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Belém atual é marcada por problemas e desamor

Segunda-Feira, 12/01/2015, 06:29:58 - Atualizado em 18/01/2015, 11:33:40 Ver comentário(s) A- A+

Belém atual é marcada por problemas e desamor (Foto: Cezar Magalhães/DOL)
No Solar da Beira (destaque) funcionava o ponto de fiscalização da cidade. Hoje, um espaço de exposições culturais praticamente abandonado. (Foto: Cezar Magalhães/DOL)

Muitas vezes, ao se falar de Belém, se fala de passado ou de saudade. Seja por expressões como “cidade do já teve”, a capital paraense chega aos seus 399 anos talvez em dúvida sobre o seu futuro: inspira-se no passado ou concentra-se no presente?De uma forma geral, a população belenense e seus pesquisadores agora param para refletir e entender se há mais motivos para comemorar ou lamentar. Diversos são os questionamentos e problemas que colaboram para esta reflexão.

Para Diego Andrés León Blanco, antropólogo colombiano que cursa mestrado na Universidade Federal do Pará (UFPA), “Belém tem um problema sério com o lixo. Poderia ter um sistema de coleta que evitaria que, quando chovesse, o lixo se espalhasse pelo chão e acabasse entupindo os bueiros. Além disso, o lixo gera um forte cheiro nas ruas e a proliferação de ratos, muito comum na paisagem noturna da cidade.”

Ainda segundo Diego, a Belém contemporânea é “repleta de prédios muito altos em comparação aos prédios das metrópoles colombianas” e a “desigualdade social que gera muita insegurança e presença de muitos meninos na rua em nada é diferente de cidades colombianas, como Cali e Bogotá”, compara.

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Crescimento desordenado tem contribuído para as desigualdades sociais. No detalhe, o Edifício Manoel Pinto da Silva. (Foto: Cezar  Magalhães/DOL)

Já para o paraense Henry Burnett, pós-doutor em Filosofia, músico e atualmente professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), “Belém sofre dos males urbanos, mas numa escala avançada, como se as coisas tivessem andado rápido demais. São tantos danos à civilidade, ao meio ambiente e ao espaço público, que o que ainda sobrevive como encantamento parece perder força. Mas isso é um problema de todas as cidades históricas do Brasil, não é uma questão apenas de Belém”, enfatiza.

Esses problemas interferem diretamente na fisionomia da cidade. Com um processo de metropolização acelerado e sem planejamento, o que se vê é um caos não somente urbano, mas também estético, seja por conta de construções arquitetônicas, públicas ou não, a presença maciça da publicidade e outros fatores.

A paisagem é o foco do projeto de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”, sob responsabilidade de Relivaldo Oliveira, da Universidade da Amazônia (Unama).

Segundo o professor, que é jornalista de formação e doutor em Antropologia, “a pesquisa objetiva estudar a comunicação visual urbana da contemporaneidade de Belém. Tal fisionomia se relaciona com o espírito contemporâneo e essa relação se dá de modo contextual e não mecânico entre características econômicas e estéticas, ou entre a experiência contemporânea e a estética comunicacional com a qual ela se liga”, resume.

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Assim como outras capitais, Belém não valorizou seu centro histórico como deveria. (Foto: Cezar Magalhães/DOL)

Na pesquisa, uma das imagens a serem destacadas é do Mercado de São Brás com um símbolo de propaganda ao fundo. “É uma metáfora em muitos sentidos. É a imagem dessa Belém ignorada e de uma cidade já povoada por imagens mercadológicas, pelo brilho da publicidade que contrasta com a escuridão do lugar. Se quisermos uma imagem mais pretensamente poética, é o brilho em uma cidade na qual sua realidade em nada inspira luminosidade", explica Relivaldo. 

(Enderson Oliveira/DOL)

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