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ABANDONO

Trabalhador sofre muito no Porto do Açaí

Sexta-Feira, 10/08/2018, 07:38:53 - Atualizado em 10/08/2018, 07:38:53 Ver comentário(s)

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Trabalhador sofre muito no Porto do Açaí (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)
O trapiche do porto está cheio de armadilhas pelo caminho. Há várias tábuas soltas e madeiras que podem ceder a qualquer momento (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

Prestes a completar dois anos de atraso, as obras de requalificação do Porto do Açaí, no bairro do Jurunas, em Belém, seguem lentas e sem previsão de término. O local segue com problemas de estrutura precária que causam tumulto em horários de pico e, inclusive, põem em risco a vida de trabalhadores e clientes.

Prevista para ser entregue em novembro de 2016, a reforma iniciou em novembro de 2015 com um orçamento de R$ 4 milhões. De lá para cá, o empreendimento só causou prejuízo ao reduzir o espaço de embarque e desembarque. “Está abandonado”, dispara o carregador Carlos Freitas, 59, que trabalha no porto desde os 12 anos. “Esse trapiche está todo quebrado, a madeira solta, apodrecida. Ele já até desabou”, denuncia.

Segundo Freitas, são os próprios trabalhadores que fazem coleta e compram madeira para fazer reparos na ponte. “Já foi muito melhor, tinha espaço coberto. Agora é tudo apertado, os barcos ficam amontoados. Embarque e desembarque misturado. Uma bagunça”.

(Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

Outro carregador, Aluísio Correa, 60, já presenciou acidentes no trapiche devido à madeira envelhecida e de baixa qualidade. “Já tive um colega que quebrou a perna porque pisou em uma tábua podre e caiu pelo vão”, conta. Há alguns meses, ele também viu a parte de baixo do trapiche ceder com o peso das pessoas, que caíram na lama. “Está tudo podre, por isso acontece. É madeira fraca que não dá conta e passa muita gente por aqui todos os dias”, relata.

A vendedora Carol Silva, 23, que mora na Ilha do Maracujá e usa o Porto quando tem compromisso em Belém também reclama das condições do local. “Tem de melhorar, dia de sábado isso aqui é uma confusão”, reclama.

MALABARISMO

Ela se queixa da falta de estrutura adequada para o aporte dos barcos, uma vez que quando o rio está cheio, não é possível acessar a parte de baixo do trapiche para embarcar e ela é obrigada a pular de barco em barco para chegar ao que a leva de volta para casa. “Essa ponte também é muito arriscada, balança quando a gente anda, tem ripa solta. Já vi várias pessoas caírem”, conta.

(Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

Complexo do Jurunas também pede socorro

A poucos metros do Porto, outro importante ponto comercial do bairro também enfrenta problemas de infraestrutura, que apesar de denunciados várias vezes por populares e pela imprensa através dos anos nunca foram resolvidos. O Complexo do Jurunas é completo. Tem barracas de peixes e carne, de frango, legumes e frutas e até mesmo restaurantes e bares. As condições em que esses comerciantes são obrigados a trabalhar, no entanto, são mínimas.

O telhado é cheio de buracos e defeitos, o que causa alagamentos em períodos de chuva e põe a mercadoria dos feirantes em risco. Além disso, a própria estrutura da cobertura apresenta pontos fracos, já enferrujados e corroídos, ameaçando desabar a qualquer momento. “Abandonada, é como está essa feira. Aqui já vieram mais de 100 repórteres, mas não dá jeito. Ninguém faz nada”, reclama Moisés Vilhena, 32, morador do bairro e usuário do complexo.

“Eu sinceramente não sei como os Bombeiros ainda não interditaram isso aqui. Tem parte que está podre, a ponto de cair na cabeça da gente”, denuncia. Outros problemas citados pelo morador são a desorganização das barracas, a sujeira e o telhado danificado que permite a invasão da água da chuva.

(Arthur Medeiros/Diário do Pará)



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