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‘Não houve negligência’, diz pai de paraense da base do Flamengo sobre tragédia no CT

Sábado, 09/02/2019, 09:14:17 - Atualizado em 09/02/2019, 10:01:10 Ver comentário(s)

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‘Não houve negligência’, diz pai de paraense da base do Flamengo sobre tragédia no CT (Foto: Reprodução)
CT do Flamengo que pegou fogo (esq.) e atleta paraense Arthur Uchoa (dir.). (Foto: Reprodução)

“Não houve negligência ou essa coisa da forma que estão querendo colocar de repente agora”. A afirmação é o Armando Uchoa, pai do paraense Arthur Uchoa, de 15 anos, atleta da base do Flamengo que perdeu amigos no incêndio no CT do clube, na última sexta-feira (8).

Arthur Uchua não morava no CT do Flamengo, mas segundo o pai, ele visitou o espaço e o clube sempre deu segurança e estrutura necessária para receber os atletas. “Infelizmente houve essa fatalidade, mas eu, como conhecedor da área, depois de visitar o local, não hesitaria em deixar o meu filho aos cuidados do Flamengo”, garante Armando.

IRREGULARIDADE

Após ser questionado quanto a segurança dos atletas, o pai do paraense também falou sobre a irregularidade de que a área onde ficava o alojamento das categorias de base do Flamengo tinha permissão da prefeitura para funcionar apenas como estacionamento.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, por determinação da Secretaria de Fazenda, a Prefeitura do Rio lacrou o CT do Flamengo em outubro de 2017. A decisão foi tomada após o clube ter sido multado 30 vezes por falta de alvará de funcionamento. No entanto, o clube decidiu reabrir o CT em 2017, mesmo depois de ter sido lacrado.

“Sobre a parte legal do negócio eu não sei, mas a questão da negligência, da falta de estrutura e condições, isso não é verdade. Como falei anteriormente, visitei o espaço com o meu filho e teria toda a segurança e tranquilidade de deixar ele à disposição d Flamengo”, afirma.

Segundo Armando, o filho só não estava no CT do Flamengo porque a família teve condições de proporcionar uma melhor estrutura. “Eu tive condições de preparar uma estrutura diferente para o meu filho. Minha irmã morava com ele, mas fiz amizade com uma outra família que já morava lá há muito tempo e acabei deixando meu filho com essa família. Como eu costumo visitá-lo a cada 15 dias, para nós era mais confortável que não fosse no CT do Flamengo”, explicou.

O clima é de tristeza. Arthur perdeu amigos na tragédia. “Domingo passado eu estava no Rio. Um dos atletas que veio a falecer esteve comigo no carro para ir ao jogo no Maracanã, dormiu no mesmo quarto que eu estava na casa. Na terça ele se apresentou no CT do Flamengo. É muito tristeza, um choque, todos estão muito abalados”, ressalta.

VÍTIMAS

Ao menos 10 pessoas, funcionários e jogadores das categorias de base do clube, morreram no incêndio. A ala mais velha do CT, que servia de alojamento, recebia jogadores de 14 a 17 anos. Segundo o vice-governador do Rio, Cláudio Castro, a principal suspeita é de que uma pane no aparelho de ar-condicionado do alojamento tenha causado o incêndio.

Em nota publicada na última sexta-feira (8), o Clube de Regatas do Flamengo informou que os atletas Cauan Emanuel e Francisco Dyogo estão em situação estável no Hospital Vitória, ambos acordados e conscientes. Os atletas apresentam algumas lesões de via aérea por inalação de fumaça e escoriações pelo corpo e seguem em observação, ficando internados na UTI ate hoje (9). O chefe do Departamento Médico do Flamengo, Dr. Márcio Tannure, e o clínico cardiologista do Vitória, responsável pela internação dos atletas, Dr. Fernando Bassan, acompanham a evolução do quadro.

Já o atleta Jhonata Ventura, o clube informou que ele está internado no hospital municipal Pedro II, em estado grave. Ele foi atingido na face, membros superiores e mãos, e tem queimaduras em 30% do corpo. Os médicos do Flamengo, Drs. Luiz Baldi e Gustavo Dutra, acompanham a situação de Jhonata, que está sob os cuidados da equipe especializada do Centro de Tratamentos de Queimados.

 

(DOL)





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