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"Nem direita,nem esquerda. Justiça", afirma Úrsula

Domingo, 25/09/2016, 08:43:45 - Atualizado em 25/09/2016, 08:50:17 Ver comentário(s) A- A+

(Foto: Ricardo Amanajás)

A jornalista e cineasta Ursula Vidal, 44 anos, disputa sua segunda eleição, a primeira para um cargo executivo. Filiada à Rede Sustentabilidade, legenda fundada pela ex-petista Marina Silva, Ursula afirma que seu nome representa uma esperança de renovação na política. Falante, sorridente e acostumada a entrevistas (ela é uma das mais conhecidas apresentadoras de TV do Pará), a jornalista promete uma gestão transparente, com participação popular e projetos inovadores. 

P - Você tem uma carreira consolidada como jornalista e, de repente, surpreendeu indo para a política. O que te levou para esse caminho?

R - Eu já tinha um envolvimento grande com discussões sobre sustentabilidade como uma temática transversal, e não na forma de a gente se relacionar com recursos naturais, mas de se relacionar com o outro. Eu já participava de eventos, mediando mesas. Fiz uma especialização voltada pra essa temática e passei dois anos no Aurá, fazendo um documentário. Isso me deu uma perspectiva aprofundada sobre problemas e soluções. Eu não vejo só os problemas da cidade. Durante 30 anos, me deparei com soluções que a sociedade civil deu para o seu próprio território, na falta da presença do poder público. Minha perspectiva sempre foi muito propositiva.

P - A Rede, partido ao qual você está filiada, se apresenta como novidade. No entanto, agrega vários nomes da velha política. Como é essa relação entre ideias novas com os políticos de sempre?

R - A Rede está vivendo, neste momento, todos os testes e contradições que são extremamente naturais para um partido que está nascendo. Não estabelecemos como condição que esse partido fosse formado somente por pessoas que não tivesse um mandato. Nós temos uma cláusula de consenso no nosso estatuto, que permite aos nossos parlamentares que votem de acordo com sua própria consciência política, sempre fazendo uma referência respeitosa a uma decisão partidária sobre temas que são importantes. 

P - O principal nome do partido, Marina Silva, tem um histórico no PT e muito mais à esquerda. Como você se define nesse espectro ideológico?. 

R - Eu vejo como a missão primeira desta candidatura a proposição do diálogo. O nosso lado é o da justiça social, do combate à desigualdade. As políticas públicas precisam estar voltadas para esta direção. Nossa questão não é de direita, de esquerda ou centro, mas de que maneira a política pública pode ser voltada para a melhoria da qualidade de vida da população, com investimentos corretos no que vai garantir transparência, participação da sociedade e diálogo entre forças políticas que, aparentemente, estão em territórios ou campos diferentes. Evidentemente que o nosso programa se alinha com uma democracia que ainda é percebida como esquerda.

P - As pesquisas mostram que a sua candidatura não deslanchou. Como você avalia isso? 

R - Nós temos uma imensa massa de eleitores que não sabe em quem votar. E outra imensa massa de eleitores que está completamente desacreditada e que está declarando que vai votar nulo, que não vai comparecer às urnas. 

P - Você acredita que ainda pode atrair esses eleitores?

R - Acredito que sim. Essa candidatura pode atrair esses eleitores. Agora é que nós vamos ter os debates. Impossível comunicar sobre os projetos para Belém em 22 segundos dentro do programa eleitoral.

P - A Rede é um partido novo e essa é sua segunda candidatura. Como tem sido competir com políticos mais experientes?

R - O maior desafio é fazer o milagre da multiplicação do tempo e dos parcos recursos. Esta é uma campanha extremamente modesta e, quando se tem recursos reduzidos, a gente fica com a limitação de chegar às pessoas, de comunicar sobre essa candidatura e sobre as proposições. 

P - O que tu consideras como possíveis marcas do teu governo?

R - Primeiro, a gente tem de repensar o modelo de gestão, que hoje está desarticulado. O prefeito centraliza tudo no gabinete, não articula políticas públicas. As coisas são feitas no soluço. Se você chega a uma praça, por exemplo, e tiver uma árvore caída, ela é responsabilidade da Secretaria de Saneamento; se estiver em pé, é da Secretaria de Meio Ambiente. Em um espaço simbólico de convivência da cidade, você tem uma política pública vista por equipamento. Outro exemplo de prioridade é a área da saúde. A gente precisa enxergar que a prioridade é o processo preventivo. A gente precisa investir em atenção básica de saúde, que é mais barato e eficiente, e não ficar cuidando da doença.

P - E como você pretende inverter essa lógica?

R - A proposta é que a gente faça um investimento emergencial, no atendimento que vai evitar o agravamento de doenças que podem ser detectadas rapidamente, com a disponibilidade de 5 unidades móveis, em lugares mapeados, que são pontos críticos da cidade. Essas unidades serão ancoradas em escolas municipais. São carretas equipadas com consultórios e laboratórios.

P - Mas Belém já tem uma estrutura de unidades de saúde nos bairros que não funciona hoje. Não seria mais inteligente usar esse recurso das carretas e reformar essas unidades?

R - Arrumar as unidades é parte desse remodelamento que você vai fazer dentro da estrutura que há. Isso é emergencial para desafogar os hospitais. Hoje, tem gente que está com uma gripe agravada e que vai parar na porta do pronto-socorro.
PE na área da educação? 

R - É preciso integrar as políticas públicas para que a educação seja mais efetiva. A cultura e a saúde precisam estar dentro do processo educacional. A gente não está ali só ensinando criança a ler e escrever e a fazer contas básicas de matemática. A gente precisa ensinar essa criança a ser um cidadão pleno, com consciência crítica.

P - Em caso de haver um segundo turno e você não estar nele, você já pensou em quem poderia apoiar?

R - Eu acredito que a gente tem imensa capacidade, a partir dos debates, de mostrar para a população o que significa essa candidatura. Temos excelentes projetos para Belém, porque estudamos, pesquisamos e acreditamos que os projetos que trazemos são factíveis, cabem no orçamento. No segundo turno, vamos ver. Só faz sentido estarmos juntos se for com uma candidatura que absorva esse projeto de cidade.

(Rita Soares)

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