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Conta d’água sobe 35% em Belém

Quarta-Feira, 10/05/2017, 07:36:59 - Atualizado em 10/05/2017, 07:36:59 Ver comentário(s) A- A+

Conta d’água sobe 35% em Belém (Foto: Jader Paes/Diário do Pará)
Tarifa alta e serviço ruim. Isso faz com que a Cosanpa seja alvo de protestos quase que diariamente em Belém. (Foto: Jader Paes/Diário do Pará)

As contas de água terão reajuste de 35% a partir do próximo mês em Belém. Em vias de ser privatizada, a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) teve o aval da Agência Reguladora do Serviço de Água e Esgoto do Município (Amae) para praticar o aumento do valor cobrado pelos serviços oferecidos aos consumidores da capital. A decisão foi publicada na edição de ontem do Diário Oficial do Município, que detalhou as razões para o aumento, num momento em que as interrupções no fornecimento de água viraram uma constante no cotidiano de quem mora em Belém nos últimos meses. O impacto do aumento pesará bastante no bolso do cidadão. Por exemplo, quem paga hoje R$ 100 pode se preparar para pagar R$ 135 já no próximo mês. Cerca de 261 mil unidades consumidoras serão atingidas com a decisão.

É o segundo reajuste autorizado pela Agência em menos de 1 ano. Em 2016, o aumente chegou a 20% e atingiu os consumidores de 56 municípios atendidos pela Companhia. A aplicação do reajuste só poderá ser efetivada após decorridos 30 dias da publicação no Diário Oficial do Município. A nota é assinada pelo presidente do Conselho Superior de Administração da Amae, Antonio de Noronha Tavares, e pelo Secretário do Conselho, Nélio Bordalo Filho.

ETAPAS

O processo de Revisão Tarifária ocorreu em três etapas. Na primeira, foram solicitadas as informações da Cosanpa. Em seguida, a tabulação de dados e, por fim, o estudo e aplicação da metodologia mais adequada da realidade da Companhia, cujo processo de privatização por parte do Governo do Estado já está em fase de estudos técnicos feitos por um consórcio responsável por elaborar os estudos técnicos que vão orientar os processos de concessão (veja box).

O Relatório Técnico da Cosanpa com Proposta de Reajuste Tarifário estabeleceu cálculo do Índice de Reajuste Tarifário (IRT) de 39,90%, somados a um Índice de Recuperação do Passivo, acumulado no período de julho/2008 a junho/2016, de 9,%, totalizando em um IRT de 48,90%, para o Município de Belém. Com base nos dados fornecidos pela Cosanpa, a Amae realizou cálculo e projeções de cenários possíveis de reajustes tarifários. A Companhia informou que, em 1 ano, teve gastos de R$ 154.733.054,07 com pessoal, materiais, serviços de terceiros, energia elétrica, entre outros.

Hoje, 289.935 famílias representam o número total de unidades ativas de água, sendo que a categoria de consumo residencial soma 261.781 unidades, representando 90,29% do consumo em Belém. O Amae avaliou o cenário e constatou desequilíbrio econômico-financeiro da Cosanpa, em detrimento da falta de reajuste tarifário durante 7 anos, entre o período de 2008 e 2015, quando foi aprovado para 2016 um reajuste de 20% sobre suaestrutura tarifária.

COSANPA É "CABIDE DE EMPREGO"

O deputado Carlos Bordalo (PT) acredita que o processo de privatização da Cosanpa é inaceitável para o Estado. “Eu não sei o que pode acontecer, mas o problema da Cosanpa não será resolvido com a privatização”, avalia o parlamentar.

O presidente do Sindicato dos Urbanitários, José Bianor Pena,a ponta como principal motivo do sucateamento da empresa o fato de que o Governo do Estado não faz investimentos para que o serviço funcione com um mínimo de qualidade.

Sobre o aumento na taxa, José faz questão de lembrar que houve um aumento em janeiro do ano passado de 22% e agora, o ajuste final antes de entregá-la para a iniciativa privada.

“O projeto do governador é esse em todas as áreas. Não há investimentos em nenhuma área. A Cosanpa virou um cabide de empregos, a folha de lá paga mais de R$ 1 milhão/mês aos comissionados. E é uma empresa com técnicos qualificados”, lamenta. 

(Diário do Pará)



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