual a bola se apresentou para o arremate, mas o meia bateu justamente no canto onde Armani estava. O goleiro não teve nem trabalho para agarrar a bola.

O tempo ia passando e nada de uma reação, embora a torcida se comportasse como normalmente a argentina faça: cantando o tempo todo, como se não houvesse amanhã.

Já passava da metade da etapa final quando Jesus resolveu partir para o tudo ou nada, com Diego no lugar de Gerson e Vitinho no de Arão. Acabou dando certo, embora seja patente que o desgaste físico do River contribuiu para a ascensão rubro-negra.

Foi então que apareceram as ações ofensivas, com Diego mais próximo a Arrascaeta e Everton, Bruno Henrique e Gabigol. Como não havia ocorrido por 80 minutos, a partir dos 35 minutos o Flamengo ousado e destemido irrompeu em campo, como se tivesse finalmentesido ligado na tomada.

Aí Gabigol entrou em cena. O primeiro gol veio de um erro inicial de Pratto na defesa do Flamengo. O bom Bruno Henrique, que escapou à ruindade geral na primeira parte do jogo, foi decisivo no lance. Três minutos depois, em falha de Pinola e finalização inspirada de Gabigol, veio a vitória inacreditável àquela altura do confronto.

O resto é festa rubro-negra, complementada pelo título brasileiro ganho antecipadamente ontem. E ainda falta o Mundial Interclubes.

Sobre Jesus, impossível não reconhecer a força de suas orientações ao time, que prevaleceram na reta final, jogando mais ou menos por 12 minutos de um futebol à altura do Flamengo atual. Teve a sorte que não pode faltar aos grandes campeões. Levava um nó tático de Gallardo e conseguiu a virada improvável, com gols que caíram do céu. Tite que se cuide.

Mérito a quem tem

Guilherme Barra, jornalista dos bons, que comandou a redação do Diário do Pará na transição para a modernidade, é um dos grandes responsáveis pela elaboração do projeto do Bola, tabloide lançado em junho de 1998 no dia da abertura da Copa do Mundo da França.

Na coluna de domingo, dedicada ao companheiro Atorres, mencionei o Bola e citei alguns nomes. Acabei esquecendo o amigo Barra, que foi um dos valorosos profissionais que discutiram o formato e o nome do caderno. Faço aqui a devida e justa reparação.

O injusto ataque da torcida rubro-negra à Globo

Poucas forças se colocaram tão a serviço do crescimento popular do Flamengo quanto a Rede Globo. Isso acontece há anos através das coberturas, algumas visivelmente parciais, e também pela influência como grande parceira da CBF desde os tempos de Havelange.

Um exemplo dessa íntima ligação entre a emissora e o clube é a cinematográfica cobertura em torno da final da Libertadores e os festejos pós-conquista. Por isso, a hostilidade às equipes da Globo ontem no Rio soa como ingratidão a quem sempre tratou o Flamengo tão bem.

Diretoria do Remo confirma Jaques no comando

O técnico Rafael Jaques se despediu do São José, ontem à tarde, recebendo homenagens pelo trabalho desenvolvido no clube gaúcho. Seu destino é o Remo, onde se apresentará no dia 1º de dezembro. Logo depois de anunciado o desligamento, a diretoria azulina pôs fim ao mistério e confirmou nas redes sociais a contratação do treinador.

Vem cercado de expectativas e também de desconfianças. É o maior desafio da carreira de Jaques. Afinal, vai trabalhar pela primeira vez em um clube de massa, com as pressões normais de uma torcida extremamente exigente. Seu primeiro teste será o Parazão. A conferir.

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