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A primeira imagem de um buraco negro pode ser divulgada em 2018

Quinta-Feira, 11/01/2018, 10:00:10 - Atualizado em 11/01/2018, 10:00:10 Ver comentário(s) A- A+

A primeira imagem de um buraco negro pode ser divulgada em 2018 (Foto: Buraco negro (Foto: Nasa))
(Foto: Buraco negro (Foto: Nasa))
Buraco negro (Foto: Nasa)

 

No início de 2017, um grupo de cientistas de todo o mundo se uniram com um objetivo em mente: captar uma imagem do buraco negro supermassivo Sagittarius A* (o asterisco se pronuncia "estrela"). Quase um ano depois, os dados foram coletados e começaram a ser analisados pelos pesquisadores. Isso significa que, em breve, teremos a primeira imagem de um buraco negro. 

Chamada de Event Horizon Telescope (EHT), ou Telescópio do Horizonte de Eventos, a iniciativa usa tecnologias de ponta para fotografar o buraco negro em questão, que fica no centro da Via Láctea e possui quatro milhões de vezes a massa do Sol. 

“A ideia de combinar observatórios de micro-ondas pelo mundo e aplicar isso aos buracos negros é bastante inovadora”, afirmou Thiago Signorini, astrônomo e professor do Observatório do Valongo, no Rio de Janeiro, em entrevista à GALILEU em 2017.

Signorini explicou que, quanto mais distantes estiverem as antenas de rádio envolvidas e quanto menor for o comprimento de onda que elas captam, mais nítidas se tornam as imagens. Normalmente, os radioastrônomos trabalham com comprimentos na ordem dos 21 centímetros. Já o EHT opera na faixa de 1,3 milímetro.

Isso resulta em uma capacidade inigualável de explorar objetos distantes nos mínimos detalhes. “A resolução é capaz de revelar um objeto do tamanho de uma moeda na superfície da Lua”, disse o astrônomo. Tamanha sensibilidade é necessária pois o projeto não quer só uma foto que mostre o brilhante disco de acreção, feito de enormes quantidades de matéria incandescente em órbita ao redor do buraco negro, atraída por sua monstruosa gravidade.

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O foco do EHT é enxergar o horizonte de eventos, região escura que fica no centro do disco e marca o “fim da linha” do qual nada, nem mesmo a luz, consegue escapar. No caso do Sgr A*, o diâmetro dessa área, estimado em 44 milhões de quilômetros, equivale a cerca de 30 vezes o tamanho do Sol. “Pode parecer grande, mas a uma distância de dezenas de milhares de anos-luz, acaba se tornando uma coisa muito pequenina no céu”, afirmou Signorini.

Após coletadas, as informações foram enviadas para análise no MIT, nos Estados Unidos, e o Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha. As equipes das duas instituições estudarão os dados coletados e compararão suas conclusões entre si. Só então a fase final da análise das observações terá início, o que significa que é possível que, ainda em 2018, tenhamos a imagem de um buraco negro. 

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Fonte: Revista Galileu







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