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Massacre indígena: o que a imprensa internacional diz sobre a denúncia

Quarta-Feira, 13/09/2017, 18:00:02 - Atualizado em 13/09/2017, 18:00:02 Ver comentário(s) A- A+

Massacre indígena: o que a imprensa internacional diz sobre a denúncia (Foto: Imagem de helicóptero de tribo isolada no Amazonas (Foto: G. Miranda/FUNAI/Survival))
(Foto: Imagem de helicóptero de tribo isolada no Amazonas (Foto: G. Miranda/FUNAI/Survival))
Imagem de helicóptero de tribo isolada no Amazonas (Foto: G. Miranda/FUNAI/Survival)

 

A Fundação Nacional do Índio (Funai) denunciou um suposto massacre indígena em uma aldeia isolada no Vale do Javari, a aproximadamente 1.000 km de Manaus. O ataque teria acontecido em agosto por garimpeiros ilegais, e, ao menos, dez pessoas teriam morrido. 

O Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) e a Polícia Federal afirmaram que estão apurando o caso, mas as instituições ainda não divulgaram nenhuma informação oficial sobre mortes, feridos ou presos. Em nota, o procurador da República, Pablo Luz de Beltrand, declarou que a decisão foi tomada para não prejudicar as investigações. 

Ativistas dos direitos indígenas acusam o presidente Michel Temer de ser responsável pelo ocorrido, visto que o governo diminuiu o repasse de dinheiro voltado à conservação de tribos. 

"O corte no orçamento da Funai deixou dezenas de tribos isoladas sem defesa contra milhares de invasores", disse em comunicado Stephen Corry, diretor da ONG Survival International.

"Todas estas tribos deveriam ter tido suas terras devidamente reconhecidas e protegidas há anos — o apoio aberto do governo àqueles que querem abrir territórios indígenas é extremamente vergonhoso, e este suposto massacre poderia ter sido, e foi, previsto." 

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Temer não se pronunciou sobre a denúncia e a acusação. Além da repercussão nacional, o caso também ganhou destaque na mídia internacional, como na revista norte-americana Time e no jornal alemão Welt

A GALILEU selecionou três dos principais veículos mundiais e mostra os principais pontos abordados sobre o caso. Confira:

The New York Times
Ao jornal, Leila Silvia Burger Sotto-Maior, coordenadora da Funai, falou que os garimpeiros tiveram uma "conversa de bar" afirmando que, se eles não matassem, eles seriam mortos pelos indígenas. Sotto-Maior contou também que existem várias evidências dos assassinatos, mas que os crimes ainda precisam ser provados. 

Além dos fatos apresentados acima, o The New York Times trouxe uma breve análise com críticas ao governo Temer e suas medidas sobre as questões indígenas. A matéria afirma que Temer é um presidente "impopular" e que os direitos dos indígenas foram "retalhados". 

O procurador Beltrand também deu entrevista ao jornal, e lembrou de outro caso parecido na região, registrado em fevereiro — que segue sem solução. 

Homem pintado com semente de urucum em jardim de tribo isolada (Foto: G. Miranda/FUNAI/Survival)

 

The Guardian
O veículo britânico também apontou a questão do papel do governo na influência do massacre. A reportagem afirmou, inclusive, que, em junho, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas recebeu denúncias sobre disputas de terras entre indígenas e ruralistas brasileiros — e que nada foi feito. 

O jornal cita Cleber Buzatto, secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário, que declarou que os cortes de orçamento à Funai são um "mecanismo de encorajamento à invasão de territórios".

O The Guardian ainda disse que militares brasileiros destruíram quatro dragas (embarcações que ficam no fundo d'água) repletas de ouro ilegal na região, entre 28 agosto e 3 de setembro — mais um exemplo de que a Amazônia e indígenas são vítimas de exploradores. 

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The Washington Post 
Segundo a matéria do The Washington Post, os garimpeiros cortaram os corpos dos indígenas em pedaços para que eles flutuassem no Rio Jandiatuba — onde supostamente os restos mortais foram jogados. 

Carla de Lello Lorenzi, da Survival International, contou ao jornal que os indígenas eram da tribo Fleicheros, ainda "misteriosa" para os não-indígenas. Ela também disse que qualquer encontro entre indígenas e exploradores pode ser violento, visto que geralmente são "tigelas e flechas contra armas". 

A publicação também afirmou que acontecimentos como esse, no geral, permanecem vagos uma vez que ambos os grupos (indígenas e invasores) não costumam conversar com as autoridades. O veículo ainda cita, por exemplo, o Massacre de Haximu: em 1993, membros de uma comunidade Yanomami foram assassinados por garimpeiros ilegais. 

Sobre o caso recente, Lorenzi declarou que a falta de informações e de acesso aos indígenas isolados torna acontecimentos assim mais frequentes do que é veiculado. "São os inalcançáveis contra os ilegais que acham que podem se safar de tudo. Infelizmente, em muitas vezes eles se livram." 

* Com supervisão de Nathan Fernandes

 

 

 

 

 

Fonte: Revista Galileu





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