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Boi também sai no mês de fevereiro em São Caetano de Odivelas

Quarta-Feira, 14/02/2018, 07:58:49 - Atualizado em 14/02/2018, 07:58:49 Ver comentário(s) A- A+

Boi também sai no mês de fevereiro em São Caetano de Odivelas (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)
Boi Faceiro e mascarados ganham as ruas da cidade. (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

Quando os ritmos da folia de momo se fundem com as batidas regionais, é só abrir a porteira para os bois fazerem a festa ladeira abaixo. A cultura do imaginário odivelense, com o desfile dos vaqueiros, cabeçudos e os pierrôs, somada aos mascarados do simbolismo veneziano, fizeram parte do enredo de um dos mais tradicionais carnavais do Estado: o de São Caetano de Odivelas, no nordeste paraense. O município de 16 mil habitantes abriu alas para 50 mil brincantes, nestes quatro dias de festa, segundo a prefeitura da cidade. 

Entre as bandinhas de fanfarra que puxam o frevo, tem espaço para todos os gostos: blocos de micaretas, modinhas, carimbó, bailinho infantil, até mesmo aparelhagens. No entanto, quem abre alas da programação da terça-feira gorda é o bloco Boi Faceiro. Concentrados na casa do falecido Maestro Bedé, 40 integrantes do grupo saem em direção à orla do município, antes do anoitecer. A explosão da mistura de culturas e cores, que também remete à quadra junina, inicia por volta das 18h e segue o cortejo do boi de máscara por cerca de uma hora. No final, 2 mil brincantes entram no cordão, com a comissão de frente puxada pelas ‘faceretes’. “Tenho orgulho de participar dessa manifestação”, conta Mayara Cardoso, 21, que há 6 anos, faz parte do abre alas. 

MISTURA

A tradição do Salgado não é tão antiga, mas segue passos seculares. “A proposta é misturar o imaginário local, que vem de longos anos da matriz junina do município, com a manifestação de Veneza. E as introduzimos na irreverência do carnaval”, explica Rondi Palha, coordenador do bloco, que nasceu em 2006. Puxando os brincantes, 30 músicos não deixam ninguém ficar parado com o batuque do boi, que por ali não tem o couro bordado, mas adornado apenas de fitas vermelhas e amarelas, alusivas à bandeira do município. 

Os tradicionais cabeçudos não podiam faltar na festa. (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

ORGULHO

E por falar na principal atração da festa, quem está no comando é o estudante Welington Renan, 15 anos. Pelo segundo ano, o garoto entra na avenida carregando os 80kg da estrutura do Boi. E ao falar na responsabilidade, ele se emociona. “É um orgulho. E pede muito preparo físico, que conquistamos comendo bem”, sorri. Welington é guiado pelos passos do pai, que também já participou de outros grupos folclóricos locais.

FESTA ATRAI BRINCANTES DE TODO O ESTADO

No entanto, nem só de cultura odivelense e européia sobrevive o Carnaval de São Caetano. Junto à apoteose dos bois, as ruas estreitas, de paralelepípedo, serviram de passarelas para brincantes de vários locais do Estado. Por lá, vale tudo para não passar a festa em branco. Das fantasias de super-heróis aos unicórnios -patente da folia de momo 2018- era possível encontrar também quem colocou as alegorias e elaborou sua fantasia, como a dona de casa Socorro Maciel, 58. “É uma mistura de odalisca com bailarinas e muito brilho”, brincou a moradora de Icoaraci. “Amo o frevo, mas no final, vamos para o bloco das lacraias. É só alegria”.

Cortejo segue pelas vias de São Caetano de Odivelas. (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

FAMÍLIA

Além da democracia dos ritmos e fantasias, o Carnaval de São Caetano é uma festa para toda família. As crianças caem na programação ao lado dos pais. Porém, Aliana Mariá foi na barriga da mãe. Fantasiada de Chiquinha, a professora Laura Graça, 24, colocou o barrigão de 7 meses para fora e caiu na folia. “É Carnaval, estou com marido, mãe e minha bebê. Não há motivos para ficar triste”, festeja. 

A estudante Larissa Silva, 15, chegou ao município na sexta-feira, com a mãe, irmãos e cunhados. A família é de Barcarena. “Todos os anos estamos por aqui. É diferente e podemos ir para as ruas tranquilamente”, conta a adolescente, que segurava Yasmim, de 8 meses, no colo. Fantasiada de unicórnio, a bebê atraia olhares para seus arregalados olhos verdes. O cortejo do Boi Faceiro terminou na orla do município. No local ainda houve apresentações de bandas, concursos de fantasias, e diversos blocos, que entraram pela madrugada agitando o último dia de carnaval.

(Roberata Paraense/Diário do Pará)







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