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FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO

Coletivo leva poesia e afirmação feminina da periferia para o mundo

domingo, 01/09/2019, 22:33 - Atualizado em 01/09/2019, 23:35 - Autor: Agência Pará


| Reprodução/Facebook

Feminismo, negritude, periferia, hip-hop e poesia. Palavras-chaves da palestra "Literatura periférica: vozes femininas na poesia em Belém do Pará", com a poeta e rapper Shayra Mana Josy, na tarde deste domingo (1), dia dedicado às Vozes Urbanas na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, encerrada após nove dias de intensa programação.

Shayra Josy lembrou sua trajetória de 21 anos no movimento hip-hop e o nascimento do coletivo "Slam Dandaras do Norte", em 2017, com o objetivo de reunir mulheres que desejassem escrever poesias ou "tirar da gaveta" suas produções. "Achamos que seria mais difícil reunir mulheres que fizessem poesia, porque ainda há um grande preconceito e silenciamento das mulheres no movimento hip-hop. Então, a poesia se tornou o caminho mais viável", contou.

Poesia e incômodo - Nesse caminho, as mulheres do Coletivo se encontraram com o Projeto "Leia Mulheres de Belém", de Carol Magno, que reúne uma espécie de antologia das produções femininas em Belém. O movimento das "Dandaras" cresceu e foi convidado para mostrar sua experiência em outros Estados.

"A nossa poética ainda incomoda, mesmo que estejamos fazendo em espaços específicos, que são nossos. Porque a sociedade e o machismo não querem que estejamos lá. Por isso, o Coletivo é fechado para mulheres. É um espaço de fortalecimento e, se preciso, vai para o enfrentamento", afirmou Shayra.

Entre os temas tratados pelo Coletivo estão machismo, racismo, violência doméstica e vida na periferia de Belém. No meio desse trabalho com o grupo, Shayra conseguiu, por meios próprios, lançar seu primeiro livro autoral - Po Eu Sia -, lançado em novembro do ano passado, que já teve textos aproveitados em escolas e faculdades do Pará. "É muito legal quando alguém te reconhece como escritora, poeta. É um lugar que a gente imagina que nunca vai chegar", frisou.

A psicóloga Ana Silva foi uma das mulheres que viram no Coletivo "um espaço de fala". Ela passou a escrever mais a partir da experiência com as "Dandaras". "Hoje, digo que sou poeta porque é assim que eu me sinto. A mulher, por si só, é uma poesia. E a partir do momento em que a gente fala e escreve, a gente se torna escritor, poeta. Me sinto muito mais completa hoje", enfatizou.

A escritora Heliana Barriga acompanhou a palestra e parabenizou Shayra e o Coletivo das Dandaras pelo trabalho. "Também sou escritora e sei das dificuldades que a gente enfrenta para ter espaço e fazer essa produção chegar às pessoas. Feliz de ver as mulheres chegando e ocupando todos os lugares", afirmou.

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