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História: saiba mais sobre o processo da Proclamação da República

Quinta-Feira, 15/11/2018, 07:42:14 - Atualizado em 15/11/2018, 08:27:23 Ver comentário(s)

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História: saiba mais sobre o processo da Proclamação da República (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)
Historiador lembra os momentos mais importantes e os impactos em Belém, como a troca de nomes de várias ruas da cidade. (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)

No dia 15 de novembro celebra-se a Proclamação da República no Brasil, momento importante da história, quando o país mudou do regime monárquico para um governo republicano, em 1889. A transição, claro, não se deu em apenas um dia e o simbolismo da data refere-se à uma dinâmica de fatos que precederam a proclamação. Na memória comum está a imagem de Marechal Deodoro da Fonseca em cavalo anunciando o novo governo, há 129 anos.

E foi ele mesmo, um monarca, o primeiro presidente do país, após um levante político-militar, que inaugurou a República Federativa Presidencialista, em um governo provisório (1889-1891). Segundo o professor doutor Aldrin Figueiredo, àquela época, final do século 19, havia uma forte conjuntura para a mudança governamental e os que já tinham poder econômico, mas não podiam governar, queriam poder político e também participar das decisões do rumo do país concentradas nas mãos do monarca Dom Pedro II.


 Marechal Deodoro da Fonseca (Foto: Reprodução)

A nova forma de governo foi instituída como um golpe de estado, encabeçada por militares, líderes da Igreja Católica e grandes latifundiários. Os mais pobres não participaram desse processo e as mudanças no regime político não os favoreceria. Deposto, ficou para trás a fase conhecida como Brasil Imperial e Dom Pedro II foi para a Europa, onde morreu pouco tempo depois, em 1891, em Paris.

"O imperador centralizava o poder, sobretudo no Rio de Janeiro. Os governantes eram nomeados pelo imperador e não votados. Então, as elites locais não tinham tanto poder decisório. E em São Paulo, por exemplo, os fazendeiros já estavam voltados para a ideia republicana, com a transformação da base econômica, a vinda dos imigrantes e a escravidão enfraquecendo, que foi um dos pilares do império brasileiro", explica o doutor.


Belém do Pará (Foto: JP/Arquivo)

O movimento da implantação da república também se deu no plano simbólico, com a instituição de medidas que pudessem envolver o povo numa ideia de pátria e de nação. Muitos nomes de rua foram mudados, por exemplo. Em Belém, existem várias personas desse período que nomeiam vias, sobretudo no bairro do Reduto, como Rui Barbosa, Aristides Lobo, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Almirante Wandenkolk, todos membros gestores da república e também eram da Maçonaria. A filosofia positivista, inspirada em August Comte, veio com outros símbolos, como a bandeira nacional e a frase "Ordem e progresso".

"O povo mesmo era muito ligado à história do imperador. Então, os símbolos da família imperial foram queimados. A república foi um golpe militar e um movimento de elites, e para mudar a opinião do povo, que era fiel ao imperador, passaram a instituir os valores da república. Mudaram nomes das ruas. Lá no Ver-o -Peso, a antiga rua do Imperador, passou a ser Boulevard da República, hoje é a Boulevard Castilhos França. A rua da Imperatriz passou a ser a 15 de novembro".

Aldrin frisa ainda que a instauração da república manteve uma estrutura de poder que é refletida até hoje na divisão de classes. "Não há transformação, a pirâmide social não muda".

(Dominik Giusti/Diário do Pará)



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