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Zenaldo não conclui obras de UPAs

Quarta-Feira, 14/03/2018, 08:29:44 - Atualizado em 14/03/2018, 08:29:44 Ver comentário(s) A- A+

Zenaldo não conclui obras de UPAs (Foto: Alberto Bitar/Diário do Pará)
Sem a UPA da Marambaia, os moradores procuram outros postos de saúde. (Foto: Alberto Bitar/Diário do Pará)

Seguem paradas as obras das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) dos bairros do Jurunas e da Marambaia, em Belém. As construções começaram em 2014 e se estenderam até 2016. Dois anos depois, os trabalhos estagnaram totalmente. Enquanto isso, a população sofre sem atendimento médico básico. Segundo o Portal da Transparência, essas obras custaram cerca de R$ 10 milhões.

Situada na travessa Bom Jardim com a rua Quintino Bocaiuva, o espaço onde deveria ser a UPA do Jurunas está abandonado. Por dentro, a área é ampla e possui alguns compartimentos com forro e piso. São cômodos que já foram pintados e boa parte deles tem acabamento com fiações elétricas. Algumas delas já foram até furtadas, segundo relatos dos moradores.

Segundo o vigilante Edilson da Silva, 40, a empresa responsável pelas obras não recebe verba da Prefeitura de Belém para continuar com os serviços. Por isso, ele e os outros dois seguranças que protegem o patrimônio devem ser dispensados em breve. “O patrão disse para a gente ficar só até quarta”, revela.

Na parte externa da construção, é possível ver a área da frente ocupada por pessoas. Até churrasqueira havia por lá. O vigilante disse, porém, que a utilização desse espaço era temporária.

CAPACIDADE

De acordo com a Prefeitura, a UPA do bairro do Jurunas teria capacidade de atender até 400 mil pessoas por mês. Contudo, sem a conclusão da obra, as pessoas que moram nas proximidades se sacrificam para conseguir atendimento médico em outro lugar.

É o caso de Dina Sousa, 68, que depende da rede pública de saúde. Ela conta que recebe um benefício social, mas que não tem dinheiro para pagar por consultas ou exames nos centros de saúde particulares. “Tem de madrugar para conseguir uma senha para as consultas nos prontos-socorros. Quando a gente consegue, leva um bom tempo para chegar o dia da consulta e ainda tem de esperar pra fazer os exames”.


Já a UPA do Jurunas não deverá mais ter vigilante no local. (Foto: ALberto Bitar/Diário do Pará)

POPULAÇÃO SE VIRA PARA TER ATENDIMENTO

Uma mulher que não quis se identificar contou que tem um filho de apenas dois meses de vida. Ela levou o bebê para uma consulta médica na UBS da Marambaia, popularmente conhecida como “Cento e Quatro”, mas não havia pediatra na unidade. Segundo ela, no local não havia nem água para fazer higienização das mãos. “Minha irmã e eu temos filhos pequenos e a gente vez por outra está no posto para fazer vacinação. Quando ele adoeceu, a gente saiu do Cento e Quatro para ir lá para a UPA da Cidade Nova”, revela a moradora da rua Maravalho Belo, no bairro da Marambaia.

A doméstica Maria de Nazaré Amaral, 52, mora nessa rua há 45 anos e diz que acreditava que seria uma das beneficiadas com a construção de uma UPA em frente à sua casa. “Ninguém faz nada pela gente. O que a gente vê é que é muito dinheiro nosso gasto, sem retorno para quem precisa”, desabafa.

Quatro anos após o início das obras, a moradora lamenta que só as placas de prazo de conclusão tenham mudado. A atual situação da unidade é de obra totalmente parada. Há material empilhado e muita coisa por fazer. No interior da construção, há dois pavimentos. O espaço é imenso e não há ninguém para vigiar o patrimônio público.

EXPLICAÇÕES

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que as obras estão em ritmo reduzido.

Ainda segundo a Sesma, em alguns momentos os prazos de entrega precisaram ser modificados por questões orçamentárias.

Mesmo com as obras paradas, a Secretaria também informa que os mobiliários e equipamentos já estão sendo providenciados e a previsão de entrega é para 2018.

(Wal Sarges/Diário do Pará)







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