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Aristocrata italiano deixa sua marca e seu nome na história da capital paraense

Sexta-Feira, 12/01/2018, 09:28:19 - Atualizado em 12/01/2018, 09:28:19 Ver comentário(s) A- A+

Aristocrata italiano deixa sua marca e seu nome na história da capital paraense (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)
A Catedral Metropolitana tem traços de Antônio Landi, assim como outras igrejas de Belém (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)

Natural da cidade de Bolonha, na Itália, Antônio José Landi foi um renomado arquiteto e desenhista que deixou uma marca histórica e cultural que transformou a arquitetura de Belém. Apesar de ser conhecido como um “arquiteto de obras sacras”, Landi projetou, além de igrejas, outras edificações grandiosas em meados do século 18, como o antigo Palácio de Governo e atual Museu do Estado do Pará (MEP), a Casa das Onze Janelas (antigo Hospital Militar), todos erguidos na área na qual hoje corresponde ao bairro da Cidade Velha.

Professor de Arquitetura e Urbanismo de uma universidade particular, o doutor em História Social Alexandre Lima explica que Landi ingressou ainda muito jovem na Academia Clementina, em Bolonha, na década de 1730. Ele estudou com a família Galli Bibiena, formada por arquitetos italianos, e deles absorveu o estilo barroco – característica das edificações de sua autoria.

Devido ao expressivo trabalho desenvolvido, Landi tornou-se um dos mais jovens professores da Academia Clementina e foi agraciado com diversas premiações. A visibilidade fez com que fosse convidado a integrar a Comissão de Demarcação de Fronteiras entre Portugal e a Espanha na América do Sul, instituída em 1750 pelo Tratado de Madri, que substituiria o Tratado de Tordesilhas. “Landi era um jovem de família aristocrática. Era uma pessoa culta. Ele chegou em um momento onde havia muita expectativa pelo desenvolvimento da Amazônia”, ressalta.

Ele aceitou o convite e desembarcou em Lisboa, Portugal. Saindo de lá, veio inicialmente para Belém, já que existia um projeto – idealizado pelo 1° ministro português da época, Marquês de Pombal, de desenvolver a Amazônia, conforme ressaltou Lima. “Landi passou por todas as cidades do interior do Pará e em cada uma dela deixava sua marca. Projetou portos, arcos do triunfo e igrejas. Uma delas é a igreja matriz de Igarapé-Miri”, pontua.

NOVO PANORAMA

Após a suspensão do Tratado de Madri, em 1761, Landi resolveu ficar em Belém, juntamente com outros dois engenheiros, e a partir daí começou a desenvolver um grandioso projeto arquitetônico na cidade. Devoto de Santana, ele projetou e, inclusive, custeou parte da construção da Igreja de Santana, assim como a Capela de São João, além de deixar seus traços em outras igrejas como a Catedral de Belém, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Capela da Ordem Terceira, Capela do Pombo, Capela do Murucutu, dentre outras.

“Foi um projeto tão grandioso que chegava a ser até descabido para uma cidade provinciana. Landi começou a mudar o panorama de edificações de Belém com uma arquitetura genuinamente erudita italiana”, complementa o historiador. No Palácio do Governo, por exemplo, foi erguida uma capelinha de onde saiu o primeiro Círio de Belém. Landi casou-se e viveu em Belém até o ano de sua morte, em 1791. E, segundo Lima, com o passar do tempo muitas edificações de Landi foram modificadas. As igrejas do Carmo e Mercês sofreram intercessões. “Existem obras mutiladas como a Igreja de Santana, que foi construída com estilo de uma cruz, com fachada italiana, mas foi modificada”. Para o professor, o legado deixado por Landi faz parte da cultura e história de Belém. “Cada edificação de Landi é um acervo de informação da arquitetura, são elementos da nossa cultura. Não se entende Belém sem a Casa das Onze Janelas, sem a Igreja de Santana”, conclui.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)







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