Entretenimento / Cultura

FOCO NO ENSINO

Após 22 anos, Glória Caputo volta à Superintendência da Fundação Carlos Gomes

Quarta-Feira, 16/01/2019, 08:38:02 - Atualizado em 16/01/2019, 08:41:48 Ver comentário(s)

EDIÇÃO ELETRÔNICA

Após 22 anos, Glória Caputo volta à Superintendência da Fundação Carlos Gomes (Foto: Fernando Araújo)
Glória Caputo diz que será um desafio reencontrar a instituição em um novo momento, muito maior em número de funcionários, alunos e projetos (Foto: Fernando Araújo)

Anunciada como nova superintendente da Fundação Carlos Gomes (FCG), a criadora da Fundação Amazônica de Música, professora Glória Caputo, tem sua própria história muito ligada à instituição. Nela entrou ainda aos seis anos de idade para seus primeiros passos na música e se aposentou, após ocupar também o cargo de diretora e de professora, em 2009. Sua indicação veio ainda acompanhada de grande aprovação do corpo docente e discente do Instituto Estadual Carlos Gomes (IECG), da Fundação e de artistas, que realizaram uma petição com mais de 200 assinaturas pedindo seu retorno ao governador.

"Por sua expertise, e unanimidade entre os músicos paraenses, (Glória Caputo) é merecedora desse reconhecimento público", colocam em sua carta de apoio, ainda disponível para assinaturas na internet.

O decreto com sua nomeação ao cargo foi publicado ontem, 15, no Diário Oficial do Estado; e ela já começa a debater com sua equipe as prioridades atuais da Instituição. Entre elas, como destaca em entrevista ao Você, a convocação de 60 professores aprovados no último concurso, de 2018, e, provavelmente, um novo concurso para suprir completamente a demanda, que chega a um déficit de 120 profissionais para atuarem na capital e no interior do Estado.

Como a Sra. recebe essa nomeação, esse novo desafio na sua carreira?

Realmente, eu não havia me programado para retornar. Eu achava que meu último  trabalho seria com o Vale Música, da Fundação Amazônica de Música. E para mim é uma emoção muito grande retornar após 22 anos. Na verdade, eu entrei na administração da Fundação em 1983 e saí em 1996, continuei como professora e aposentei em 2009. É uma emoção também encontrar a instituição em uma nova fase, muito maior, com muito mais funcionários, alunos, professores. A legislação também mudou bastante nesses anos todos, algo que preciso me atualizar, assim como a informatização de toda Fundação. Então, realmente é, não só um novo desafio, mas um novo aprendizado.

Vivendo um outro momento, diferente da sua gestão anterior, quais são as prioridades, desafios e metas da Instituição para os próximos anos?

A minha proposta é o foco maior para o trabalho da escola, o trabalho de ensino. Obviamente, há as limitações de verbas, logo, existe a busca por novos patrocínios como uma meta também. A nossa verba é para manutenção da casa atualmente, mas acho muito importante esse trabalho “extra-muro”, fora da instituição, pelo interior, pelas periferias. Um trabalho que já existe, mas a gente quer intensificar. Também existe a questão dos professores. Houve um concurso, mas não foram preenchidas ainda as vagas, eles não foram chamados. E ainda é um número insuficiente: disponibilizamos 90 vagas, apenas 60 foram aprovados e o nosso quadro precisa de 120. Então também precisamos ver a possibilidade de realizar novo concurso.

E como fica sua atuação na Fundação Amazônica de Música?

Agora eu saio da presidência, mas meu trabalho voluntário continua. Na verdade, meu trabalho lá sempre foi voluntário, eu não recebo por isso, mas como presidente sou ordenadora de despesas, então não posso continuar na função. Não posso ser ordenadora de despesas em duas instituições ao mesmo tempo. Quem assume a Fundação Amazônica é a atual diretora, Hilda Azulay.

TRABALHO EM EQUIPE FAZ A DIFERENÇA

Glória diz que aprendizados na Fundação Amazônica de Música e nos projetos de interiorização da FCG podem contribuirpara construir um novo momento produtivo para o ensino de música no Pará. Foto: Fernando Araújo.

 

E que balanço a Sra. faz do projeto após esses anos como Presidente?

