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Obra do paraense Victor de La Rocque exposta este mês em São Paulo fala de política

sexta-feira, 03/11/2017, 09:18 - Atualizado em 03/11/2017, 11:16 - Autor:


Desde que se entende por gente, o artista visual Victor de La Rocque não sabe identificar os lados. Ele chega a se perder quando pedidos de ajuda na rua culminam em explicações como “a primeira à esquerda, depois a terceira à direita”. E foi assim que nasceu “Camisa Social para Pessoas com Dificuldade de Identificar a Esquerda da Direita – Da Série Para Entender Política Brazileira” (assim mesmo, com z), projeto com o qual está em cartaz no Paço das Artes (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo. Com acompanhamento crítico de Daniela Labra, a obra ficará em cartaz até o dia 19 de novembro.


“O trabalho parte dessa necessidade de criar uma estratégia para que eu possa ultrapassar isso”, explica o artista. 


Depois de já ter passado por algumas exposições com este projeto, inclusive em Chicago (EUA), pela galeria que o representa naquele país, Victor de La Rocque apresenta na mostra em São Paulo uma série de vídeos em que entrevista pessoas com o mesmo problema. Elas vêm de várias partes do país, encontradas através de chamadas na internet. “Começo a querer saber quem são essas pessoas que possuem essa dificuldade. Como elas perceberam que possuem essa dificuldade? Como elas lidam com isso no dia a dia? Que situações corriqueiras ou engraçadas elas viveram por conta dessa dificuldade de identificar os lados?”.


O trabalho todo, afirma Victor, vem de uma vontade de falar sobre de lateralidade, percepção espacial, mas que inevitavelmente acabou sendo relacionado à política brasileira. “Quando entro para essa questão da política, entro de maneira muito sutil. Em nenhuma das entrevistas é falado pelas pessoas sobre política, mas no título do trabalho isto está implícito”, diz Victor. 


Para ele, a população brasileira em geral se tornou mais politizada, o que gerou essa necessidade de compreender o processo caótico e político que ela vive. “É uma provocação nesse sentido de que eu falo de espacialidades, mas também estou falando de uma busca e entendimento desse sistema, desse caos político de que muitas vezes a gente percebe que uma coisa é ‘isso’ e de repente essa coisa não é mais ‘isso’, e amanhã ela volta a ser ‘isso’ de novo. De tentar me localizar nesse turbilhão de acontecimentos e de lateralidades”, reflete o artista.




Victor de La Rocque em imagens do vídeo que compõe a exposição (Fotos: Divulgação)


Mostra se torna viva com novas entrevistas 


Para a abertura no Paço das Artes, Victor de La Rocque apresentou uma performance inédita, inspirada em uma das entrevistas que realizou. Ela consistia em um tatuador trabalhando sobre os dois pulsos do artista, ao vivo, para o público, tatuando as palavras esquerda e direita em seus respectivos lados. “Depois que fiz a tatuagem, ela era oferecida de maneira gratuita para o público que estava lá”, conta Victor. 


Três pessoas quiseram fazer a tatuagem. “Eu ofereço para o público uma das alternativas das quais eu recebi dessas entrevistas, na qual a pessoa tatuou no braço. Essa era a estratégia dela”, conta.


Todos esses detalhes do projeto estarão registrados no catálogo que sairá após a exposição e que contará também com o texto crítico de Daniela Labra, responsável por acompanhar todo o processo que levou à mostra. “Nós tivemos encontros bem antes da exposição acontecer, em que a gente discutia conceitualmente cada parte do projeto. Ela teve mesmo o papel de curar o trabalho, de dizer ‘isso entra, isso não’”,
conta Victor. 


Além disso, o artista ainda pretende outros desdobramentos e continua a alimentar a mostra. “Essa semana já terão novas  entrevistas”, avisa.


(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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