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prática danosa

“Infelizmente, esquece-se que quando materiais começarem a ser jogados e eventualmente chover, essa água irá lavar esses resíduos e descer para o solo. Lá embaixo, encontrará alguma fonte, algum rio, algum igarapé, e isso irá se disseminar pelo município” - Paulo Wilson, ONG Noolhar

Na contramão dos prazos estabelecidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos e desconsiderando os danos ambientais e sociais crescentes dos lixões em todo o Estado do Pará, as perspectivas para a resolução dos problemas ainda são poucas. “Esse cenário é pessimista, porque a gente não vê a questão da solução a curto prazo. Os lixões têm que fechar, mas a solução a curto prazo não acontece”, afirma Patrícia Gonçalves, coordenadora da ONG Noolhar.

Dos três modelos existentes para destino dos resíduos, o lixão é o mais danoso ao meio ambiente, além de reunir maior número de mazelas sociais. “O lixão é o formato tradicional, utilizado na maioria dos municípios, principalmente os de menor porte. O município nasce, escolhe-se um ponto alto e distante da cidade para despejar os dejetos”, explica Paulo Wilson, também coordenador da Noolhar.

No Pará, a população e o poder público continuam a criar novos lixões (ou permitem que os existentes cresçam indiscriminadamente), deixando de investir nos outros dois formatos existentes: do aterro controlado e do aterro sanitário (hoje considerado ideal para a destinação dos resíduos).

Modelo do lixão é o mais agressivo ao meio ambiente, causando contaminação de lençóis freáticos e poluição do ar, além de gerar muitas mazelas sociais | Foto: Cezar Magalhães

O aterro controlado seria uma maneira de amenizar e gerir o material já existente em formato de lixão. “O aterro controlado é a transformação do lixão físico, ou seja, quando o lixão já existe. Você tem que trabalhar esses materiais para que não causem mais impacto”, pondera.

A primeira medida a ser tomada em um aterro controlado é dar um fim ao chorume, evitando a contaminação do solo e de possíveis bacias hidrográficas. “Eles tentam criar canais para que o chorume vá a uma bacia de contenção. Com isso, já começamos a criar uma organização que não existe no lixão. Criamos canais para que esse líquido não entre no solo”.

O segundo passo é canalizar e incinerar o gás metano produzido pelos resíduos. “No aterro controlado, o metano será canalizado. Essas tubulações se encontrarão em um ponto único e esse metano será incinerado. Ele ficará queimando por 24 horas. Não é o correto. Mas a partir do momento que você queima o metano, emite-se menos gás natural. O impacto ao meio ambiente é menor”, diz Paulo.

O coordenador explica que o fenômeno da fumaça que assola a comunidade Boa Vista, diariamente, é a contínua queima do metano. “Uma vez que algo no lixão é incinerado, o metano que já está no solo é ativado. Aquela fumaça vai queimar constantemente. Mesmo com a chuva, isso irá dissipar, mas por baixo ele continua queimando, porque o metano é um fogo invisível”, elucida.

No formato do aterro controlado, ainda existem catadores trabalhando em cima dos montes de resíduos, condição que pode perpetuar as mazelas sociais dos ambientes dos lixões. Essa situação só será revertida completamente no aterro sanitário.

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MODELO IDEAL

“No aterro sanitário, é tudo diferente. É a transformação dos resíduos de forma correta. Existe ainda a geração de renda para as empresas envolvidas no processo. Há toda uma logística. Lá, não tem pessoas trabalhando em cima do lixo, só máquinas e caminhões descarregando, produzindo as células”, afirma Paulo.

A contaminação do solo é evitada com a instalação de lonas, que também dividem os produtos resultantes do lixo. “Eles colocam camadas de lonas para não existir a contaminação do solo. Elas são produzidas no Brasil, mas sofrem inspeção internacional. Depois disso, divide-se os subprodutos gerados pelo lixo, que são o metano e o chorume. O chorume vai para as bacias de contenção e o gás será armazenado, sem que seja queimado”.

Nos aterros sanitários já existem tecnologias que podem transformar os subprodutos dos resíduos: o chorume pode se transformado em água de reuso, sendo vendida para indústrias ou empresas que precisam de processos de resfriamentos, por exemplo; o metano que seria queimado, pode ser utilizado para abastecer termelétricas.

Em Salvador (BA), uma termelétrica a biogás – chamada de Termoverde Salvador, inaugurada em 2011 – garante uma boa destinação do metano e gera energia elétrica para aproximadamente 300 mil residências.

“Aquilo que não teria solução passa a ter solução. Essa é a diferença: isso começou lá atrás com o nome lixo, e acabou se transformando em algo rentável e, o mais importante, que evita a degradação do meio ambiente”, conclui Wilson.

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