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Criação de comitê é vista como vitória para praticantes de religião de matriz africana

Quarta-Feira, 30/01/2019, 21:25:30 - Atualizado em 30/01/2019, 22:19:00 Ver comentário(s)

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Criação de comitê é vista como vitória para praticantes de religião de matriz africana (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
(Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Foi criado, nesta quarta-feira (30), o Comitê Permanente de Religião de Matriz Africana, cujo o objetivo será o de propor políticas que protejam e defendam a vida de pessoas ameaçadas por conta da intolerância religiosa no estado do Pará. O decreto, assinado pelo governador Helder Barbalho, foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial. 

O feito é enxergado como uma vitória e nada mais é do que o resultado das intensas lutas da comunidade formada por cidadãos paraenses e adeptos de religiões de matrizes africanas, que precisam lidar com o preconceito religioso de forma explícita.

“O período de 2016 a 2018 foi trágico para as comunidades a nível Pará, diante as mortes de sacerdotes assassinados dentro de seus templos, vítimas do racismo religioso. Até então, nós da comunidade não enxergávamos no Estado nenhuma ação ou política voltada para vetar essa violência”, disse em entrevista ao DOL o Sacerdote do Mansu Nangetu, Edgard Vasconcellos.

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Segundo o sacerdote, a luta começou a partir da formação de um grupo de atuação que questionasse a fundo as motivações daqueles crimes. Os trabalhos evoluíram, o que chamou a atenção das autoridades e resultou na criação do Comitê, agora formado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), a Polícia Militar, Polícia Civil, Sociedade Paraense da Defesa dos Direitos Humanos e Ordem dos Advogados do Brasil/Seção Pará.

Ainda na entrevista, o Sacerdote relembrou também quando teve o templo invadido, localizado no bairro do Marco, em junho de 2018. A mãe Mametu Nangetu foi agredida fisicamente e teve os pertences roubados e outros destruídos e, no fim, a violência permaneceu impune. “Não é só violência, é racismo religioso. A próxima luta é garantir um assento no Conselho de Segurança Pública”, concluiu o Sacerdote.

(Fernanda Palheta/DOL)



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