O Vale Música é um projeto de muito sucesso, com resultado excelente. Isso é muito importante, sua continuidade, como nossos alunos de lá vem (para a Fundação Carlos Gomes) para o Bacharelado, vão para as licenciaturas também. A gente tem colocado muita gente no mercado também, na Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, na Banda dos Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro, através de concurso, outros estão no Exterior. A minha vinda para cá (para a FCG) vai ajudar nessa integração, que os alunos do Vale Música deem continuidade de formação no Carlos Gomes. Muitos já estão aqui.

O que teve da sua experiência no Carlos Gomes que foi levado para a Fundação Amazônica de Música; e que da sua experiência lá, será levado a essa nova gestão da Fundação Carlos Gomes?

Eu saí da direção da Fundação Carlos Gomes em 1996. Foi quando criei a Fundação Amazônica de Música. Nessa época, não existia o Vale Música no nosso projeto. O que a gente realizava era o Projeto Açaí, na sede da escola de samba Rancho Não-Posso Me Amofiná. Eu atendia a 200 alunos, moradores do entorno do Rancho, no Jurunas. Eu tinha pouco recurso e as crianças vinham andando. No Vale Música nós damos o vale transporte e elas vêm de toda a Grande Belém. Eu levei da FCG a experiência com a metodologia usada no ensino da música no interior, e que até hoje é utilizada no  Vale Música. Como os professores eram da própria região onde a gente (FCG) atuava, pessoas que sabiam tocar, mas sem formação, e trabalhavam com um grande número de alunos, um professor só para uma banda inteira. Então, aprendi muito com eles. E levei esse método do aprendizado com flauta doce, que era um instrumento relativamente barato e podíamos atender um número muito maior de crianças. A gente fazia a musicalização assim, e dali tiramos os que tinham mais talento e queriam a profissionalização para aprender os demais instrumentos de banda.

Tem muita diferença entre ser a presidente da Fundação Amazônica e ser a superintendente da Carlos Gomes, não?

Tem essa diferença entre os dois trabalhos. Aqui no Conservatório entram as crianças que já querem seguir na música, um trabalho de formação mesmo. No Vale Música, estamos principalmente dedicados à socialização pela música e que, em alguns casos, evoluem para a profissão. Da minha experiência com o Vale Música, tenho algumas ideias para trazer para cá, mas o trabalho aqui é maior, em equipe, preciso debater com eles antes, isso é essencial para que qualquer ideia funcione.

O que pensa sobre a vontade da Secult em trabalhar uma gestão integrada, com agendas compartilhadas entre a FCG, Fundação Cultural do Pará e Secult?

A nossa instituição é de ensino, mas o nosso produto é a Cultura. E aí, nós estamos próximos da atuação da Secretaria de Cultura. Acho importantíssimo nossas ações na área cultural serem em conjunto. É algo que, com certeza, vamos discutir e trabalhar para que aconteça da melhor forma possível

E o que pensa da relação da FCG com outras instituições, como as universidades?

Quando você tem o denominador do ensino da música, tem que discutir com outras instituições de ensino. E ver o que os outros estão fazendo, o que está dando certo lá fora. E até buscar a parceria, o apoio. A nossa escola é técnica, diferente da licenciatura, que é proposta de ensino nas escolas. O bacharelado, que oferecemos, mesmo muito teórico, visa o aperfeiçoamento do profissional ao tocar. Mas esse debate é importante.

Programações como o Festival Internacional de Música do Pará (Fimupa) e o Festival Música das Américas continuam? Passam por modificações?

Todas essas ações estão ligadas à questão financeira. Você não faz festival sem verba. Agora, o Festival Internacional de Música começou em 1988 (hoje em sua 31ª edição), eu estava aqui quando ele começou. E as outras gestões continuaram com ele até hoje, o que é muito bom. Então, claro que, um festival que eu criei, não vou querer que pare. Eu posso ver a necessidade de realização em um formato menor, de acordo com a disponibilidade financeira que ainda vamos avaliar - o que não quer dizer um festival com menos qualidade. O Festival das Américas eu não conheço profundamente, então, deve ser ainda avaliado e debatido mais com a minha equipe de trabalho.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)





Comentários

Destaques no DOL