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PM entra em confronto com usuários de droga

Policiais militares entraram em confronto com moradores de rua e dependentes químicos na região da cracolândia, centro de São Paulo, na noite desta terça-feira (17). Ao menos três PMs ficaram feridos e duas pessoas foram detidas. O problema começou ainda

Policiais militares entraram em confronto com moradores de rua e dependentes químicos na região da cracolândia, centro de São Paulo, na noite desta terça-feira (17). Ao menos três PMs ficaram feridos e duas pessoas foram detidas.

O problema começou ainda no final da tarde, quando, segundo a polícia, dependentes atiraram pedras contra uma base da corporação. O incidente foi na base da PM no largo Coração de Jesus, de acordo com comerciantes da área -na esquina com a alameda Dino Bueno, portanto, onde fica o fluxo de usuários de crack.

Usuários fizeram barricadas, ateando fogo em objetos na entrada da rua, e foi solicitado reforço policial, recebido com novos lançamentos de paus e pedras. A PM revidou com bombas de efeito moral e tiros com balas de borracha, o que provocou correria.

Os dependentes químicos se dispersaram pelas avenida Duque de Caxias, e um grupo arrombou portões de uma loja de calçados, roubando produtos que estavam na vitrine. A Tropa de Choque chegou na sequência e dispersou os usuários.

Um homem foi detido após roubar um ventilador. A reportagem viu uma segunda pessoa ser detida, longe do saque coletivo, mas a PM não informou o motivo.

Três policiais tiveram ferimentos na boca e cabeça por conta de objetos lançados contra eles. A corporação não informou se foi necessário atendimento médico.

Por volta das 21h30, o clima já era mais calmo no local, mas policiais ainda faziam ronda pela região para evitar novos saques -um ônibus chegou a ser alvo de uma tentativa de arrastão na avenida Rio Branco- e bloqueavam o acesso à Cracolândia.

PROVOCAÇÃO

Segundo relatos de moradores de rua ouvidos pela reportagem, no entanto, os policiais provocaram a reação dos usuários de droga. A prática é comum na região, como conta Raphael Escobar, do grupo com atuação em defesa dos direitos humanos na Cracolândia A Craco Resiste. "Eles tratam mal, ficam chutando os moradores de rua, instigando uma reação", diz Escobar.

Uma das integrantes do coletivo, a antropóloga Roberta Marcondes conta que um policial ameaçou atirar na direção do grupo. "Estávamos tentando passar e ele mandou a gente voltar. Falei 'a gente é dos direitos humanos' e ele respondeu 'foda-se!'", afirma Marcondes.

O grupo é contra a desarticulação dos programas de atendimento aos dependentes químicos na região. A gestão do prefeito João Doria (PSDB) já tinha anunciado o encerramento do Braços Abertos, programa da gestão anterior, de Fernando Haddad (PT).

Como uma das vitrines do tucano são as ações de zeladoria na cidade, como a promoção de mutirões de varrição e a campanha contra pichações, a expectativa tanto de dependentes químicos quanto a de ativistas é a de que Doria, que em dezembro chamou a cidade de "lixo vivo" e manifestou a intenção de ampliar a presença policial na Cracolândia, promova em breve uma ação policial no local em conjunto com o governo Alckmin.

(Folhapress)

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