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Gisele Itié detalha estupro e é criticada na web

Quarta-Feira, 11/01/2017, 16:15:37 - Atualizado em 11/01/2017, 16:15:37 Ver comentário(s) A- A+

Gisele Itié detalha estupro e é criticada na web (Foto: Reprodução Instagram)
(Foto: Reprodução Instagram)

A atriz Gisele Itié, que interpretou a personagem Zípora na novela "Os Dez Mandamentos" (Record), detalhou o estupro que sofreu quando tinha 17 anos de idade.

A primeira vez que ela tinha revelado o abuso que sofreu na adolescência foi no fim de 2016, quando havia gravado um vídeo para a campanha Nenhuma a Menos.

Agora, em depoimento à revista "Glamour", publicado nesta terça-feira (10), Itié lembrou que na época viajou com o namorado 15 anos mais velho -chamado por ela apenas de X. Segundo a atriz, ele colocou alguma substância na bebida dela e a estuprou enquanto dormia.

"Quando eu tinha 17 anos, deixei de lado o sonho de ser atriz e namorava um cara 15 anos mais velho", disse a Itié. "Em dois anos iríamos nos casar. Além disso, ele respeitava minha virgindade e minha vontade de casar assim", acrescentou.

"Em uma boate na viagem, me lembrei da minha mãe e pedi um suco de laranja com bastante gelo no bar. Fui ao banheiro. Voltei. Bebi. Fim", contou. "X me desejou boa noite e me chamou de Cinderela", declarou.

"Acordei. Olhei para o lado, e lá estava ele, dormindo. Olhei melhor e o vi nu. Susto. Me olhei. Nua. O chão forrado de garrafas vazias. Eu forrada de amnésia. Foi difícil sentar. Então vi o que eu já imaginava. Perdi a virgindade. Me perdi", detalhou.

Gisele, então, afirmou que decidiu ir para o chuveiro para tirar a sensação de sujeira. O namorado bateu na porta, e ela quis ir embora para casa. "Aos prantos exigi, do outro lado da porta: 'Quero ir para a minha casa agora'. Ele tentou dizer que não dava, e entrei em surto. X concordou em me levar", contou.

Em casa, a atriz disse que contou para a mãe o que havia acontecido. Preferiu não contar para o pai por medo da reação dele. Segundo a atriz, a mãe procurou por X e bateu nele. Com terapia e o apoio da mãe, Itié conseguiu superar o estupro e voltar à carreira.

CRÍTICAS

Após a revista "Glamour" publicar o depoimento, a atriz recebeu diversas críticas na web, culpando o comportamento que ela teve com o ex-namorado -aceitando viajar com ele- e dizendo que ela provocou o abuso sofrido.

No fim da manhã desta quarta (11), a atriz respondeu as críticas em um post no Instagram. Ela lamentou os comentários negativos que recebeu de outras mulheres e disse que elas precisam se unir para combater o machismo.

Sobre os comentários agressivos e equivocados de Mulheres em relação à um texto que escrevi sobre um abuso sofrido por uma menina de 17 anos. Eu. S O R O R I D A D E É a união, a aliança FEMINISTA entre mulheres. Feminista? É uma Pessoa que acredita na IGUALDADE de direitos entre Mulher e Homem. Voltando para a idéia de irmandade, a Sororidade é muito importante para nós Mulheres combatermos a sociedade Machista. Machista? É uma Pessoa que recusa a igualdade de direitos entre Mulher e Homem. Acreditando que o homem é superior à mulher. Agora sim, voltando a Sororidade (ufa!) Quando Nós Mulheres somos unidas e levantamos a bandeira à favor da nossa liberdade e igualdade de gêneros. Nós Mulheres nos tornamos mais fortes para combater a Sociedade Machista. Quando leio comentários de Mulheres julgando o abuso que sofri e/ou violência que a Mulher sofre todos os dias. Julgando como? Reagindo com insensibilidade e indiferença. Acreditando que a vítima "ajuda" para que o agressor seja violento. Bem, é muito frustrante perceber esse tipo de reação ainda mais de Mulheres. Percebo que as Mulheres Não Machistas também se sentem agredidas e de alguma forma se distanciam das Mulheres Machistas. E eu me pergunto, cadê a Sororidade? Mas não pergunto para essas Mulheres Machistas e Equivocadas. Pergunto para nós, Mulheres que se sentem agredidas pelas Machistas. Cadê a Sororidade? Para ajudar a me explicar, segue um texto do site "naomecalo.com" : Lembra quando reproduzíamos um machismo ferrado ao falarmos que mulher tem que se dar o respeito? “Ué, não quer engravidar, que tome as devidas precauções, que não abra as pernas”, “Nossa, vai sair com essa roupa? Está parecendo uma vadia!”. Vamos fazer uma dinâmica? Fechem os olhos e tentem se lembrar da época em que não conheciam o feminismo, e quando até conheciam, mas achavam que era um movimento de mulheres infelizes e insatisfeitas com a vida. E aí, lembraram? Lembrem-se também do momento em que foram salvas, em que uma mão amiga foi-lhes estendida mostrando-lhes o caminho; de um artigo sobre feminismo lido após aquela manchete de feminicídio que ficou em sua cabeça por dias; (cont. nos comentários) ❤️

Uma foto publicada por GiseLLe ItiÉ (@gitie) em

"Quando nós, mulheres, somos unidas e levantamos a bandeira a favor da nossa liberdade e igualdade de gêneros, nós, mulheres, nos tornamos mais fortes para combater a sociedade machista", declarou.

"Quando leio comentários de mulheres julgando o abuso que sofri e/ou a violência que a mulher sofre todos os dias... E julgando como? Reagindo com insensibilidade e indiferença e acreditando que a vítima 'ajuda' para que o agressor seja violento. Bem, é muito frustrante perceber esse tipo de reação ainda mais de mulheres", completou.

(Folhapress)



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