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Yamada entra em recuperação judicial

Domingo, 28/05/2017, 08:23:31 - Atualizado em 28/05/2017, 08:23:31 Ver comentário(s) A- A+

Yamada entra em recuperação judicial (Foto: Divulgação)
Os proprietários da Yamada terão 2 meses para apresentar um plano de recuperação da empresa (Foto: Divulgação)

O juiz da 13ª Vara Cível e Empresarial de Belém, Cristiano Arantes e Silva, deferiu o pedido de recuperação judicial do tradicional Grupo Y. Yamada e nomeou o advogado paraense Mauro Santos como administrador judicial, para conduzir as negociações com credores e tentar reerguer a empresa.Santos começou a trabalhar no caso no último dia 17. A partir dessa data, a Yamada terá 2 meses para apresentar seu plano de recuperação, que será julgado no prazo de 6 meses. O passivo informado pelo grupo à Justiça chega a 250 milhões, sendo R$ 50 milhões apenas de débitos trabalhistas referentes a 4 mil demissões, valor esse que pode dobrar no curso da recuperação.

O passivo da Yamada, em termos de ações trabalhistas, é o maior de uma empresa já registrado no Pará.

Especialista em recuperação judicial, Mauro Santos foi o administrador judicial da Celpa e concluiu em 2014 o processo da concessionária de energia, salvando-a da falência iminente, caso não aparecesse um comprador, o que ocorreu com o surgimento da Equatorial. Mauro é também, o administrador judicial do Grupo Visão.

PLANO

Fundada em 1950, com, portanto, 68 anos no mercado, a Y. Yamada é a mais tradicional rede de supermercados e lojas de varejo do Pará e uma das maiores do Brasil. No auge, a marca chegou a ter 2 milhões de clientes credenciados pelo Cartão Yamada, do “gente boa”, que virou mania entre os consumidores paraenses. O grupo Y. Yamada é formado pela Y. Yamada S/A Comércio e Indústria, CCCS (Cadastro, Crédito, Cobrança e Serviços), Tágide Veículos, Tágide Motocicletas e Yamada Administração de Imóveis. 

Os donos apresentarão um plano à Justiça sob a orientação do administrador para retornar consolidados ao mercado, embora menores, já que parte dos ativos deve ser consumido para a liquidação de dívidas. “No processo de recuperação judicial a empresa precisa mostrar que tem condições de se manter e pagar o seu débito”, disse o advogado. Mauro Santos irá preparar relatórios mensais que vão atestar a viabilidade da empresa. Nesse período ocorrerá uma Assembleia Geral de credores.

ENTREVISTA COM MAURO SANTOS

P: Qual a função e um administrador judicial?

R: É um cargo de confiança do juiz e tem a função de fiscalizar as atividades da recuperanda no que se refere ao pagamento do passivo previsto, dentro do plano de recuperação apresentado pela empresa, sem qualquer tipo de privilégio. Num primeiro momento a empresa nos fornece a relação dos credores e abrimos prazo para que se manifeste sobre aquele crédito que está no plano de recuperação, que tem que ser apresentado pela empresa em 60 dias. Após uma avaliação administrativa eu elaboro uma segunda lista de credores depois de 60 dias úteis. A partir daí surgirão as divergências, impugnações e questionamentos dos créditos. Vou elaborar ainda um relatório de viabilidade financeira para entregar para a vara, analisando se a empresa é viável ou não. Se eu concluir que não é, é decretada a falência, mas no caso da Yamada existe grande possibilidade de recuperação.

P: Há algum diferencial dentro da recuperação judicial da Yamada?

R: A recuperação judicial da Yamada tem um diferencial complicado: o grande passivo trabalhista da empresa. São algo em torno de quatro mil ações judiciais em reclamações trabalhistas. E é possível que esse passivo aumente, já que podem ter novas demissões ocorrendo. Isso cria uma instabilidade grande. Esse débito trabalhista terá que ser pago na recuperação. E, por lei, o pagamento de passivo trabalhista pode ser feito em até 12 vezes. Lembrando que na recuperação todas as ações de cobrança estão suspensas por seis meses, prorrogáveis por mais seis. As ações trabalhistas continuam sendo processadas mas o crédito será todoremetido para a recuperação judicial.

P: Existe a possibilidade de venda da empresa durante esse processo de recuperação?

R: Ainda não vislumbro essa possibilidade, mas avalio que a direção pode estar disposta a isso. Aliado a tudo isso ainda temos a crise econômica que afeta o país.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)



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