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APÓS 2 ANOS

Bar do Parque volta a funcionar na sexta-feira

Quarta-Feira, 08/08/2018, 07:51:45 - Atualizado em 08/08/2018, 07:55:59 Ver comentário(s)

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Bar do Parque volta a funcionar na sexta-feira (Foto: Octavio Cardoso/Diário do Pará)
Ponto turístico reabre até sexta-feira (10) com proposta de ser café e lanchonete, mas sem perder a boemia (Foto: Octavio Cardoso/Diário do Pará)

Fechado há dois anos para reformas, o Bar do Parque será reaberto até esta sexta-feira, 10. Seguindo o que estava determinado no edital de licitação que elegeu novos permissionários para administrá-lo, o espaço passa a funcionar de terça a domingo, das 7h às 2h, podendo se estender um pouco mais aos finais de semana.

O ambiente foi totalmente reformado, começando pelo quiosque. A construção em estilo art nouveau é a única que restou entre os muitos quiosques que foram encomendados e contratados pelo então intendente Antônio Lemos ao engenheiro Francisco Bolonha, no período da Belle Époque amazônica.

Como bem lembra Tito Barata em “Bar do Parque”, livro fotográfico de Bruno Pellerin, esses quiosques construídos a partir de 1904, em pequenas estruturas de madeira e ferro nos pontos centrais da cidade, foram explorados por particulares, com concessões de até 20 anos, onde se podiam vender cafés, charutos, livros, bebidas, cigarros, bilhetes de loteria, ingressos de teatro, entre outros. Iniciando o novo momento de sua história e já consagrado símbolo da boemia belenense, o Bar do Parque também traz suas novidades a serem ofertadas ao público – o novo e o cativo.

No cardápio estão disponíveis vinhos, drinques tradicionais e outros com insumos locais, como o cumaru e o jambu, além de cervejas long necks e chopps. Os permissionários também já manifestaram a vontade de elaborar uma cerveja regional da casa para o futuro. Para acompanhar, trazem petiscos com ingredientes regionais, assim como pratos tradicionais previstos no edital de licitação, como vatapá e maniçoba. Das 7h às 10h, o quiosque passa a oferecer um menu completo de café da manhã.

Conhecido ponto turístico, algumas medidas também foram tomadas para tornar o atendimento acessível aos visitantes, como cardápios com tradução para o inglês e o espanhol, e dois atendentes bilíngues.

Os funcionários vêm sendo treinados há algumas semanas, entre eles, os garçons Walter Menezes e Raymundo Barros (Ray), que há 30 anos trabalham no local. Além disso, muitos jovens passam a integrar a extensa equipe de funcionários do Bar do Parque, como registrou o fotógrafo Bruno Pellerin recentemente.

Mudanças

Entre as muitas causas de polêmica após o fechamento do espaço para reforma, esteve a questão estrutural e algumas propostas iniciais foram abandonadas, como a cobertura feita de fibra de vidro na área das mesas. Do que já se tinha ideia e permaneceu, está a mudança dos tradicionais conjuntos de ferro por mesas e cadeiras mais modernas, com sombreiros.

Ao lado, um deck de madeira que deve receber mais cadeiras ou mesmo atrações culturais em breve. “A agenda cultural será viabilizada ao público somente depois de alinhar a logística da cozinhaquanto ao atendimento”, explica Fauzy Gorayeb, um dos novos permissionários.

A reforma e revitalização teriam custado em torno de R$ 750 mil, envolvendo a adequação do sistema elétrico, hidráulico e sanitário do bar em si e dos banheiros feminino, masculino e o vestiário dos funcionários, no subsolo.

O Bar do Parque é o único ambiente fechado desde que, em dezembro de 2015, toda a Praça da República entrou em reforma. Fauzy diz a expectativa para a reabertura é a melhor possível, “pois o espaço ficou em um ostracismo grande, parado, inviabilizado para os antigos frequentadores e os que não iam por conta da hostilidade do local causada por motivos como a falta de higiene, de segurança e de condições mínimas de funcionamento”.


(Foto: Octavio Cardoso/Diário do Pará)

Remodelagem foi embargada

Além da demora em reabrir o Bar do Parque – que deixou seus funcionários sem receber o salário corretamente por mais de um ano –, a mudança de permissionários não foi tranquila. Diante do anúncio de um pregão presencial em outubro do ano passado para o aluguel do espaço, a família Pinto, que o gerenciava desde 1963, reclamou que não foi informada pela Prefeitura de Belém da ruptura de contrato. O edital de licitação também causou preocupações em seus tradicionais frequentadores por exigir mudanças no ambiente do bar, que passa a ser considerado como lanchonete e café.

A Prefeitura apoiou sua decisão de rever a permissão de uso do local pela família Pinto baseada em uma vistoria da Vigilância Sanitária, que teria encontrado o bar “na mais absoluta e completa desordem do ponto de vista sanitário, colocando em risco a vida das pessoas”, conforme informou em nota na ocasião. Abaixo-assinado, protestos e reclamações nas redes sociais por parte de artistas, intelectuais e frequentadores antigos do Bar do Parque não fizeram voltar atrás o que ficou decidido no pregão, e uma dupla de empresários, que já tinha uma barbearia na cidade, passou a alugar o local.

Uma nova polêmica veio com a circulação na internet de uma imagem do projeto arquitetônico de remodelagem do espaço, elaborado pelo arquiteto Helder Coelho. Enquanto alguns comentavam que o local precisava passar por mudanças que o tornassem mais higiênico e bonito, outros afirmaram que o ambiente popular e boêmio estava transformando-se em uma nova Estação das Docas, “feito para turista”.

O projeto foi embargado pelo Departamento Histórico, Artístico e Cultural, da Secretaria de Cultura do Estado (DPHAC/Secult), precisou se readequar, fazendo então a transição da cobertura de fibra de vidro para os sombreiros junto ao novo conjunto de mesas e cadeiras.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)



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