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20 pessoas são presas por tentar fraudar concurso

Segunda-Feira, 01/08/2016, 07:25:58 - Atualizado em 01/08/2016, 08:08:54 Ver comentário(s) A- A+

20 pessoas são presas por tentar fraudar concurso  (Foto: Elcimar Neves)
Prova da 1ª etapa do concurso da PM foi realizada ontem, para cerca de 100 mil candidatos (Foto: Elcimar Neves)

Vinte pessoas, entre elas um policial militar foram presas, ontem, durante a prova da 1ª etapa do concurso da Polícia Militar (PM) do Pará. Elas são acusadas de tentar fraudar o certame, que oferece 2.194 vagas e contou com 105.045 candidatos inscritos. Dos detidos, 10 foram presos em Belém, 8 em Marabá e 2 em Altamira. Segundo o delegado geral de Polícia Civil, Rilmar Firmino, algumas dessas pessoas foram detidas tentando passar um suposto gabarito da prova para candidatos e podem pegar de 1 a 5 anos de reclusão.

Dez pessoas foram presas quando tentaram fazer a prova no lugar de outro candidato. “Estas pessoas vão responder por falsificação de documento também”, acrescentou Rilmar. Entre elas está um policial, não identificado, alocado em Marabá, que foi fazer a prova em Altamira, no lugar de outra pessoa. O comandante geral da Polícia Militar, Coronel Roberto Campos, informou que o militar foi preso e transferido para o presídio Anastácio das Neves, no complexo de Americano, em Santa Izabel. “Um inquérito administrativo foi aberto para apurar o caso. Ele deverá ser expulso da corporação”, frisou. O militar também vai responder criminalmente pela tentativa de fraude.

GABARITOS

Segundo o delegado da Polícia Federal (PF), Davi Jacob, 2 dos detidos em Belém foram flagrados já dentro da sala com supostos gabaritos das provas. Eles foram encaminhados para prestar depoimento na PF. “Como é um crime afiançável, eles irão pagar fiança e serão liberados”.

De acordo com o advogado da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) - responsável pelo concurso-, Danillo Araújo, o gabarito verdadeiro será divulgado a partir das 12h, de hoje. Além das prisões, também houve o compartilhamento, nas redes sociais, de suposto gabarito da prova objetiva. Segundo o advogado da Fadesp, nenhum gabarito é o verdadeiro. “Os gabaritos compartilhados entre grupos do WhatsApp indicam como respostas corretas a alternativa ‘E’, mas as alternativas de todas as questões da prova só iam de ‘A’ a ‘D’”, pontuou o advogado. “Além disso, os supostos gabaritos não indicam se as respostas são de qual prova. Se era da prova azul ou amarela, por exemplo”.

CONCURSO

O concurso da Polícia Militar (PM) oferece vagas para os cursos de Formação de Praça (CFP), Formação de Oficiais (CFO) e Adaptação de Oficiais (Cado). Contudo, a última semana que antecedeu a realização da prova também foi cercada de denúncias e suspeitas de fraudes. 

Veja abaixo:

Dia 28 – Circulou, no Facebook e WhatsApp informações sobre possível venda de gabaritos. Em um grupo no WhatsApp batizado de “cole show” havia a suposta negociação do gabarito por R$ 4 mil. Tanto a Polícia Civil como a Fadesp negaram a ocorrência de vazamento de gabarito. 

Dia 30- A Polícia Civil desarticulou um esquema de tentativa de fraude do concurso da PM. Onze pessoas foram detidas em Abaetetuba, nordeste do Pará. O esquema previa que dois integrantes da quadrilha fariam a prova e repassariam as respostas para os demais. 
Ontem - Dia da prova, 20 pessoas são presas acusadas de tentar fraudar o concurso. 

Candidatos fizeram a prova temendo fraude 

Passadas duas horas do início do certame, os primeiros candidatos a concluir a prova começaram a deixar alguns colégios, no bairro do Marco, em Belém, na manhã de ontem. Na saída da Escola Estadual Visconde de Souza Franco, o autônomo Renato Gonçalves, 29 anos, já ansiava pela divulgação do gabarito. Concorrendo a uma vaga para o Curso de Formação de Praças, o candidato se preparou por 2 anos para a prova que, segundo ele, “estava razoável”.

Apesar da preparação, Renato não nega que já se dirigiu à prova um pouco desanimado com as notícias recentes que apontaram a identificação de tentativas de fraude do concurso. “Essa situação é muito complicada. A gente estuda tanto e essas notícias já desanimam a gente”.

Concorrendo a mesma função, o técnico em enfermagem Edilson Rafael, 26, temia pela possibilidade de anulação do concurso. Na saída da Escola Estadual Paulino de Brito, ele se mostrava confiante no desempenho mantido na prova, mas se preocupava com a possibilidade de pessoas terem conseguido fraudar o concurso. “Quando a gente vê que já há notícias de tentativa de fraude, já ficamos receosos”.

(Com Cintia Magno e Denilson D’Almeida)

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