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CAOS NA EDUCAÇÃO

Material escolar apodrece em depósito da Seduc

Sexta-Feira, 11/01/2019, 07:18:27 - Atualizado em 11/01/2019, 07:18:27 Ver comentário(s)

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Material escolar apodrece em depósito da Seduc (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)
Carteiras escolares amontoadas e sem condições de uso. (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)

O Governador do Pará, Helder Barbalho, visitou na manhã de ontem a sede da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e o depósito de suprimentos que abastece as escolas da rede estadual de ensino, como parte do levantamento e diagnóstico da situação na qual se encontram as instituições essenciais para o funcionamento da máquina pública. 

O cenário constatado por Helder foi de péssimo aproveitamento dos recursos públicos por parte da gestão anterior, comprometendo seriamente o avanço da educação básica.

“É lamentável. Exatamente por esse tipo de má gestão que os resultados da educação no estado do Pará são dramáticos e nos colocam como um dos piores Idebs (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Brasil”, declarou.

Ao caminhar pelo interior do depósito que abastece as escolas com materiais de toda procedência, o governador se deparou com equipamentos caros desgastados pelo tempo e sem uso.

“É inaceitável que carteiras, computadores, materiais que poderiam estar sendo utilizados em sala de aula, seja na estrutura gerencial da Secretaria de Educação, estejam se deteriorando e estragando com o tempo”, criticou.


Cerca de 7 mil livros didáticos estavam abandonados em um galpão. (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará) 

DESCASO

Um levantamento feito pelo quadro técnico da Seduc contabilizou 7.145 livros didáticos empoeirados em pilhas. Parte deles datam do ano de 2004, ou seja, estavam jogados no depósito há 15 anos sem qualquer utilização.

Além dos livros, foram encontradas 200 toneladas de alimentos com prazo de validade vencido, 2.868 extintores de incêndio adquiridos em 2015 e vencidos no primeiro trimestre de 2016, milhares de carteiras, mesas, televisores, computadores e um farto material que poderia ser usado para diminuir o déficit educacional que coloca o Pará entre os piores estados em qualidade de ensino.

“São milhares de livros que poderiam estar em bibliotecas públicas, centros comunitários para leitura, escolas públicas ou conveniadas; alimentos que poderiam estar matando a fome de gente se estragando, o que demonstra claramente um conjunto de fatores que representam o cenário lamentável que nós estamos recebendo a educação pública no estado do Pará”, reiterou Helder.

Condicionadores de ar, eletrônicos e móveis deteriorados. (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)

SOLUÇÕES

O governador garantiu que não medirá esforços para solucionar o problema herdado sem comprometer o calendário escolar. “Aquilo que estiver em condição de uso, imediatamente nós estaremos mudando a condição do acondicionamento e colocando para as escolas. Na volta às aulas os nossos alunos terão esse material didático à disposição”, assegurou. 

A secretária de Educação, Leila Freire, esteve junto ao governador Helder Barbalho durante a visita à sede do órgão e no depósito de suprimentos. Depois de conferir a situação, a titular da pasta disse já ter medidas a serem tomadas nos próximos dias, sobretudo para diagnosticar os setores mais necessitados.

“Nós estamos com um plano para os 100 primeiros dias de trabalho, onde faremos o levantamento do laudo situacional das escolas, para que a gente tenha certeza por onde iniciar e quais são as prioridades. A partir daí teremos o plano em médio e longo prazo, colocando prioridades e emergências”, explica a secretária, que agora se debruça, com o apoio de outras esferas, na reorganização do ensino e sua capacidade de fomentar o senso crítico entre os estudantes.

(Luiz Guilherme Ramos/Diário do Pará)





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