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Chacina em Pau D'Arco é a 2ª maior após Eldorado

Sábado, 27/05/2017, 11:58:42 - Atualizado em 27/05/2017, 12:48:29 Ver comentário(s) A- A+

Chacina em Pau D'Arco é a 2ª maior após Eldorado (Foto: Dinho Santos)
Em sepultamento coletivo, familiares e amigos se despediram das vítimas da chacina em Par D'Arco (Foto: Dinho Santos)

A chacina que vitimou 10 trabalhadores rurais na última quarta-feira (24), no município de Pau D'Arco, região sudeste paraense, entrou para as estatísticas como o segundo maior massacre no campo desde o ocorrido em Eldorado dos Carajás, também no Pará, em 1996.

Segundo levantamento da CPT (Comissão Pastoral da Terra), os números ajudaram a tornar 2017 um ano acima da média quando o assunto é morte no campo. Em todo o ano passado 27 pessoas tiveram a vida ceifada. 

"A gente já viveu situações terríveis na ditadura, nos anos 80 também, mas essa época está terrível. Vivemos essa maior chacina desde Carajás, cometida há 21 anos, e cometida pela mesma polícia", afirmou Rubens Siqueira, da coordenação da CPT, em entrevista ao UOL

De janeiro a maio deste ano, 37 pessoas já foram mortas em conflitos agrários no Brasil, sendo 18 em terras paraenses.

O Pará lidera o ranking dos assassinatos no campo, o que preocupa a CPT no Pará. Em conversa com a reportagem, o padre Paulo da Silva, integrante da CPT, classifica a situação atual como assustadora.

O religioso ainda falou sobre o fim da Ouvidoria Agrária Nacional, órgão, que segundo ele, ajudava a diminuir a tensão no campo. Mas, com a chegada do governo Temer, ocorreu a extinção e, com isso, uma piora.


A CPT alega que a violência segue uma lógica, que começa pelas ocupações, passam pela criação de acampamentos, que geram as ocorrências de conflito. Contexto acelerado pelo ritmo lento da reforma agrária nos últimos anos no Brasil.

MASSACRE DE ELDORADO

A reportagem publicada neste sábado pelo UOL faz referência ao conflito de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos em conflito com a polícia.

O caso repercutiu mundialmente e dois comandantes da polícia foram condenados. Chamou atenção na época, a exemplo do ocorrido na última quarta-feira é o fato de nenhum dos policiais terem sofrido algum tipo de violência, caracterizando o massace.  

ENTERRO

Nesta sexta-feira (26) foi realizado o enterro das vítimas do massacre marcado pela comoção e revolta. Veja:

Números mortes no campo

2008 - 11

2009 - 8

2010 - 10

2011 - 13

2012 - 15

2013 - 15

2014 - 11

2015 - 20

2016 - 29

2017 - 37 * janeiro a maio

Fonte: CPT

(Com informações do UOL)





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