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INVESTIGAÇÃO

Médium João de Deus não terá casa interditada por 'cautela'

Segunda-Feira, 10/12/2018, 16:29:49 - Atualizado em 10/12/2018, 17:19:44 Ver comentário(s)

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Médium João de Deus não terá casa interditada por 'cautela' (Foto: Reprodução)
O caso foi divulgado pelo programa 'Conversa com Bial'. (Foto: Reprodução)

A casa do médium João de Deus, não será interditada por motivos de cautela, conforme disse os Promotores da força-tarefa criada para invertigar as denúncias de abuso sexual envolvendo ele.

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A equipe da promotoria está investigando as denúncias de estupros e abusos sexuais que teriam sido cometidos pelo médium contra dezenas de mulheres que buscavam tratamento espiritual em Abadiânia (GO).

"Isso vai depender do que chegar até nós. É claro que se verificado que aquele ambiente era voltado para prática de crimes. A interdição do estabelecimento vai ser uma dinâmica necessária", disse o promotor Luciano Miranda Meireles.

Existe a possibilidade de pedir a prisão preventiva do médium, porém ainda não existe pedido oficial.

Por serem casos de anos atrás, é difícil comprovar os crimes, por isso os depoimentos são relevantes. "O depoimento da vítima tem um sobre valor e não há porque duvidarmos de uma mulher que corre o risco de se expor a troco de nada", disse Meireles. 

Os promotores vão aguardar os depoimentos oficiais das vítimas para dar continuidade no processo. A força-tarefa se extenderá a todos os estados para que pessoas que se sentiram violadas possam prestar depoimentos sem precisar ir a Goiás. Ainda não existe um número oficial da quantidade de pessoas que podem ter sido vítimas dos supostos abusos.

"O mais importante para as investigações é que as vítimas se apresentem. Seja em Abadiânia, seja em Goiânia, ou através de e-mails. O mais importante é o relato das vítimas para instrução desse procedimento", disse o promotor Luciano Miranda Meireles.

As afirmações foram dadas em entrevista coletiva à imprensa, nesta segunda-feira (10) em Goiânia. A casa Dom Inácio de Loiola, onde são feitos os atendimentos pelo médium, recebe cerca de 10 mil visitantes por mês. 

"Dependemos desses relatos para instruir a investigação e para que a Justiça seja realizada", afirmou o promotor Steve Gonçalves Vasconcelos. Um endereço de e-mail (denuncias@mpgo.mp.br) foi divulgado especialmente para receber denúncias.

"Testemunhas que saibam de qualquer atendimento podem entrar em contato com o Ministério Público, incluindo as que vivem no exterior", afirmou Patrícia Otoni, coordenadora do centro de apoio operacional de Direitos Humanos. "É importante que todas prestem depoimentos, para que possamos somar o que ocorreu no local", disse ela.

As investigações serão conduzidas pelo Ministério Público. O órgão pediuu à Polícia Civil que investigue casos anteriores aos depoimentos que as vítimas revelaram. 

O caso foi divulgado pelo jornalista Pedro Bial, em seu programa "Conversa com Bial", na última sexta-feira (7).

Além dos depoimentos, a força-tarefa deverá fazer uma avaliação de processos arquivados contra o médium por falta de prova. "Identificamos alguns processos. Conforme depoimentos forem coletados, poderemos reabrir os casos."

Em nota a assessoria de imprensa do médium afirmou que: "Há 44 anos, João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais. Apesar de não ter sido informado dos detalhes da reportagem, ele rechaça veementemente qualquer prática imprópria em seus atendimentos".

A assessoria disse também que as acusações são "falsas e fantasiosas" e questiona o motivo pelo qual as vítimas não procuraram as autoridades. Ainda afirma que a situação é "lamentável, uma vez que o Médium João é uma pessoa de índole ilibada".

O advogado de João de Deus, Alberto Toron, disse que ele nega as acusações, recebidas com indignação. Toron diz ainda que João está à disposição da Justiça para ser ouvido a qualquer momento. 

(Com informações do Portal Uol)



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