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DESTINAÇÃO IDEAL

O aterro sanitário é, hoje, uma das propostas mais aceitas quanto à boa destinação dos resíduos e rejeitos, em contraposição ao modelo agressor dos lixões. No Pará, existe somente um aterro do tipo, localizado no município de Marituba, Região Metropolitana de Belém, e com previsão de início de funcionamento para maio deste ano.

A Central de Processamento e Tratamento de Resíduos (CTPR) é um empreendimento gerido pela empresa Guamá Tratamento de Resíduos Ltda., pertencente ao grupo Solvi.

O processo de licenciamento da CTPR iniciou em 2009, com o estudo de sete áreas da Região Metropolitana da capital – em conjunto com instituições como a Universidade Federal do Pará (UFPA) – para a construção do aterro.

As obras do CTPR iniciaram em outubro de 2013 e, quando estiver funcionando, o local estará apto a receber e processar 1.867 toneladas/dia de resíduos do tipo 2A (resíduos domésticos e alguns tipos de resíduos de grandes geradores, como material orgânico), controle que não existe na maioria dos lixões.

Aterro sanitário de Marituba é o único licenciado no Pará, apesar do modelo ser o determinado pela Lei de Resíduos Sólidos | Foto: Cezar Magalhães

“No lixão, geralmente, não existe o controle de entrada, que chamamos de controle qualitativo. Lá, você pode ver carcaças de animais, resíduos de saúde não tratados, entulhos e resíduos industriais”, explica Caio Ávila, engenheiro sanitarista do CTPR.

Após a realização do controle de entrada, os caminhões passam por uma balança com capacidade para veículos de até 80 toneladas e 21 metros, que faz a medição eletrônica do peso e mandam as informações diretamente para um sistema que pode ser acessado pelas prefeituras.

Depois da pesagem, o material é descarregado e passa por um processo de triagem. Os rejeitos que serão aterrados são espalhados e compactados por um trator. Por fim, uma camada de solo e uma manta irão cobrir o material.

Não contaminação do solo

Uma das primeiras diferenças visíveis entre o modelo do lixão e o do aterro sanitário é a presença de mantas impermeáveis que impedem a contaminação de lençóis freáticos: no CTPR são utilizadas três mantas, além de uma camada de aproximadamente três metros de solo terraplanado. As mantas possuem vida útil de até 100 anos.

Três camadas de lonas impermeáveis impedem que o chorume expelido pelos resíduos e rejeitos contaminem o solo e os lençóis freáticos | Foto: Cezar Magalhães

No aterro de Marituba, existem também drenos verticais que servem para captar o biogás gerado pelos resíduos e drenos horizontais que realizam a captação do chorume.

Há o projeto de construção de uma usina de geração de energia termelétrica a partir do biogás captado (o empreendimento ainda está em fase de estudo e aguardando novo licenciamento) e de um centro para transformação do chorume em água de reuso.

Um “cinturão verde” também está sendo criado em torno da área de 100 hectares do CTPR. O horto, localizado no aterro, tem a capacidade de armazenar aproximadamente 15 mil mudas de plantas locais como ipê, castanheira, açaí e araçá.

Horto em aterro sanitário tem capacidade para até 15 mil mudas de plantas regionais. Projeto prevê criação de “cinturão verde” em torno de empreendimento. | Foto: Cezar Magalhães

A situação dos trabalhadores do aterro sanitário também difere quase que completamente da encontrada nos lixões. Além de não ser permitida a catação na área de despejo dos resíduos, os trabalhadores que trabalham em outras áreas do empreendimento devem usar obrigatoriamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

No CTPR, a preferência na contratação dos funcionários deve ser para moradores das comunidades do entorno do empreendimento. Esses trabalhadores também receberão treinamentos e a contratação é realizada com o cumprimento das legislações trabalhistas.

“Dentro do aterro sanitário, temos todo o cuidado com a segurança do trabalho e uma logística de proteção ao próprio trabalhador. Nos lixões, há a situação dos catadores expostos a riscos como seringas, materiais hospitalares e sem nenhuma proteção”, comenta Paulo Leal, gerente operacional do empreendimento.

Viabilidade em municípios menores

O CTPR, que está apto a receber resíduos de toda Região Metropolitana de Belém, tem todo projeto orçado em aproximadamente R$ 40 milhões.

Pensar em estruturas menores – dentro do mesmo modelo de aterro sanitário – seria uma possibilidade para municípios menores do Pará. A criação de consórcios também seria uma opção.

“As cidades menores podem se reunir e construir uma célula menor de aterro sanitário. O que é preciso é a realização de estudos de área e de viabilidade, diálogo com órgãos ambientais”, opina o engenheiro.

“A estrutura do aterro sanitário, da proteção ambiental, é totalmente viável. Hoje, não existe desculpa para destinar inadequadamente o resíduo”, conclui.

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