Festa para São Sebastião em Cachoeira do Arari

Sábado, 19/01/2013, 06:37:45 - Atualizado em 19/01/2013, 06:37:45

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Festa para São Sebastião em Cachoeira do Arari (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

O 20 de janeiro é data de forte referência para os devotos de São Sebastião. Aqui no Pará, a mais representativa manifestação em devoção ao santo da igreja católica ocorre no município marajoara de Cachoeira do Arari, onde ele é considerado protetor dos vaqueiros.

Com mais de 200 anos de tradição, a festividade em Cachoeira do Arari somente foi reconhecida pelo ato da então governadora do Pará, Ana Julia Carepa, que assinou a Lei Estadual nº 7.377, de 06 de Janeiro de 2010, tornando a festividade Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Povo do Pará, abrindo o procedimento para tombamento nacional pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Nacional.

A festa tem início sempre no dia 10 de janeiro, após a imagem do santo percorrer, desde o primeiro semestre do ano anterior, várias residências de cachoeirenses em Belém e sedes de instituições governamentais do estado e da união, além de mais de 150 propriedades rurais da microrregião do Arari , até entrar em Cachoeira e ser recepcionado pelos devotos com os mastros que são enterrados na frente da cidade para ali permanecerem durante todo o período da festividade.

Toda a parte religiosa é dirigida pela Irmandade do Glorioso São Sebastião. Um grupo de homens e mulheres devidamente preparados para realizarem as ladainhas, e com a responsabilidade de preservar a festividade e todas as manifestações culturais tradicionais que a envolvem.

Dentro da programação de atividades ocorrem várias manifestações, entre elas as famosas corridas de cavalos que envolvem vaqueiros de várias fazendas e municípios próximos, os arrastões culturais com grupos folclóricos e a famosa Luta Marajoara, que se tornou conhecida mundialmente pelos irmãos Alcantara de Soure, Yuri e Ildemar Marajó, hoje integrantes do UFC, que tiveram como introdutório a prática da modalidade de combate corporal típica da região.

O encerramento dos festejos é marcado pela derrubada dos três mastros, dos homens, das mulheres e das crianças, que saem em cortejo pelas ruas da cidade na curiosa “cerimônia da lama”, onde os devotos lambuzam-se com a lama das primeiras chuvas do inverno marajoara. Essa mesma lama seria o sinal do fim do período de estiagem e o início do período de fartura, quando o gado engorda e a lavoura melhora.

Milhares de pessoas de várias partes do Brasil devem visitar Cachoeira do Arari, neste final de semana. Amanhã ocorrerá o encerramento da festa.

A prefeitura do município tomou a iniciativa de ornamentar a cidade e organizar os serviços para atenderem a demanda de visitantes e os próprios moradores locais. “Está é a maior festa que ocorre aqui nesta região. Temos que estar preparados para o seu crescimento, pois esperamos um número ainda maior de pessoas por estar ocorrendo num final de semana”, diz Benedito Vasconcelos, prefeito de Cachoeira do Arari e declarado devoto de São Sebastião.

Entre as atrações previstas para este ano na festa estão o Grupo de Carimbó Sancari, o Arraial do Pavulagem, as aparelhagens Super Pop, Ouro Negro e Tupinambá.

A HISTÓRIA DE DEVOÇÃO

Sebastião nasceu na França, numa época em que os cristãos eram perseguidos por serem considerados inimigos do Estado. Foi espancado até a morte e seu corpo, jogado nos esgotos para que ninguém viesse a venerá-lo. Cerca de 400 anos após sua morte, o Imperador Constantino, convertido ao Cristianismo, recolheu os restos mortais de Sebastião e os guardou numa basílica, onde se encontra até hoje. Diz a história que, na época, Roma estava sendo assolada por uma forte peste. Após a coleta,a epidemia acabou, passando Sebastião a ser tratado como santo padroeiro contra a peste, a fome e a guerra.

(Diário do Pará)

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