Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
27°
cotação atual R$

Colunistas / Gerson Nogueira

GERSON NOGUEIRA

Final trágico da bela campanha bicolor é destaque na coluna de Gerson Nogueira

segunda-feira, 09/09/2019, 10:20 - Atualizado em 09/09/2019, 10:20 - Autor: Gustavo Dutra


| Jorge Luiz / Paysandu

O pecado fatal do desperdício

Muito se discutirá ainda sobre a eliminação do PSC, ontem à noite, no estádio dos Aflitos, após série de penalidades. É normal que explicações sejam buscadas sempre que um time fracassa. Surgem alegações de todo tipo, incluindo até teses conspiratórias a respeito da escalação de árbitros gaúchos nos dois confrontos. Na verdade, o Papão cometeu o pecado do desperdício e foi duramente castigado.

Abriu 2 a 0 no placar, perdeu três chances claras para ampliar e acabou deixando o Náutico empatar. O jogo foi para a série extra de penalidades e o time pernambucano levou a melhor, marcando 5 a 3.

Até mesmo as queixas em relação ao penal marcado aos 49 minutos do 2º tempo são discutíveis. Lance capital da noite, a marcação de Leandro Vuaden desperta discussões sem fim, mas fica a impressão de que as reclamações têm mais a ver com o momento da polêmica falta.

O mundo do futebol costuma reagir com estranheza a penalidades assinaladas nos segundos finais do período de acréscimos, ainda mais em favor do time da casa. Apesar de a imagem não mostrar com clareza, a bola parece tocar no braço do jogador do PSC. Avaliação que deve ter sido a mesma do árbitro, que estava bem posicionado.  

Como a decisão é de caráter interpretativo, o debate tende a ser eterno e inconclusivo. Prefiro me ater às razões concretas do insucesso do PSC na partida. Impossível não observar o excesso de erros nas finalizações.

O gol de Vinícius Leite caiu do céu aos 24 minutos. Um disparo forte, que desviou na zaga e entrou no canto esquerdo, fez com que o Papão tomasse as rédeas do confronto e encaminhasse a classificação.

O começo da partida havia se desenrolado de maneira satisfatória para o PSC nem tanto por seus méritos, mas pela visível intranquilidade do Náutico. O time de Gilmar Dal Pozzo errava passes, não encaixava a pressão desejada e cercava a área sem oferecer perigos claros.

O melhor momento do Náutico foi ofertado por Mota, que tentou sair com a bola dominada e acabou entregando nos pés de Jean Carlos. O meia fez um giro e bateu rasteiro, mas Micael evitou o gol.

Tiago, Álvaro e o próprio Jean Carlos, melhores jogadores do Timbu, pareciam se esconder e deixavam-se marcar com facilidade e pouco arriscavam nas jogadas de fora da área. A tensão se acentuava a partir das cobranças da torcida e se agravou depois que o Papão abriu o placar.

Tomas Bastos, lesionado, foi substituído por Tiago Primão. O PSC não protegia-se bem e priorizava a recuperação da bola para partir em contra-ataque. Com essa estratégia, era mais agudo e objetivo.

Foi assim que Nicolas, aos 41’, recebeu de Uchoa e entrou na área. Livrou-se do goleiro e bateu com o gol escancarado. O chute saiu rasteiro e permitiu que o zagueiro Camutanga desviasse quase em cima da linha. Um desperdício que iria ser muito lamentado depois. Logo em seguida, Nicolas ainda perdeu outra chance.

No 2º tempo, como era natural, o Náutico voltou com mais ímpeto na luta para igualar o marcador, mas incorria nos erros de cobertura quando os laterais se lançavam à frente. Ocorre que logo aos 9 minutos o PSC chegou ao segundo gol. Cruzamento de Tony para um golaço de Nicolas, que bateu de letra. A bola ainda tocou no travessão antes de morrer nas redes.

O que já estava bom, ficou ótimo. O jogo ficou inteiramente controlado pelo Papão. Desesperado, o Náutico não acertava nada. Nicolas teve logo em seguida outra oportunidade preciosa após arrancada de Hygor pela direita. O meia-atacante estava livre, mas bateu mal, por cima do gol.

Álvaro diminuiu aos 19’ e reabriu as esperanças do Náutico. A torcida voltou a acreditar no impossível. O Papão se encolheu, Reis e Primão já não saíam do campo de defesa e a pressão foi crescendo. Aos 36’, Uchoa ainda perdeu outro gol, batendo em cima do goleiro Jefferson.

Aos 49’ veio o lance fatídico. Última tentativa do Náutico. Bola lançada na área por Wallace Pernambucano. Caíque desviou de cabeça e a bola toca no braço de Uchoa. Jean Carlos bateu e empatou.

O jogo se encaminhou para a série de penais e Wellington Reis errou sua cobrança. O Náutico acertou todas. Classificação pernambucana.

Arma para o contra-ataque não foi utilizada 

Hélio dos Anjos sai invicto da competição. Merecia melhor sorte pelo grande trabalho de recuperação do Papão a partir da sétima rodada. O Papão não perde há 17 jogos, mas deixou escapar o acesso após um jogo que chegou a vencer com tranquilidade até os 20 minutos da etapa final.

O objetivo não foi alcançado por um detalhe apenas, mas o PSC podia ter sido mais efetivo, ameaçando a zaga do Náutico. Quando estabeleceu a vantagem de 2 a 0, Hélio poderia ter optado por Elielton para explorar os contra-ataques. Havia espaço de sobra a explorar.

Cauteloso, Hélio preferiu seguir com Hygor, visivelmente extenuado a partir dos 30 minutos. Nas substituições da reta final de partida, tirou Primão e Vinícius para botar Caíque e Diego Rosa. A intenção era povoar a zaga e aumentar altura para resistir aos cruzamentos do Náutico. Com isso, abriu mão de dar consistência e velocidade ao ataque.

Há sempre muito a lamentar quando o acesso esteve ali ao alcance da mão, mas os méritos de Hélio não podem ser esquecidos ou diminuídos. Além da Copa Verde, as virtudes mostradas na campanha da Série C devem ser o ponto de partida para o projeto de 2020. 

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS