Notícias / Pará

EDIÇÃO ELETRÔNICA

Há 37 anos, João Paulo II visitava os paraenses

Terça-Feira, 11/07/2017, 09:15:41 - Atualizado em 11/07/2017, 09:20:05 Ver comentário(s) A- A+

Há 37 anos, João Paulo II visitava os paraenses (Foto: Wagner Santana)
Geraldo Cascaes esteve presente em um dia histórico para o Estado. (Foto: Wagner Santana)

O sol forte que tomou conta do céu de Marituba ontem à tarde só reavivou, na memória do aposentado Geraldo Cascaes, 73, as lembranças do dia em que o Papa João Paulo II visitou a antiga Colônia de Hansenianos, localizada no município Grande Belém. Passados 37 anos da ilustre visita, recém-completados no início deste mês, o ex-interno da colônia recorda que o calor intenso sentido na tarde do dia 8 de julho de 1980 não passou despercebido pelo Santo Padre.

VEJA IMAGENS DO DIA HISTÓRICO

Membro da colônia desde os 11 anos de idade, Geraldo Cascaes foi o escolhido para realizar o cerimonial da celebração realizada por João Paulo II. Na memória do aposentado, muitos são os detalhes do dia em que o Papa visitou o local onde pessoas que possuíam hanseníase eram mantidas isoladas.

O Papamóvel chegou às proximidades da igreja onde foi montado o palanque ainda pela manhã, porém sem o principal passageiro. Para se manter o controle, os internos da colônia receberam fitas que os identificavam como parte da comissão que poderia circular pelo local durante a presença de João Paulo.

Assim como os preparativos e a grande expectativa gerada até a chegada do visitante, Geraldo não esquece o comentário feito pelo Papa em um momento de descontração. “O sol estava semelhante ao que vemos hoje (ontem). Ele chegou por volta das 15h e, em um dado momento, debaixo daquele sol quente, ele brincou: ‘Ô ô ô, Marituba é do sol’”, contou.



ESPERANÇA

 Além da figura sorridente e tranquila, a marca deixada por João Paulo II na comunidade foi muito maior do que se poderia imaginar. Geraldo lembra que o Papa visitou a região no mesmo ano em que chegou o último interno da colônia.

Na época, já iniciavam as conversas sobre o projeto do Governo Brasileiro de, aconselhado pela Organização Mundial de Saúde, desativar as colônias que mantinham as pessoas com hanseníase em isolamento. O clima era de incerteza entre os internos, mas foi do pronunciamento do Papa que veio o acalanto necessário.

“O Papa falou que não nos preocupássemos diante da situação de incerteza. Que as mudanças tinham de ser enfrentadas e que Deus estaria conosco”, recorda. “Nós sentimos verdade na fala dele e isso transmitiu segurança para todos nós”.

Multidão se ergueu diante do Santo. (Foto: Arquivo)

Carreata teve até suspeita falsa de um atentado ao Papamóvel

João Paulo II também deixou lembranças pelas ruas de Belém. Uma carreata seguiu até a então avenida 1º de dezembro, onde ele celebrou uma Santa Missa. Para lembrar a data, a avenida hoje tem o nome do Santo. Durante a seguida para a Catedral de Belém, uma parada estava prevista no largo de Nazaré, mas a programação não pode ser cumprida.

Historiadora especialista no Círio de Nazaré, Mízar Bonna estava no local no momento em que passou o Papamóvel. Ela lembra que o largo de Nazaré estava lotado e que, “para cada um, a vinda do Papa teve o seu significado”.

Arquibancadas seriam instaladas na avenida, na lateral da Basílica, porém, os planos mudaram quando uma ordem foi expedida para que a berlinda, com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, fosse colocada no pátio da Basílica.

O Papamóvel passou em alta velocidade. O motivo só teria sido descoberto meses depois: uma falsa suspeita de atentado fez com que os seguranças acelerassem o veículo.

(Cintia Magno/Diário do Pará)





Comentários