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VIOLÊNCIA SEM FIM

Um paraense é assassinado a cada duas horas e meia

Domingo, 16/09/2018, 07:35:34 - Atualizado em 16/09/2018, 07:35:34 Ver comentário(s)

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Um paraense é assassinado a cada duas horas e meia (Foto: Wagner Almeida)
Niveis alarmantes de violência mostram que o Governo do Estado não consegue conter a criminalidade (Foto: Wagner Almeida)

De acordo com dados da própria Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), entre janeiro e agosto deste ano já foram assassinadas 2.477 pessoas em todo o Pará, o que significa uma média de 10 mortes por dia só neste período de 2018, ou em torno de uma morte a cada 
duas horas e meia. 

Coloque-se nessa conta aí o alarmante registro de 38 policiais militares também mortos nesses oito meses, e não necessariamente em serviço, o que mostra que qualquer ação de prevenção da violência adotada pelo Governo do Estado não tem protegido nem os civis 
e nem os militares

No Atlas da Violência mais recente, publicado este ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Estado do Pará compõe o sangrento cenário das regiões Norte e Nordeste abrangendo as sete UFs mais violentas de todo o Brasil, em um ranking em que só está atrás de Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte. Só o número de assassinatos cometidos contra jovens variou entre 15% e 17%, entre 2006 e 2016.

POLICIAMENTO

"Se aumentar o policiamento parece ser solução é porque a prevenção falhou”, afirma o advogado criminalista, sociólogo e estudioso da segurança pública, Henrique Saúma. Ele atenta para o fato de que polícia é um “braço armado” do Estado e não tem como dar conta sozinha da questão da segurança. “Município não é polícia, mas pode atuar na prevenção. Aquela mesma câmera da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob), por exemplo, pode entrar nas áreas vulneráveis e compartilhar imagens com a inteligência. Não adianta vir com aquelas operações policiais pirotécnicas que duram um, dois dias, tipo ‘saturação’”, afirma. 

“O resultado é essa ‘fobópole’ que habitamos, uma cidade dominada pelo medo”, avalia o sociólogo. É preciso, no entendimento de Henrique, ter uma rede de proteção social enquanto a polícia faz o papel ostensivo. “Nas áreas dominadas pelo tráfico, é o traficante quem desempenha o papel de coesão social. Como o morador desse ambiente pode se comportar de acordo com a lei se a pessoa não identifica o Estado onde vive? Pode vir a Força Nacional passar seis meses, diminuir o número de crimes que, quando for embora, volta tudo, porque o dever de casa não 
foi feito”, aponta.

(Diário do Pará)





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