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Apostas de quem deve estar no jogo eleitoral

Domingo, 12/02/2012, 07:55:34 - Atualizado em 12/02/2012, 07:55:34

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A eleição municipal em Belém este ano terá características bem diferentes das anteriores. Se forem confirmadas as candidaturas próprias de vários partidos de esquerda, que tradicionalmente se articulavam em um arco de alianças, a pulverização de votos no primeiro turno poderá ser uma realidade no pleito de outubro para escolha do prefeito de Belém. PT, PCdoB e PPS já oficializaram suas pré-candidaturas e PSol e PSB também poderão seguir o mesmo caminho. Porém, os pré-candidatos olham esta situação como um fator positivo em uma democracia já consolidada como a brasileira.

Jorge Panzera, pré-candidato do PCdoB, afirma que o principal aspecto será pensar Belém para o futuro, pois quem assumir a administração da capital paraense vai enfrentar um déficit muito grande de serviços, projetos e planejamento. “Hoje, o espaço político das forças de esquerda tende a apresentar uma alternativa mais justa para Belém”, ressalta Panzera.

Para ele, Belém precisa acompanhar o momento de crescimento econômico e social do país para enfrentar esta última década rumo aos quatro séculos. E o PCdoB neste panorama político, afirma Panzera, tem interesse de dialogar com todas as forças políticas, inicialmente, com as legendas que compõem a oposição ao governo Simão Jatene no Pará e com o arco de alianças de apoio ao governo Dilma Rousseff.

No caso do PT, o pré-candidato Alfredo Costa acredita que no primeiro turno da eleição municipal em Belém a legenda vai manter o diálogo com todos os partidos possíveis para tentar conseguir uma maior composição para a disputa. E dentro deste arco de aliança também está incluído o PCdoB, que ele define como aliado histórico.

Costa admite que, apesar do esforço petista para atrair os velhos aliados, nesta eleição os partidos de centro-esquerda tendem a apresentar candidatura própria. O que não significa, especifica Alfredo Costa, que no segundo turno se reúnam novamente. “A ideia é fazermos uma administração compartilhada. Não governar sozinho”, acentua.

Ele admite porém, que não será fácil formatar a aliança no primeiro turno, mas que o partido vai continuar dialogando com todos os antigos aliados do primeiro governo do PT em Belém, também do governo do PT no Estado e com outros. O grande atrativo de sua candidatura, admite Alfredo Costa é a parceria com Dilma Rousseff, também de seu partido. “Só com parceria com o governo federal vamos resolver os principais problemas de Belém”, enfatiza.

Já o pré-candidato do PPS, Arnaldo Jordy, vê de forma positiva a pulverização das candidaturas de centro-esquerda e define como própria da consolidação de um ambiente democrático. “É natural que nesta atual conjuntura os partidos tentem se afirmar de forma legítima, através do voto”.

O PPS também está em fase de conversações, revela Jordy, com muitas outras legendas de esquerda e também com partidos que ele define como emergentes, como PTdoB, PMN, PRT, PTN, PSDC, além de PV, PSB e DEM já consolidados na política brasileira. “Estamos na busca de entendimento para sairmos juntos”, acentua. A aliança com o PSDB, também poderá ser refeita, a exemplo da eleição majoritária de 2010. Jordy informa que ainda esta semana terá reunião com o pré-candidato tucano, Zenaldo Coutinho.

CONVERSAS

O provável pré-candidato do PSol, Edmilson Rodrigues, também vê como afirmação as candidaturas de esquerda, mas admite a pulverização dos votos no primeiro turno.

Rodrigues admite conversações com o PCdoB e afirma que há demonstração de simpatia dos dois lados, mas que também há possibilidade de diálogo com outras legendas, mesmo, segundo ele, que não seja possível definir uma candidatura única. “O PSol não abre mão de ser um partido programático. Nosso compromisso é com uma Belém mais justa, pois estão faltando políticas sociais e planejamento”, sustenta. Ele completa que até abril o PSol deverá apresentar a pré-candidatura e que mesmo sendo o nome mais cotado, há outras lideranças na legenda que também poderão cumprir este papel.

APOIO

O deputado federal José Priante é o único pré-candidato do PMDB à disputa pela prefeitura da capital. “Graças a Deus conto com o apoio de todas as forças políticas do partido”, disse, na última sexta-feira. Priante vai para a campanha como a grande surpresa das eleição de 2007. Entrou desacreditado e acabou no segundo turno, disputando voto a voto com o atual prefeito Duciomar Costa.

Integrante da base aliada do governo de Simão Jatene, o deputado confessa que “gostaria de contar com a solidariedade do governador”, mas as chances de uma aliança com o PSDB já no primeiro turno são remotas. Os tucanos confirmaram a pré-candidatura do também deputado federal Zenaldo Coutinho depois que o senador Fernando Flexa Ribeiro desistiu de lutar pela vaga. “Está 100% fechado”, afirmou Coutinho.

Os dois pré-candidatos estão na fase de conversas com vistas às futuras alianças. Priante afirma que há quase quatro meses das convenções que vão sacramentar as candidaturas, o momento é de articulação. “Ainda estamos trabalhando para definir o processo. Tudo é possível, mas nada está fechado”, disse, ao ser indagado se já teria um nome para compor a chapa como vice. Um dos cotados para compor a chapa peemedebista como vice seria o vereador Carlos Augusto (DEM), mas Priante não confirma. “Estamos conversando com todos”.

Para Priante, o fato de fazer parte da base aliada tanto do governo da petista Dilma Rousseff quanto do tucano Simão Jatene, seria um dos trunfos da candidatura do PMDB. “Somos o partido com maior chance de buscar apoios para construir um projeto para Belém”.

Zenaldo Coutinho também afirma que o momento é de conversas. O tucano admite que não vê possibilidade de uma composição com o PMDB no primeiro turno, já que as duas legendas não abrem mão da candidatura própria, mas diz que em relação ao PPS ainda há negociação para “uma estratégia conjunta”. O PPS, partido que também apoia o governo de Jatene, não descarta lançar a candidatura de Jordy

No PTB, a indefinição é ainda maior. O partido do prefeito de Belém Duciomar Costa sequer bateu o martelo em torno do pré-candidato. O Secretário executivo da legenda, Raimundo Quaresma, diz que os petebistas devem receber, nos próximos dias, novas pesquisas de intenção de votos. Ele admite, porém, que o grande favorito para representar o PTB na disputa é mesmo o ex-governador Almir Gabriel. “Ele fez muitas obras em Belém, não teve problemas com corrupção e tem a preferência do presidente (Duciomar)”. A decisão do PTB deve sair em maio. (Diário do Pará)

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