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SEM TRABALHO

A rotina de quem enfrenta a fila em busca de um emprego já de madrugada

Domingo, 15/07/2018, 07:34:41 - Atualizado em 15/07/2018, 07:38:35 Ver comentário(s)

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A rotina de quem enfrenta a fila em busca de um emprego já de madrugada (Foto: Irene Almeida/Diário do Pará)
Próximo da Casa do Trabalhador, fila também para se dar entrada no seguro desemprego (Foto: Irene Almeida/Diário do Pará)

Durante três anos, José Augusto Rayol, 45 anos, manteve o sustento da família a partir do trabalho desenvolvido como pintor na obra de construção de uma balsa naval. O serviço foi concluído há cerca de 90 dias quando, enfim, ele e seus companheiros puderam contemplar o fruto de seus trabalhos. Ao mesmo tempo, porém, José Augusto viu encerrar o seu serviço. Agora, resta se juntar a outros trabalhadores na fila para dar entrada no seguro desemprego.

Enquanto Belém ainda amanhecia lenta e tranquila, na quarta-feira (11), José Augusto já se encontrava sentado sobre o capacete colocado na calçada da avenida Assis de Vasconcelos. A improvisação servia para dar maiores condições de aguardar, desde as 5h, na fila que se formava em direção à Casa do Trabalhador. Como em muitos momentos ao longo da vida, José Augusto seguia a tarefa acompanhado pela esposa Raquel Moraes, 39 anos. “Saímos de casa 4h30 para conseguirmos chegar cedo. Mas já tinham quatro pessoas na nossa frente”.

José Augusto e Raquel moram no distrito de Icoaraci, distante do bairro da Campina, onde precisariam entregar os documentos para requerer o benefício que garantirá a subsistência da família pelos próximos meses. “Com o seguro a gente vai poder aguentar para conseguir correr atrás de outra coisa”, planejava José Augusto.

José Augusto e Raquel buscam uma recolocação no mercado de trabalho (Foto: Irene Almeida/Diário do Pará)

BUSCA

As dificuldades de recolocação no mercado de trabalho não atingiram apenas José Augusto. Além dele, a esposa e o filho do casal também buscam por emprego. Raquel conta que a situação é ainda mais complicada para o filho, hoje com 20 anos, já que espera por uma oportunidade para o primeiro emprego. “Ele era jovem aprendiz em uma empresa, mas quando o contrato acabou ele ainda não tinha idade suficiente para ser efetivado”, lembra. “Ele já está há dois anos a procura de emprego, mas não dão chance porque cobram experiência”, diz.

Mais atrás na fila, o jovem Luiz Fernando, 28, também espera por uma oportunidade. A experiência ele já até acumulou, mas a situação de crise fez com que ele saísse do emprego oito meses após ter começado, em uma rede de supermercados. “Eu tenho um filho de 11 anos. Quando acontece algo assim a gente só pensa em conseguir outro emprego”, afirma.

Após concluir o ensino médio, Fernando não deixou de se qualificar. Sempre buscou cursos profissionalizantes que pudessem lhe garantir crescimento profissional. Sem emprego, porém, ele não titubeia em considerar que não escolhe trabalho. “Eu quero trabalhar e depois, se possível, conseguir crescer dentro da empresa. Não está dando para escolher muito”.

Enquanto Augusto, Raquel e Fernando seguiam a espera de atendimento, a rotina da cidade ia, aos poucos, se agitando. Os carros passavam a ser mais frequentes nas ruas, o céu foi iluminado de alaranjado pelo sol e os pedestres se misturaram na calçada ao ponto da fila quase passar despercebida.

(Cintia Magno/Diário do Pará)





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