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GERSON NOGUEIRA

Gerson Nogueira enumera os destaques do Parazão

Terça-Feira, 02/04/2019, 10:34:56 - Atualizado em 02/04/2019, 10:34:56 Ver comentário(s)

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Gerson Nogueira enumera os destaques do Parazão (Foto: Jorge Luiz/Paysandu)
Vítor Oliveira (Foto: Jorge Luiz/Paysandu)

Destaques da primeira fase

Vinícius; Michel, Kevem, Vítor Oliveira e Mocajuba; Ricardo Capanema, Marcos Antonio, Fazendinha e Marco Goiano; Nicolas e Fidélis. Encerrada a fase de classificação, esta é a formação dos melhores da competição, uma escolha baseada mais na regularidade do que na qualidade.

Com nenhum destaque absoluto até aqui, o Parazão 2019 corre o risco de entrar para a história como um dos mais fracos desde que a interiorização foi adotada. Nem mesmo os certames de 2016 e 2017 podem ser comparados ao atual em insuficiência técnica.

A escalação acima tem três jogadores do PSC (Vítor Oliveira, Marcos Antonio e Nicolas) e três do Bragantino (Capanema, Goiano e Fidélis). O Remo contribui com dois, Vinícius e Kevem. O Independente entra com Mocajuba e Fazendinha. Michel, artilheiro da competição, representa o Paragominas.

Os jogos de mata-mata podem trazer tintas de competitividade e emoção ao Parazão, mas, a rigor, os times terão poucas mudanças. A inscrição de novos atletas termina hoje e não há previsão de novas contratações por parte dos quatro semifinalistas. Edno, pelo Remo, deve ser o último inscrito junto ao BID.

Com Yuri e Hélio (devolvido pelo Palmeiras) à disposição do técnico Márcio Fernandes desde a rodada de domingo, o Remo é o único que pode vir a mudar de fisionomia, a partir do meio-campo. Caso o time chegue à decisão, o atacante Edno poderá vir a reforçar o setor mais improdutivo do time.

Cabe observar que tanto azulinos como bicolores terão nas semifinais e finais do Parazão o período de preparação mais forte para o Brasileiro da Série C, que começa uma semana depois do estadual. 

No Papão, invicto na temporada, as mudanças devem ser de ordem tática, atendendo à orientação do novo comandante. Léo Condé estreou com vitória importante diante do Águia, mas não alterou na forma de jogar.

A equipe mostrou dificuldades na transição e baixa intensidade, melhorando somente nos 20 minutos finais, a tempo de garantir o triunfo. Os problemas remontam ao período de Brigatti e devem ser priorizados por Condé no esforço para ajustar a equipe.

Dos interioranos, o Bragantino de Agnaldo de Jesus, adversário do Remo, é o que mostra mais agressividade tanto em casa quanto como visitante, com manobras rápidas pelos lados e bom entendimento no meio-campo, onde Ricardo Capanema e Marco Goiano se sobressaem.

Já a força do Independente vem da zaga sólida, comandada pelo jovem Dedé, e da marcação firme na meia-cancha. Fazendinha é a principal peça de criação. Sob o comando de Charles Guerreiro, o Galo enfrentará o Papão e suas chances de sucesso dependem da regularidade exibida nas dez rodadas iniciais. 

Quanto à seleção hipotética da primeira fase, merece citação também a boa participação de jogadores como Alexandre (São Francisco), Dedé (Independente), Mariano (Tapajós) e Alison (Castanhal).

Quatro honrosas exceções na luta contra a alienação

Há dois domingos, os principais clubes argentinos fizeram expressiva manifestação pública de repúdio ao golpe que levou à ditadura militar no país a partir de 1976. Celebrado a 24 de março, o chamado Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça teve a natural adesão dos clubes e torcidas através da internet e nos estádios.

Como a atestar a diferença abissal entre os dois países quanto à visão da história, o dia 31 de março foi quase ignorado pelas grandes agremiações nacionais. O futebol, ao contrário do que sempre quis a CBF (ex-CBD), não é um território à parte na vida do país e tem obrigação de se posicionar quanto a temas importantes.

Apenas três clubes brasileiros de primeira divisão e um de Série D romperam o silêncio sobre o 55º aniversário do golpe de Estado que antecedeu a ditadura que durou mais de duas décadas.

O Corinthians, berço do movimento Democracia Corintiana nos anos 80, lembrou a data através de homenagem ao ídolo Sócrates, o mais politizado jogador brasileiro. Antes de jogar a semifinal do Paulista contra o Santos, o clube mosqueteiro inaugurou uma estátua do ex-jogador exibindo o icônico punho cerrado nas comemorações.

Junto à estátua, colocada na arquibancada da Arena Corinthians, a mensagem celebrizada pela Democracia Corintiana: “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”.

O Bahia, tradicionalmente ativista, fez questão de destacar o processo de democratização interna para lembrar o 31 de Março. “Na alegria ou na tristeza. Na saúde ou na doença. De Democracia a gente entende. Hoje e sempre: #NuncaMais”.

Exceção no alienado segmento futebolístico brasileiro, o Bahia mantém um núcleo de ações afirmativas, investe (a sério) na inserção de torcedores mais pobres em seu quadro associativo, mantendo plano popular de sócio e eleições diretas para presidente.

O Vasco completou a trinca da Série A nos atos de referência à data. Para isso, compartilhou a letra da canção “O Bêbado e o Equilibrista”, parceria de João Bosco com o vascaíno Aldir Blanc, considerada um hino de protesto contra a repressão iniciada em 1964.

Por fim, o nanico Inter de Lajes, da 2ª divisão catarinense, foi o primeiro a se posicionar no Twitter: “Na Argentina, os clubes se uniram no último domingo para repudiar o indefensável. Caso não haja iniciativa semelhante hoje no Brasil, ao menos nós, pequeninos, viemos aqui para falar o óbvio, como fizeram os argentinos: #DitaduraNãoSeComemora”.





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