Notícias / Pará

TERAPIA INTEGRATIVA

Apiterapia: uma 'picadinha' de abelha para amenizar a sua dor

Sexta-Feira, 01/03/2019, 16:36:48 - Atualizado em 02/03/2019, 10:45:25 Ver comentário(s)

EDIÇÃO ELETRÔNICA

Apiterapia: uma 'picadinha' de abelha para amenizar a sua dor    (Foto: Divulgação)
A apiterapia consiste em um tratamento que utiliza as abelhas e produtos derivados para fins terapêuticos (Foto: Divulgação)

O quão disposto você está para se ver livre da dor? A história nos mostra que, desde que o mundo é mundo, nós buscamos soluções para tratar os mais diversos problemas físicos e mentais. Temos a acupuntura como ramo da medicina tradicional chinesa, a yoga como prática meditativa originária da Índia, e a auriculoterapia, que utiliza pontos na pele do ouvido externo (a aurícula) para diagnosticar e tratar a dor e condições médicas do corpo.

Apesar dos nomes estranhos, elas fazem parte das 29 Práticas Integrativas e Complementares (PICS), atualmente disponíveis e oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Brasil. As terapias estão presentes em 3.173 municípios brasileiros. Desse total, 88 cidades paraenses concentram diversas dessas práticas alternativas.


A fisioterapeuta Lilian Moraes explica os benefícios da apiterapia (Foto: Divulgação)

O TRATAMENTO

Entre esses tratamentos, um em especial chama a atenção devido ao seu baixo custo, assertividade e com resultados precisos: a apiterapia. A técnica existe há mais de 100 anos, mas só foi reconhecida pelo SUS em 2018. A apiterapia consiste em utilizar as abelhas para fins terapêuticos a partir do veneno do animal ou de produtos relacionados.

De acordo com a fisioterapeuta e tecnóloga em Estética e Cosméticos, Lilian Rosana dos Santos Moraes, o método visa tratar dores crônicas e inflamações, sendo recomendado para tratar doenças como artrite, artrose, nervo ciático, bursite, tendinite, lúpus, esclerose múltipla, enxaqueca, depressão, AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou reumatismo.

Curiosamente, quando se fala desse tratamento é comum as pessoas associarem apenas ao veneno da picada da abelha, mas o método vai além com o uso do mel, da própolis, da geléia real e do pólen. “A picada é o tratamento menos utilizado”, esclarece Lilian, que complementa, “Além das propriedades nutritivas do Própolis e do mel, o própolis é utilizado como bactericida e o mel e a cera aquecidos podem ser aplicados em regiões para reduzir dores, como espasmos musculares. Em casos de fibromialgia, usamos o veneno de forma tópica, ou seja, em forma de pomada.”


(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

O VENENO E CONTRAINDICAÇÕES

No caso do veneno, existem dois componentes: a Melitina e a Apamina. O primeiro é duzentas vezes mais poderoso que um corticóide sintético, enquanto que o segundo inibe a destruição da Mielina, que é responsável pelas relações entre as células nervosas. A mágica acontece a partir das misturas de vários produtos e, consequentemente, na exploração sinérgica entre eles.

“A apiterapia tem como objetivo estimular o organismo a produzir substâncias de defesa para fortalecer o sistema imunológico, orientando-o a superar suas próprias barreiras de defesa, por meio de uma estimulação apropriada”, explica.

Apesar dos seus benefícios, é importante ressaltar que o tratamento possui seus riscos, seja para os grupos de risco ou não. Em março de 2018, uma paciente de uma clínica particular morreu por falência de órgãos, na Espanha. Ela recebeu o tratamento da apiterapia uma vez por mês durante dois anos. Em uma dessas sessões, ela sentiu falta de ar e desmaiou. A mulher não tinha histórico de outras doenças ou reações alérgicas.

“Não existe contraindicações para o uso do veneno, mas podemos citar grávidas, crianças, os alérgicos às substâncias das abelhas, pessoas debilitadas ou de idade avançada”, diz Lilian, que ressalta também que todos podem ser submetidos ao tratamento, desde que com o devido acompanhamento de um especialista para intervir em uma eventual crise alérgica e, principalmente, que estejam bem informados sobre os riscos do contato direto com o veneno do inseto.

***

Texto: Fernanda Palheta

Edição: Fabiana Batista

Arte: Vicente Crispino

(DOL)





Comentários

Destaques no DOL