Antônio Rezende; diretor-presidente da Marko Engenharia (Foto: Bruno Carachesti)
Mesmo após o risco de desabamento do edifício “Rio Mendoza” - localizado na travessa Angustura - ser descartado pelo Corpo de Bombeiros, os moradores da área continuam assustados com a situação. No último domingo (29), foram ouvidos estalos vindos do prédio.
Por conta do possível risco, funcionários da obra deixaram o local logo após chegarem para o trabalho, na manhã da última segunda-feira. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil realizaram uma vistoria no local e informaram que os prédios não apresentavam risco de desabamento. A rua chegou a ser isolada e a obra permanece interditada. Ontem, o clima no local ainda era de apreensão por parte dos moradores. Nazaré Silva, que tem sua residência bem ao lado da obra, afirmou que o medo de um acidente ainda permanece. “A noite foi horrível, ficamos em uma constante expectativa. Só vamos ficar mais tranquilos quando tivermos um laudo”.
Outra providência por parte dos moradores será coletar assinaturas para um abaixo assinado. “Estamos reunindo os moradores para uma comissão, vamos elaborar um documento e levar ao Ministério Público. Queremos com isso ter acesso aos laudos e às informações sobre a situação do prédio. Vamos também registrar um boletim de ocorrência na polícia. Só assim vamos ter mais segurança”, afirmou Flávio Raiol, morador do local há 32 anos. Segundo a assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros, a empresa Marko Engenharia, responsável pelo empreendimento, é quem deve contratar um profissional ou empresa para fazer um laudo que atestará a resistência no concreto da obra. Os trabalhadores denunciaram que pilares do 22º andar das torres estariam comprometidos.
“SUPOSIÇÃO”
“Estamos trabalhando com uma suposição.” A diretoria da Marko Engenharia afirma que não há nenhum problema na estrutura do prédio “Rio Mendonza Condomínio”. Em entrevista coletiva, o diretor-presidente da empresa, Antônio Rezende, junto com os gerentes técnicos, Tamilton Amador e Mauro Rocha, descartaram qualquer hipótese de desabamento. Os laudos exigidos pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil foram entregues na terça-feira, às 14h, mas a construtora ainda vai realizar uma vistoria geral.
“Nem mesmo os moradores sabem ao certo o que escutaram, o estalo teria acontecido na madrugada e os bombeiros só foram acionados às 8h, se algo tivesse que acontecer a probabilidade de já ter acontecido era grande”, comenta. Mesmo diante da dúvida, ele confirma que a avaliação devia ser feita. “Se há uma hipótese, a gente para a obra e avalia, os Bombeiros e a Defesa Civil tiveram toda a razão de checar as denúncias”, completa. Antônio Rezende disse que as avaliações que foram feitas garantem a segurança do edifício. “Realizamos uma esclerometria, que é a avaliação do concreto, e uma ‘reanálise’ do cálculo estrutural dos edifícios e nada de irregular foi encontrado”, explica. Os resultados das avaliações solicitados pelos órgãos fiscalizadores foram entregues, mas a empresa ainda vai realizar mais testes.(Diário do Pará)
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