Amanhã é dia de separar perfumes, flores, espelhos, bijuterias e outros artigos femininos e ofertá-los à Rainha do Mar, Iemanjá. Em Belém, a homenagem à orixá acontecerá de forma descentralizadas com programações variadas em cada terreiro.
Diferente da celebração do dia 8 de dezembro, quando milhares de pessoas vão à Praia do Amor, em Outeiro, para jogar suas oferendas, em fevereiro o objetivo é envolver comunidades e diferente religiões num mesmo evento.
“O terreiro estará aberto a todos os interessados em participar. Independente da fé qualquer pessoa é bem-vinda”, afirma Mãe Inês, que já está com o roteiro da festa completo. Com duração de dez dias, as homenagens à Iemanjá começarão amanhã às 18h, com o toque do tambor e as oferendas. Durante a semana outros cultos também serão direcionados à entidade religiosa, até que no dia 12 (domingo) dezenas de pessoas irão até o município de Salinas para concluir à celebração à padroeira dos navegantes na praia da Corvina. “Até quem não acredita pega a sua fitinha e se encanta com a celebração”, conta Mãe Inês. Ela explica que Iemanjá é a orixá da maternidade, por isso tem uma relação direta com todos os traços femininos. “Ela se apresenta em duas formas, como humana e como sereia, mostrando o lado familiar e sensual das mulheres”, explica.
Desde 1995, Inês se dedica ao terreiro localizado no bairro da Cidade Velha. A relação com a umbanda, contudo, se estabeleceu ainda aos 12 anos, na casas dos pais. “Fundamos então o nosso espaço e tentamos manter sempre contato com a comunidade e também com os outros terreiros”, diz. Um exemplo da união de diferentes representatividades é a Caminhada Estadual da Comunidade Afro-Religiosa, que será realizada em março, em Belém. “É a oportunidade de mostrarmos que é necessário unir religiões, pregar sempre o bem, praticar bondade e agradecer a Deus por tudo o que conquistamos”, conclui Mãe Inês.
Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive, festas em homenagem às duas se fundem. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá têm sua data festiva no dia 2 de fevereiro
Segundo o pesquisador Pierre Verger, na lenda africana Yemanjá era filha de Olokum, a deusa do mar. Antes de seu primeiro casamento Yemanjá recebera de sua mãe uma garrafa contendo uma poção mágica que, em caso de necessidade, deveria ser quebrada e jogada no chão. Após ter dez filhos com Olofim-Odudua, ela partiu para o oeste onde vivia o rei de Xaki e com ele começou outro relacionamento. Tudo era tranquilo no casamento, até que ele a desrespeitou. Em sua fuga, Yemanjá tropeçou e caiu, a garrafa quebrou, e dela nasceu um rio cujas águas a levaram em direção ao mar, residência de sua mãe, onde ela resolveu ficar e não voltar mais a terra. (Diário do Pará)
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