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Vitória bicolor sobre o Peñarol completa 50 anos

Domingo, 19/07/2015, 10:46:27 - Atualizado em 19/07/2015, 10:46:27 Ver comentário(s) A- A+

Vitória bicolor sobre o Peñarol completa 50 anos (Foto: Mário Quadros)
Na memória as lembranças do jogo histórico continuam guardadas no álbum de fotos de Ércio (Foto: Mário Quadros)

Um dos maiores feitos da história do Paysandu completou ontem 50 anos: a inesquecível vitória sobre o, até então, todo poderoso Peñarol, do Uruguai, um verdadeiro esquadrão do futebol mundial na década de 1960. O feito, tamanha a sua magnitude, até hoje é relembrado pelos torcedores do Papão, mesmo por aqueles que sequer assistiram ao jogo, disputado em 18/07/1965, na Curuzu, na época o principal estádio de futebol existente em Belém. O anúncio da vinda do time uruguaio à capital paraense causou frisson entre os torcedores bicolores e até mesmo na torcida do maior rival, o Remo.

O Peñarol trazia na bagagem uma sequência de 15 partidas sem derrota, três delas contra equipes brasileiras (Fluminense-RJ, Palmeiras-SP e Botafogo-SP). E não era só isso. O time dirigido pelo técnico Maspoli, goleiro campeão mundial pelo Uruguai na Copa de 50 no Brasil, contava em seu elenco com seis jogadores da Celeste. O adversário bicolor ostentava o bicampeonato de seu país, sendo que um ano antes, em 64, havia levantado bicampeão na América do Sul e vice do Mundial de clubes.

Mas, em campo, o Papão, curiosamente comandado pelo uruguaio Juan Alvarez, mostrou quem mandava por aqui. Jogando para vencer, aos 18 minutos o time bicolor abriu o placar por intermédio de Ércio, com Milton Dias, que seria contratado pelo adversário, ampliando a vantagem, aos 43. Os uruguaios foram para o vestiário, no intervalo, aturdidos pelo placar, mas ainda tinha mais. Aos 37 do segundo tempo, Pau Preto marcou o terceiro gol, fechando o placar da vitória heroica bicolor.

Não era só o visitante que contava com uma equipe de respeito. A vitória bicolor veio em função de o Papão contar também com um timaço, onde pontuavam craques como o goleiro Castilho, Abel, Pau Preto e Ércio, entre outros, que participariam do tricampeonato do clube nos anos de 1965/66/67.

Vitória ganhou versos e virou até marchinha

Se para os torcedores mais jovens a vitória diante do Boca Junior em plena mítica La Bombonera, na Argentina, pela Libertadores de 2003, representa o maior feito do Paysandu, para os mais antigos, o triunfo sobre o Peñarol, mesmo se tratando de um amistoso, tem valor semelhante. O certo é que ambas as vitórias fazem parte do grande rosário de glórias do centenário Papão e jamais serão esquecidas. A surra aplicada sobre o time do vizinho Uruguai por um motivo especial de ter entrado na marchinha, que se confunde com o hino oficial do clube.

Os versos da marchinha, composta pelo saudoso professor e radialista Clodomir Colino e Francisco Pires Cavalcante, que diz que “até o Peñarol veio aqui pra padecer” “martela” praticamente todos os dias nos ouvidos dos apaixonados pelo Bicola. A cada vitória do time, o festejo é sempre animado pela composição, fazendo com que o torcedor nunca deixe de lembrar do grande feito de 1965. Uma vitória que ganhou projeção nacional, merecendo loas do genial dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues.

Em sua coluna no jornal O Globo, Nelson, um apaixonado torcedor do Fluminense-RJ, um dos times batidos pelo Peñarol em sua excursão pelo Brasil, registrou, com sua veia jornalística peculiar, que “...os vizinhos (uruguaios) não acreditavam nem no Pará nem no seu futebol. Contavam com um passeio. E caíram de cara no chão”.

(Diário do Pará)

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