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Dia de mortes reaviva memória da chacina de 2014

Sexta-Feira, 20/01/2017, 20:45:20 - Atualizado em 20/01/2017, 22:29:52 Ver comentário(s) A- A+

Dia de mortes reaviva memória da chacina de 2014 (Foto: Via/WhatsApp)
Bairro da Cidade Nova teve registro de morte nesta noite aumentando o número de homicídios na RMB (Foto: Via/WhatsApp)

A cidade de Belém e sua região metropolitana já soma o registro de mais de 10 mortes nesta sexta-feira (20), todas com características de execução. Todos os casos ocorreram após o óbito do soldado da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) Rafael da Silva Costa, no bairro da Cabanagem, na manhã de hoje, e o banho de sangue reaviva a memória para a chacina registrada em novembro de 2014 na capital paraense, depois da morte do cabo, também integrante da Rotam, Antonio Marco da Silva Figueiredo, mais conhecido como Cabo Pet. 

Na noite do dia 4 de novembro de 2014 e madrugada do dia 5 do mesmo mês, foram 11 os assassinatos registrados em bairros periféricos da capital paraense após a execução de Pet.

As semelhanças entre o caso de hoje e o registrado em 2014 começam pela coincidência das duas ondas de homicídios iniciarem após a morte de um agente da Rotam.

No início da manhã desta sexta, aproximadamente uma hora depois da confirmação da morte do policial Rafael Costa, no bairro da Cabanagem, um outro crime com características de execução foi registrado em Belém, dando início a uma sequência de assassinatos que seguem até a noite, o que colocou em alerta a população e autoridades.

O soldado Rafael, de apenas 29 anos, foi morto com um tiro na cabeça quando estava em serviço pela manhã e dirigia sua viatura em perseguição a suspeitos, no bairro da Cabanagem. O militar chegou a ser encaminhado para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, mas não resistiu ao ferimento.

RELEMBRE 

Em novembro de 2014, várias mortes foram seguidas após o assassinato do cabo, também da Rotam, Antonio Marco da Silva Figueiredo, conhecido por Cabo Pet.

Na época, Pet estava afastado de suas funções e foi morto em uma emboscada vítima de 20 disparos, no bairro do Guamá.

Naquele dia, os crimes iniciaram na noite do dia 4 e seguiram durante a madrugada do dia 5. Uma série de postagens em redes sociais, nas quais supostos militares conclamavam agentes de segurança a “dar resposta” à morte de Pet, chamaram a atenção da população.

As vítimas daquele episódio foram: Eduardo Felipe Galúcio Chaves, de 16 anos; Bruno Barroso Gemaque, de 20 anos; Alex dos Santos Viana, de 20 anos; Jefferson Cabral dos Reis, de 27 anos; Márcio Santos Rodrigues, de 21 anos; César Augusto Santos da Silva (sem idade divulgada); Marcos Murilo Ferreira Barbosa, de 20 anos; Nadson da Costa Araújo, de 18 anos; Jean Oscar Ferro dos Santos, de 33 anos e Arlesonvaldo Carvalho Mendes, de 37 anos. Um deficiente mental, que teria sido baleado naquela ocasião, é citado como a 11ª vítima pela CPI das Milícias, criada na Assembleia Legislativa do Estado para investigar os crimes.

BAIRROS

Em novembro de 2014, as mortes em sequência foram registradas em seis bairros de Belém, sendo eles: Terra Firme, Jurunas, Guamá, Marco, Tapanã e Sideral. Já os homicídios desta sexta-feira foram além das linhas da capital. Os municípios de Ananindeua e Marituba, ainda na Região Metropolitana, tiveram mortes e pessoas baleadas.

Segundo o que foi apurado pelo DOL, e até a publicação desta reportagem, os demais bairros em que ocorreram homicídios com características de execução em Belém nesta sexta foram: Benguí, Guanabara, Sacramenta, Una e Castanheira. Clique aqui e veja os dados atualizados.

Já em Ananindeua, Curuçambá e Coqueiro foram os bairros onde ocorreram dois assassinatos. Em Marituba, os bairros Beija Flor e Bairro Novo tiveram também duas mortes com características de execução.

POSICIONAMENTOS DAS AUTORIDADES

O DOL indagou a Polícia Militar do Pará e a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Segup) sobre a onda de homicídios na capital paraense nesta sexta e sua possível semelhança com a chacina ocorrida em novembro de 2014, mas até a noite de hoje nenhuma das autoridades se posiciou sobre o assunto.

A reportagem questionou se as autoridades não têm condições de coibir tamanha quantidade de crimes bárbaros no mesmo dia na cidade e se é possível que as execuções sejam em retaliação a morte do soldado Rafael Costa, assim como ocorreu no caso do cabo Pet.

(DOL)



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