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OLHOS PUXADOS

A música da moda atravessa continentes e chega até as boy-bands orientais

Quarta-Feira, 20/02/2019, 08:41:14 - Atualizado em 20/02/2019, 09:01:01 Ver comentário(s)

EDIÇÃO ELETRÔNICA

A música da moda atravessa continentes e chega até as boy-bands orientais (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)
O grupo k-pop VAV fez show em Belém e aproveitou para curtir nosso clima e nossa culinária (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

Com ingressos esgotados em Belém antes do show, os integrantes do VAV, grupo sul-coreano de música pop, estilo conhecido mundialmente como K-pop, surpreenderam-se com a quantidade de fãs em um lugar tão distante de seu país. Ziu, o “maknae” (mais jovem) do grupo, diz que todos ficam, a cada cidade brasileira, mais impressionados com o calor do público. E que essa energia tem sido usada para motivá-los a serem ainda melhores e voltar. A fila de fãs paraenses, por baixo de uma chuva torrencial, para assistir ao show no Teatro Gasômetro, no último domingo, claro, só colaborou ainda mais para isso.

“Ficamos impressionados também, durante o show, com os gritos (risos). Eram tão altos que a gente não conseguia ouvir a própria voz”, comentou St.Van, o líder do grupo, que ostentava com orgulho a voz rouca, graças a todo esse entusiasmo paraense. Muito animados, eles concederam entrevista ao Você na Estação das Docas e comentaram que, entre várias coisas, gostaram do clima da cidade, mais quente. St.Van e Lou, que dividem quarto durante as turnês, contaram ter gostado muito de poder dormir apenas com a janela aberta.

Lou também contou que se admirou muito da afetividade das pessoas. “Mesmo as pessoas que não nos conhecem, na rua, você passa, cruza o olhar e eles dão bom dia”, completou Ayno. Já para St.Van, vai ficar a saudade do estrogonofe paraense. “Nós amamos!”, declarou. Ziu citou também o ar puro, elogiou a orla da cidade, e Ayno completou dizendo que na Coreia, “infelizmente, por causa da poluição, o ar não é tão gostoso como o daqui”. Uma forma de retribuir as experiências vividas aqui - esta é a segunda turnê do VAV no Brasil - foi trabalhar uma canção com pegada mais latina nesta volta, o pop “Señorita”.

“Quando percebemos o carinho dos fãs brasileiros, isso foi o pontapé inicial. E como fazemos muita turnê, queríamos uma música que pudesse interagir mais com eles. Todo álbum, a gente tenta fazer um estilo diferente. Entre esses dois pontos, acabamos fazendo ‘Señorita’”, conta Ace. Durante a preparação para lançar a música em turnê, eles focaram muito em aprender vários tipos de dança latina - afinal, as coreografias muito bem ensaiadas são ponto crucial do sucesso do k-pop em todo o mundo. Os clipes de Anitta, inclusive, são grande inspiração, confessou Baron.

Após a turnê latina, o grupo volta para trabalhar em um novo álbum na Coreia do Sul. Eles explicam que o processo de criação de um álbum de K-pop é bem diferente do que ocorre com os artistas brasileiros, já que não costumam participar diretamente da criação da músicas ou do conceito do álbum. “Ele é feito pela equipe inteira da Ateam Entertainment (empresa a qual pertencem), mas eles ouvem muito da nossa opinião, isso é muito bom, e por isso, conseguimos trabalhar de forma mais descontraída”, afirma St.Van. 

A chegada do K-pop a tantos países, incluindo o Brasil, onde tornou-se uma verdadeira febre entre as adolescentes, pode estar nesse cuidado e profissionalismo como as empresas e artistas tratam suas carreiras. 

Baron conta que na Coreia tem programas musicais na TV todos os dias. “Quem trabalha nesse meio é muito antenado com as mudanças no mercado, na música. E justamente por ter tantas pessoas que acompanham essa mudança, conseguiu crescer mundialmente”, comenta. 

Anyo diz que seu grande sonho é estar em primeiro lugar nos programas de música da TV coreana. Lou conta que desde o ano passado, durante a primeira turnê no Brasil, o VAV figura entre os 10 mais ouvidos do K-pop no Spotify. Para fechar, St.Van diz que adoraria gravar com um artista brasileiro, uma música e até um álbum completo.

Rock chinês também desembarcou em Belém


Penicilin: show com referências roqueiras. Foto: Wagner Santana


Para quem é fã da música chinesa, também passou por Belém a banda de pop-rock Penicillin, atração principal no Festival da Primavera, organizado pelo Instituto Confúcio para celebrar o ano novo chinês, ocorrido ontem (19). A banda nascida nos anos 1990 reúne o melhor do rock romântico e da música pop. 

É uma das bandas mais admiradas pelos jovens na China. “Gostamos de fazer um rock mais suave, com amor, tanto que o último álbum se chama, traduzindo para o português ‘Abraçar o Mundo’”, comenta o vocalista, Zhe Xuan. Esta é a primeira vez que eles se apresentam no Brasil, com um show em São Paulo, antes de passar por Belém, ambos a convite do Instituto Confúcio. 

Zhe Xuan decidiu formar a banda quando frequentava a universidade. Da turnê na América Latina, diz que gostou muito de conhecer o samba brasileiro e o tango argentino. “São músicas muito diferentes”, afirmou. Para o show em Belém, a banda fez questão de tocar bandas que foram referências para eles, como Pink Floyd e Beatles, assim como arriscaram o rock mineiro do Skank.

(Lais Azevedo/Diario do Pará)






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