As Crias do Curro Velho fizeram ontem o “esquenta” para o carnaval e levaram muita energia e animação para a travessa Djalma Dutra, em frente à sede da Fundação, no bairro do Telégrafo. No ensaio geral, os foliões mirins afinaram a bateria, coreografias e o samba-enredo, que não estava só na voz, mas também nos pés de crianças e adolescentes que fazem cursos e oficinas no Curro Velho.
Para o diretor de extensão da Fundação, Walter Figueiredo, o projeto de iniciação artística é fundamental, principalmente para as crianças que moram no entorno do Curro Velho. “A grande maioria dessas crianças que hoje estão aqui são da Vila da Barca, onde a gente sabe que o índice de violência também é muito alto. A nossa missão aqui é ensinar e cultivar coisas boas para elas”.
O ensaio reuniu, além das “crias”, mães e pais que estavam na mesma expectativa das crianças. “Antigamente eu participava de todas as oficinas, agora eu trago o meu filho que tem só 7 anos, mas gosta muito do que faz”, conta Joyse Souza, mãe de Bruno Gabriel, que toca repique na bateria.
ENVOLVIMENTO
A dona de casa Denise Rodrigues também levou as duas filhas todos os dias para os ensaios. “Envolver elas nessas oficinas de dança é muito bom, acho que isso significa muito mais para elas do que eu imagino”. conta Denise, que é interrompida pela pequena Andressa Rodrigues de apenas 8 anos. “Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é dançar e dançar no carnaval com a minha fantasia de bailarina”.
“Nas asas da vovó”. Esse é o tema do desfile das Crias deste ano, que homenageia os antigos carnavais de Belém, na qual a representação da “avó” reflete na maneira de como ela se torna a guardiã de amor e sabedoria. É essa a mensagem que o enredo traz este ano. “Nossos filhos já foram ‘crias’ e nossos netos estão sendo e esta é uma oportunidade única”, disse a aposentada Darci do Socorro.
Quem também estava bastante animada era a aposentada Iraci Ribeiro. “Aqui estamos vivendo igual as crianças, que estão pulando e dançando”. Compositor do enredo, Paulinho Moura disse estar muito feliz em ver o resultado da composição juntamente com a bateria. “Tudo que eu aprendi de música, de samba e de composição, eu aprendi dentro da Fundação”.
A bateria é composta por 170 integrantes. Há 6 anos como instrutor, Pauer Martins descobriu, através dos cursos de música oferecidos pela fundação, que tinha aptidão para a música e hoje ajuda o diretor da bateria a ensinar as crianças. “Uma das minhas maiores felicidades é saber que estou ensinando de volta para as crianças o que eu aprendi aqui ”.
(Diário do Pará)
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