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Portos são caminhos mais próximos para escoamento

Quarta-Feira, 30/09/2015, 12:19:42 Ver comentário(s) A- A+

Portos são caminhos mais próximos para escoamento (Foto: Cezar Magalhães )
Porto da Vila do Conde, em Barcarena, é principal caminho para alcançar o mercado do Hemisfério Norte (Foto: Cezar Magalhães )

O Pará está sob os olhos da economia mundial. Isso é explicitado pelo interesse de grandes empresas em criar a infraestrutura no Estado que será utilizada para movimentar os negócios de diversos setores.

O potencial dos rios paraenses, por exemplo, deve render ao Estado o início da construção de três hidrelétricas até 2020: a Usina Hidrelétrica de Marabá, com orçamento inicial de R$ 12 bilhões; e as hidrelétricas de São Luiz do Tapajós e Jatobá, próximas ao município de Itaituba, que equivalem juntas a um investimento de R$ 30 bilhões (sozinhas, as duas hidrelétricas correspondem a 73% do investimento previsto para a região nos próximos cinco anos).

A localização privilegiada do Pará também movimenta o investimento em terminais e portos na região: na região do Maiacá, em Santarém, o grupo argelino Cervital deve investir aproximadamente R$ 1 bilhão em um terminal para exportação de grãos.

"Grande parte da produção brasileira é absorvida pelos Estados Unidos, ou seja, nosso mercado principal é do hemisfério Norte. Tudo que produzimos no Centro-Oeste acabamos tendo que escoar pelo Porto de Santos, no sudeste, ou pelo Paranaguá, que fica lá no Sul", explica Marcos Dias, coordenador de Engenharia da Ahimor.

"Temos um custo rodoviário, de aproximadamente dois mil quilômetros para chegar a esses portos do sul e sudeste, para depois subir novamente a produção para os Estados Unidos utilizando a navegação de cabotagem. O porto de Vila do Conde é o mais próximo de todo esse mercado. É o porto brasileiro mais próximo do Canal do Panamá", prossegue o coordenador.

GALERIA DE IMAGENS - PORTOS DO PARÁ

PORTO SERÁ UMA DAS PRINCIPAIS ROTAS PARA ESCOAR GRÃOS

Outro porto que está sendo visado pelas grandes multinacionais é o de Miritituba, em Itaituba, sudoeste do Pará, que terá o potencial ampliado com a construção da hidrovia do Tapajós. A empresa Bunge deve investir cerca de R$ 700 milhões na infraestrutura portuária da região para criar uma nova rota de escoamento para os grãos das maiores regiões produtoras do país.
"O Pará pode ter custos menores para produção, mais enxutos, pela proximidade com os portos. Na produção de commodities, como milho e soja, a economia logística é fundamental. Paragominas e Santarém tem uma vantagem competitiva muito grande se comparado ao Estado do Mato Grosso, por exemplo", afirma Flávio Carminati, diretor da empresa de grãos Juparanã, localizada no município de Paragominas.

Com fazendas que abrangem aproximadamente 12 mil hectares, a Juparanã é uma das empresas que puxa o boom da economia de grãos no nordeste paraense. Só na agricultura, a região de Paragominas cresce aproximadamente 10% ao ano, de acordo com Flávio Carminati. 

Atualmente, o porto de Vila de Conde, em Barcarena, é uma das principais saídas para escoar produção de grãos da Juparanã, pela proximidade (aproximadamente 350 quilômetros) com Paragominas.

Os investimentos no Porto de Miritituba, no entanto, devem abrir uma nova rota de escoamento para a produção de municípios como Redenção, por exemplo. “O sul e sudeste do Pará possuem mais problemas de estradas, mais dificuldades logísticas”, opina o diretor da Juparanã.

Para estruturar o porto em Itaituba, além da Bunge, também devem ser realizados investimentos de R$ 6 bilhões da empresa Estação da Luz Participações (que pretende construir uma ferrovia que ligue o porto ao município de Lucas do Rio Verde, Mato Grosso do Sul) e de quase R$ 37 milhões da companhia Cianport para uma Estação de Transbordo de grãos com capacidade de movimentar 3,5milhões de toneladas de granéis sólidos/ano a partir da hidrovia do Tapajós.

"Nós [estado do Pará] temos um item que explicita a nossa vantagem competitiva frente aos demais estados brasileiros: a nossa situação geográfica privilegiada, o que nos oferece uma vantagem comparativa muito grande", afirma José do Egypto, diretor da Fiepa.

As vantagens territoriais do Estado, no entanto, ainda carecem de investimentos, principalmente do setor público, para que mais investidores estrangeiros cheguem até o Estado.

"Essa vantagem comparativa, que impacta o setor industrial fortemente, foi desprezada ao longo do tempo. Não foram feitas as infraestruturas, tanto econômicas quanto sociais, para que o Estado do Pará seja alavancado e nós transformemos essas vantagens comparativas em vantagens competitivas", finaliza Egypto.

                            

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