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SOLIDARIEDADE

Adoção oferece lar de amor e carinho para animais vítimas de maus-tratos

Segunda-Feira, 09/04/2018, 08:42:38 - Atualizado em 09/04/2018, 08:42:38 Ver comentário(s)

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Adoção oferece lar de amor e carinho para animais vítimas de maus-tratos (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)
Mariana Grello e sua mãe, Ana Paula, acolheram a cachorra há 3 anos. (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)

Muitas vezes, a história inicia da mesma maneira. O animal encontrado em situação de risco pelas ruas é acolhido em casa para passar uma temporada, até que se recupere e possa ser encaminhado para uma família que possa recebê-lo definitivamente. Antes que os tutores percebam, porém, o carinho que se estabelece faz com que o temporário se torne permanente. 

Independentemente da forma como esse laço começa a ser construído, quando se conhece histórias de resgate de animais abandonados, o vínculo de amor estabelecido é evidenciado. A administradora Mariana Grello, 24 anos, não tem dúvidas de que foi o amor despertado pela cachorrinha encontrada na rua que fez com que a ‘Pirentinha’ se tornasse um membro da sua família. 

Mariana conta que encontrou a cachorra próximo ao seu local de trabalho, em Marituba. Durante algum tempo, a relação entre as duas se resumia a carinhos e ao oferecimento de comida.

A mudança pode ser concretizada quando a administradora percebeu que a cachorra havia se machucado. “Na época eu tentei levar ela para casa, mas ela nunca queria entrar no carro”, lembra Mariana. “Mas quando ela machucou a orelha em um portão, eu passei a cuidar dela, mas ela não parava de sangrar”.

RESGATE

Foi então que Mariana convenceu a sua mãe a acompanhá-la para buscar a cachorra e levá-la para casa. Desta vez, o animal decidiu seguir com a família. Recebeu os primeiros socorros e foi abrigada no apartamento que era para ser o seu lar temporário. “Já tínhamos uma cachorra em casa. Então, o objetivo era doá-la para adoção depois que ela se recuperasse”, conta. 

“Mas acabamos nos apaixonando e, como se deu bem com a cachorrinha que já tínhamos, ela ficou.” A adoção se concretizou quando a cachorra tinha 7 meses de vida. Hoje, já com quatro anos, a interação de ‘Pirentinha’ com a família deixa claro o sucesso da adoção. “É uma parceira para todas as horas. É um amor tão completo!”

Se no início precisou ser convencida a seguir para Marituba para resgatar o animal, hoje a mãe de Mariana e analista de sistemas, Ana Paula Grello, 51, é só amores pela ‘Pirentinha’. Ela conta que o receio inicial se deu pela consciência da responsabilidade que é adotar um animal.

“Criar um animal dá despesa, dá muito trabalho. Então, a pessoa tem de estar muito ciente do que está fazendo. Tem de saber que vai poder assumir isso por um longo tempo”, considerou. “Mas é o amor que define tudo isso”. Como moram em apartamento, mãe e filha contam que não têm espaço para acolher outros animais de forma definitiva. Ainda assim, depois da primeira experiência vivenciada com a ‘Pirentinha’, elas passaram a resgatar outros animais em situação de rua e, posteriormente, encontraram outros lares para eles.

“Nós resgatamos um cachorro uma vez que, de tão magro, andava curvo. Hoje você não diz que é o mesmo cachorro. Um pouco de cuidado e carinho muda tudo”, conta Ana Paula, ao explicar que o cão foi adotado por um amigo.

 

Olavo Martins cuida de "Vitória" após ela ser arrastada por mulher em bicicleta elétrica. (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)

CACHORRA QUE FOI ARRASTADA EM RUA ENCONTROU UM LAR

Em casos mais extremos, a falta de comida não é a única situação de maus-tratos na história de vida de animais resgatados. Em março de 2017, um vídeo que circulou pela internet mostrava uma cachorra sendo arrastada pelo asfalto por uma mulher, que dirigia uma bicicleta elétrica, no Tapanã, em Belém. 

O animal foi resgatado pelo Projeto Peludinhos, realizado dentro da Universidade Federal do Pará (UFPA). Foi nesse momento que a vida da cachorra ‘Vitória’ se cruzou com a do empresário Olavo Martins, 24 anos.

Olavo conta que já conhecia o projeto porque já havia adotado um dos animais mantidos pelo ‘Peludinhos’. Quando houve o caso da ‘Vitória’, o projeto entrou em contato com ele para perguntar se não gostaria de dar um lar temporário para a cachorra vítima de maus-tratos. 

Mesmo já tendo três cachorros resgatados em casa, Olavo aceitou e ‘Vitória’ chegou à sua casa como uma grande surpresa de aniversário para a mãe do jovem. “No primeiro momento seria um lar temporário, mas o sentimento bateu e não teve jeito, ela teve de ficar”.

Olavo e sua mãe já tinham tomado conhecimento do vídeo e ficaram emocionados de poder ajudar um animal que havia sofrido tanto. Recuperada e muito agitada, ‘Vitória’ é a prova da transformação que um ato de amor pode causar. “A experiência que eu tenho com animais adotados é sempre de renovação. Eu e a minha mãe sentimos dificuldade de ver um caso desses e não ajudar.”

Nathália Proença já adotou vários gatos. (Foto: divulgação)

JORNALISTA ADOTOU 6 GATOS

A acolhida da jornalista Nathália Proença, 31, a animais que viviam nas ruas se deu por acaso. Ela lembra que a 1ª gata adotada por ela, a ‘Ivete’, surgiu em sua vida ao aparecer dentro do motor de seu carro. “Eu a levei para casa e todo mundo se apegou a ela”, lembra. “A partir daí, eu passei a resgatar outros gatos pensando em doá-los. Mas eles acabavam ficando”.

Nathália já possui seis gatos adotados. Para ela, a gratidão mantida por eles não têm comparação. “O animal, quando é adotado, é muito mais carinhoso e grato. Eles são sinônimo de amor para mim.”

(Cintia Magno/Diário do Pará)





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