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Brasil ganha aceleradora de startup voltada para cannabis medicinal

Terça-Feira, 09/01/2018, 07:00:05 - Atualizado em 09/01/2018, 07:00:05 Ver comentário(s) A- A+

Brasil ganha aceleradora de startup voltada para cannabis medicinal  (Foto: Cannabis; maconha (Foto: Flickr/Martijn/Creative Commons))
(Foto: Cannabis; maconha (Foto: Flickr/Martijn/Creative Commons))
Cannabis; maconha (Foto: Flickr/Martijn/Creative Commons)

 

Aceleradoras de startups são instituições que combinam recursos financeiros e intelectuais com o propósito de impulsionar e desenvolver empresas rapidamente. Algumas delas são voltadas para companhias de base tecnológica, outras, para projetos na área de saúde; e também há aquelas com foco em trabalhos sociais.

Em dezembro de 2017, o leque de aceleradoras ganhou uma nova categoria com a The Green Hub, voltada para startups que visam uso e estudo da cannabis medicinal.

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A The Green Hub é um centro de aceleração criado e situado em Santo André, no ABC Paulista. O espaço foi fundado pelo administrador de empresas Marcel Grecco, 35, no final do ano de 2016. Porém, foi somente em dezembro de 2017 que a aceleradora abriu suas portas para abrigar os primeiros projetos.

Neste ciclo inicial de aceleração, a The Green Hub está sediando dois projetos: o CEC (Centro de Excelência Canabinoide), associação que presta consultoria e cursos para profissionais da área médica sobre a cannabis medicinal; e a Anella, um software de gestão que oferece sugestão de posologias e melhores práticas para o uso terapêutico da erva.

“Essas são startups próprias que nasceram dentro de casa. Estamos usando as duas para validar nosso programa de aceleração”, explica Grecco.

Segundo o administrador, a aceleradora conta com um time multidisciplinar de especialistas voltados para as áreas de tecnologia, inovação, médica, jurídica, comercial e corporativa de diversas regiões do mundo, inclusive de países onde o consumo da erva é permitido.

Além da mentoria intelectual, o programa de aceleração da instituição contempla investimentos de até R$ 50 mil.

Potencial econômico
Baseada na tríade “dados, pesquisa e educação”, a The Green Hub firmou uma parceria com a New Frontier Data, empresa norte-americana de análise de dados especializada no assunto da cannabis medicinal. Juntas, as instituições produziram um relatório sobre o potencial da maconha medicinal no mercado brasileiro. 

“Caso fosse regulamentada, nos três primeiros anos de uso, a cannabis medicinal teria potencial de atingir 3,4 milhões de pacientes, incluindo aqueles com dores crônicas. Isso equivaleria a R$ 4,7 bilhões de reais na economia do país”, explica Grecco, que se interessou pelo assunto da cannabis medicinal há três anos, depois de entrar em contato com movimentação mundial sobre o uso terapêutico da maconha.

Os dados foram obtidos através de análise com os números registrados nos EUA após a liberação da erva em alguns estados. Para a análise em questão, foi considerando que a cannabis seria utilizada para tratar de enfermidades tais como doenças crônicas severas, câncer, fibromialgia, distúrbios alimentares e ansiedade.

Situação brasileira
No Brasil, o uso e cultivo da maconha para consumo recreativo é proibido. Todavia, a utilização da erva de forma terapêutica vem avançado conforme os anos.

Em 2015, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a importação de produtos que utilizam o canabidiol, derivado da maconha, para fins medicinais. Em 2016, foi a vez do tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da erva, ganhar autorização para prescrição e importação por intermédio do órgão.

Um passo maior foi dado no ano passado, em 2017, ano em que a Anvisa autorizou o registro do medicamento Mevatyl® no país, feito à base de THC e canabidiol para tratar de espasticidades relacionadas à esclerose múltipla.

Passos futuros
No início do próximo semestre de 2018, em julho, a equipe da The Green Hub dará início a um novo ciclo de captação financeira para acelerar mais projetos. Segundo Grecco, ainda não há um número exato de quantas startups devem ser selecionadas em cada ciclo para integrar o programa.

“Estamos desde já buscando novas startups. Os interessados podem entrar em nosso site e se cadastrar, assim começamos uma aproximação para conhecer o projeto. Temos espaço para startups que estejam tanto no estágio de ideia até para aquelas que já estão faturando”, explica Grecco.

Empresários e investidores interessados em apostar no mercado da cannabis medicinal também podem entrar em contato com a aceleradora.

“Nosso objetivo é trazer informações validadas para que legisladores responsáveis possam usar nossas informações e tomar decisões cabíveis. Para isso, estamos buscando entender como essas questões funcionam em outros países que já aprovaram o uso medicinal da cannabis e trazer os exemplos bem sucedidos para cá. Pesquisa, dados e estudos são os grandes pilares que precisamos para que esse mercado cresça e se desenvolva de forma responsável”, afirma Grecco.

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Fonte: Revista Galileu







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