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Curta ‘Certeza’ aborda questões da juventude

Segunda-Feira, 05/03/2012, 04:21:08 - Atualizado em 05/03/2012, 04:23:40

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Curta ‘Certeza’ aborda questões da juventude (Foto: Reprodução/Diário do Pará)
(Foto: Reprodução/Diário do Pará)

Plano 42, primeira tomada. Ação!” Assim começou, numa tarde nublada, o terceiro dia de gravações de um curta-metragem paraense. A sequência número 17 mostra os universitários Paulo e Isabele se despedindo na porta da casa dele, após um diálogo que ajudará a definir o desfecho da trama. Eles nasceram da imaginação de Pedro Tobias, que venceu o I Edital Ideal de Curta-Metragem do Pará, o que lhe deu a possibilidade de investir R$ 40 mil – valor do prêmio – na produção do filme. As gravações aconteceram de 29 de fevereiro a 3 de março, em duas casas pertencentes a um condomínio residencial no bairro da Marambaia.

Um delas é a da professora aposentada Vânia Pamplona. Vendo gente entrando e saindo, a sala cheia de adereços, uma mesa com itens como copos de plástico, duas lanternas e algumas caixas, além da garagem tomada por equipamentos de fotografia e maquinaria, ela parecia contente com a agitação, tratando com carinho e pelo primeiro nome os membros da equipe.

Intitulado “Certeza”, o roteiro escrito por Tobias trata de escolhas. Especificamente sobre as decisões que tomamos durante a fase pré-vestibular e que acabam influenciando nossas vidas para sempre. “Como o tema do edital era uma história sobre educação, achei que falar das convicções e dúvidas que fazem parte desse período de escolha seria interessante. Criei a história de Paulo, um estudante que parece ter certeza do que quer fazer e para alcançar esse objetivo deixa de lado a namorada Isabele e a própria saúde. Depois que passa no vestibular no curso que sempre sonhou, está cheio de incertezas”.

PROVA DE FOGO
Ele, assim como seu protagonista, também enfrenta uma “prova de fogo”: aos 18 anos, ele realiza seu primeiro trabalho profissional no cinema e espera ser bem-sucedido. Para isso, conta com a produtora Z produções, que mesclou a experiência de técnicos renomados no Pará, com a juventude e vigor de colegas que, como Pedro, são marinheiros de primeira viagem.

“Chamei alguns amigos que estudaram comigo na Caiana Filmes para estagiar em áreas como direção e produção de set. O storyboard é do Vince Souza, que também conheci lá. Aí a produtora foi completando esse time com gente como Emerson Bueno, diretor de fotografia que fez o clipe ‘Xirley Xarque’, da Gaby Amarantos, e o curta ‘Juliana contra o Jambeiro do Diabo’. Chamou o Adriano Barroso para a direção de elenco, o produtor de platô Felipe Braun, e o Lucas Escócio para assistência de direção”, conta Pedro Tobias. De fato, a pouca idade imperava no set de “Certeza” - mas em nem todos os casos isso era sinal de inexperiência.

Diretora de produção do curta, Larissa Bezerra tem apenas 22 anos, mas já integrou a equipe do premiado “Ribeirinhos do Asfalto”, de Jorane Castro, e de um episódio do projeto “Fronteiras”, que o diretor gaúcho Jorge Furtado realizou no Pará. Para ela, o equilíbrio pode render bons frutos em termos de resultado do filme. “A troca de experiência aqui é constante e muito válida. É a união do pique dos meninos que estão fazendo um filme pela primeira vez com a segurança e exigência dos mais experientes”, assinalou.

Agitado e concentrado na estreia, Tobias falou sobre a pressão e a cobrança que ele próprio se impõe. “Já reescrevi o roteiro várias vezes, continuei fazendo isso porque imprevistos vão surgindo. Tudo está sendo muito interessante para mim. A correria no set, o andamento das coisas, é um ritmo com o qual não estava acostumado. Lucas está sendo minha segunda voz aqui”, diz.

Lucas Escócio, diretor de videoclipes como “Dance”, do Strobo, contou que a sua função é colaborar para colocar a história de Pedro em ação utilizando a linguagem cinematográfica e equilibrando as possibilidades técnicas da produção.

Aprendizado entre gerações
Não vejo uma falta de estrutura grande ou dificuldades pelo fato de Belém ficar na região Norte. Aqui utilizamos o mesmo padrão de qualidade técnica que em outros curtas-metragens pelo país”, diz o paulista Emerson Bueno, que trabalha há 12 anos como diretor de fotografia para cinema, e é o único membro da equipe que precisou ser trazido de fora do Pará para a produção.

Tendo como assistentes os jovens, porém requisitados Guilherme Júnior e Filipe Parolim, ele enfatizou a qualidade da mão de obra na área de cinema por aqui. “Tem uma amiga que está vindo rodar um documentário e contratou um técnico de som que indiquei daqui. O fato dessa produção trabalhar com estagiários também é importante, por apostar na formação. Pra mim, estar aqui é um desafio no sentido de ajudar essa galera a se profissionalizar, gente que está aqui sem receber cachê querendo aprender e alguns de nós repassando conhecimentos”, acrescentou o fotógrafo, enquanto aguardava para desmontar e guardar a câmera e partir para outra locação.

Também muito experimentado no meio, tendo trabalhado em 13 curtas e dois longas-metragens, o chefe maquinista Anderson “Miguel” Conte admite que, em certas ocasiões, fica-se impaciente com a inexperiência, mas que isso faz parte do processo de aprendizado e formação. “Tem que lembrar que fazer curtas para esses diretores é um laboratório, uma forma de experimentar e se aperfeiçoar para chegar ao longa. Quem tem experiência está aqui para fazer um trabalho caprichado em áreas importantes, e também apontar o que se deve ou não deve fazer em um set”.

Idealizadora da marca Pérola Negra, que já realizou desfiles nacionais e internacionais, e formada pelo curso tecnológico de figurino para cinema, da UFPA, a estilista e figurinista Ana Miranda coloca sua expertise a favor de uma produção audiovisual pela primeira vez.

“Estou exercitando um outro tipo de olhar aqui, tive o cuidado de ir para a rua e pesquisar, observar estudantes e universitários para compor esse trabalho, também partindo do roteiro que aponta características dos personagens. Dedicamos muita atenção às cores. Na primeira parte do filme, tudo que cerca Paulo e o que ele veste tem que ter vermelho. Depois, essa atmosfera adquire tons de azul”, explicou ela, que já tem um projeto de outro curta em Florianópolis (SC) sendo engatilhado. (Diário do Pará)

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