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O Pará vai receber R$ 2.993 milhões do governo federal para investir no combate e controle de doenças denominadas pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) como negligenciadas e que são causadas por agentes infecciosos ou parasitas, entre elas o Tracoma e a Hanseníase. No Estado, o número de casos notificados dessas doenças ainda é alarmante. Segundo a Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa), a hanseníase, por exemplo, mesmo com o repasse, não deve ser erradicada até 2015, como prevê o Ministério da Saúde (MS).
O Estado receberá o terceiro maior valor, que será aplicado em sua maioria para o combate a esta doença. Ano passado foram registrados quase 4 mil novos casos da hanseníase, o que representa um coeficiente hiperendêmico, de acordo com as normas do MS. Atualmente existem 4.688 pacientes em tratamento em todo o Pará, e de acordo com a coordenadora em exercício do Programa de Vigilância e Controle de Hanseníase da Sespa, Ana Amélia do Carmo, as regionais de saúde foram capacitadas, mas a dificuldade de acesso às informações nas áreas onde os coeficientes são altos e há rotatividade do pessoal treinado dificulta o mapeamento.
“A partir do momento que conseguimos identificar pessoas doentes devemos começar outra etapa. Desta vez o trabalho é realizado com as pessoas que fazem parte do núcleo familiar do paciente. Os problemas começam a partir da falta dos profissionais que deverão ir até estas residências e identificar se há alguma suspeita. O Estado dá assessoria técnica, mas é o Município que vai executar”, explicou a coordenadora. A orientação à qual se refere Ana Amélia é sobre a correta aplicação do recurso e coordenação da gestão da política de combate e vigilância a estas enfermidades.
De acordo com ela, os municípios que mais apresentaram novos casos de hanseníase em 2011, levando em conta a população, foram: Jacundá (68), Altamira (68), Paragominas (106) e Belém (380). O tratamento da doença, que tem cura, é gratuito e pode ser realizado em qualquer unidade de saúde do SUS.
As doenças negligenciadas, denominadas também de doenças em eliminação, são consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Os municípios selecionados estão localizados em regiões que necessitam de ações articuladas entre os gestores do SUS.
SURTOS
Os recursos serão repassados de acordo com a densidade demográfica de cada cidade e com o número de casos registrados de cada doença. O tracoma - inflamação crônica da córnea ocular, conhecida também como ceratoconjuntivite e que pode causar cegueira - recebeu atenção especial do Ministério da Saúde em 14 municípios paraenses. Segundo a coordenadora do Programa de Vigilância e Controle do Tracoma, Fátima Cordeiro, em 2007 o número de casos confirmados foi de aproximadamente 170. Em 2011, esse índice caiu para 58, porém continua alarmante e considerado grave pelo SUS. Os municípios escolhidos para receber o recurso destinado ao combate do tracoma foram aquelas que apresentaram casos de contaminação em mais de 10% da população. (Diário do Pará)
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