Entretenimento / Cinema

Triangulo Amoroso no Cine Líbero Luxardo

Quinta-Feira, 01/03/2012, 07:17:23 - Atualizado em 01/03/2012, 07:17:23 2 comentários

Tamanho da fonte: A- A+
Triangulo Amoroso no Cine Líbero Luxardo (Foto: Reprodução/Diário do Pará)
(Foto: Reprodução/Diário do Pará)

Partindo de uma premissa muito batida, a do triângulo amoroso – que quase sempre foi tratado pela indústria Hollywoodiana como desculpa para sexo sem conteúdo – o cineasta Tom Tykwer dirigiu e roteirizou em 2010 o seu “Triangulo Amoroso” (no original ‘Drei’, ou três em alemão). O filme, que concorreu no Festival de Veneza e está em cartaz no Cine Líbero Luxardo, conjuga um enredo um tanto confuso, porém dinâmico, com personagens bem desenvolvidos para contar a história do trio em envolvimento amoroso.

Somos apresentados a um casal heterossexual e seu dia a dia. Hanna e Simon estão juntos há 20 anos. Ele trabalha com arte, ela é jornalista, e ambos participam de eventos culturais, e têm um relacionamento maduro e moderno. Porém, essa harmonia é aparente. Entre quatro paredes, o relacionamento anda morno, e o conflito se estende às percepções de maternidade – ele quer ter um filho, ela tem horror a crianças – e finitude.

Hanna sempre está entre Simon e o trabalho dele, e muitas vezes é colocada em segundo plano. Logo no prólogo do filme, ela conhece Adam, geneticista que trabalha com inseminação artificial, durante uma coletiva de imprensa onde o assunto é pesquisa com células tronco. Uma faísca surge entre eles, que voltam a se reencontrar mas sem estabelecer um contato físico. Na primeira parte do filme – que poderia facilmente ser dividido em três atos -, Simon narra as casualidades que vão engolindo-o. Ele vê a mãe ser abatida por um câncer, e pouco depois, descobre que também está doente.

Para quem não viu outros filmes de Tom Tykwer, fica difícil engolir certas licenças poéticas como a mãe em forma de aparição astral ou mesmo a forma como, rapidamente, o caso entre Simon e Adam se desenvolve – a cena do primeiro encontro na piscina é estranha e um pouco constrangedora. Mas, com o adensamento na rotina do casal, que resolve firmar matrimônio após tantos anos, através de rápidos takes e alternando com as cenas de sexo entre Hanna/Adam e Simon/Adam, o filme vai prendendo a atenção.

DESEJO
Fato é que se deve permitir assistir ao filme sem julgar muito o que se vê. Os personagens, bem desenvolvidos pelos atores, possuem dramas interessantes. Adam (Devid Striesow), seria o mais ‘superficial’ digamos. À medida que ele se envolve mais com o casal, vai sendo aprofundado, sem perder sua aura gélida e charmosa que pode ser parte do seu poder de atração. Hanna (Sophie Rois) é feia, neurótica, mas muito inteligente e segura de si. Até certo ponto. Já Simon (Sebastian Schipper) é o personagem mais envolvente muito por conta do contexto renascimento/descoberta no qual se vê envolto. Ele, que teve uma parte de si extirpada pela doença, se regenera no outro, tanto em Adam, que desperta as sensações de desejo, quanto em Hanna.

E Tykwer conduz a ação entre os amantes em oposição, tornando o encontro do triângulo não tão imediato. Ele mistura doses de melodrama, com algumas piadas estranhas e experimenta muito as possibilidades da linguagem, como já havia feito em “Corra, Lola, Corra” (de modo mais pop e frenético) e em “Paraíso” (com uma influência Kieslowskiana).

A trilha intensa, com jazz e “Space Odditty” de David Bowie, permeia a transição entre ritmos fisiológicos e situações muito pontuais. Mesmo o silêncio é bem utilizado nas cenas entre Hanna/Adam, Simon/Adam e os três. Quando Adam faz parte da rotina de ambos, a vida pulsa em suas camas e por toda a Berlim colorida e contemporânea que vemos. A monotonia foi abalada por uma peculiar sensação de completude. Aqui o próprio Adam começa a dar sinais de mudança. Ele, cujo apartamento não possui móveis, nem livros ou uma televisão, começa a mudar para agradar seus pares, ao menos aparentemente. Com ele, Hanna e Simon cometem adultério e melhoram em vários aspectos o casamento. Sem ele, a relação conjugal fica incompleta.

CONFLITO
Quando a história da concepção entra em cena, as cenas de sexo vão se diluindo para dar lugar ao conflito da parte feminina do triângulo. Hanna é a vórtice do ménage a trois sentimental, e Adam e Simon, juntos, são o seu homem ideal. Então, por que não?

Em alguns momentos, a direção força um sentido de ‘modernidade’, narrando a história dos três como algo perfeitamente normal. Entre conceitos de normalidade e anormalidade, que com certeza perturbam muitos que assistem ao filme, em poucos momentos a história se torna inverossímil. Os três beiram a casa dos 40 anos, e, cansados das convenções, no desfecho se conectam como trilhos de trem. Até aqui o enredo é compreensível, e torna-se singelo. Se é amor? Não. Mas pode ser paixão e sexo com felicidade, o que dá no mesmo nessa Alemanha livre e moderna que vemos na tela.

ASSISTA
“Triangulo Amoroso”, de Tom Tykwer. Sessões até sábado, às 19h, e domingo às 17h e 19h, no Cine Líbero Luxardo (av. Gentil Bittencourt, 650 - Centur). Ingressos: R$ 5 (com meia entrada para estudantes). Às quartas-feiras, entrada franca para estudantes. Classificação etária: 16 anos.  (Diário do Pará)

Faça seu comentário. Clique aqui!

2 Comentários

Mais de Cinema

Leia mais notícias de Cinema. Clique aqui!

EDIÇÃO ELETRÔNICA