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Caminhada pelo fim da violência no Bengui

Segunda-Feira, 30/01/2012, 03:49:02 - Atualizado em 30/01/2012, 03:49:02

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Caminhada pelo fim da violência no Bengui (Foto: Bruno Carachesti)

(Foto: Bruno Carachesti)

Na manhã deste domingo (29), os moradores do bairro do Bengui realizam uma caminhada para pedir o que mais desejam: a paz. Entre crianças, adolescentes, jovens e adultos, o clamor é geral. A iniciativa é da Escola Cidade de Emaús, uma das mais antigas da comunidade, e reúne organizações não governamentais e associações de moradores. O bairro do Bengui foi apresentado como zona vermelha pela terceira matéria da série “Territórios da Violência”, na edição de ontem do DIÁRIO.

A insegurança é tão grande que após 20 anos morando no bairro a técnica em enfermagem Betânia Ferreira escolheu se mudar. Ela morava com o marido e os três filhos quando viveu o pânico de ter a casa invadida por assaltantes, ainda à luz do dia. “Eles entraram na minha casa, trancaram meus filhos no banheiro e levaram de tudo. Aí eu decidi. Vamos embora daqui”, revela. Agora, Betânia vai lá apenas para visitar as amigas, como a dona Edvane Morais. As duas conversavam na calçada, enquanto Edvane vendia tacacá. O costume não se repetiria à noite.

“Tenho medo, é difícil até sair de casa com meus filhos”, conta Edvane. Ela já é moradora do bairro há oito anos e confessa que eles querem melhorias. “É ruim para a gente criar os filhos assim. Mais tarde fica mais perigoso, precisamos ser vistos”, pede. As amigas esperam que a divulgação dos problemas do bairro pela reportagem do DIÁRIO seja um alerta ao poder público. “O que falta aqui é trabalho social com os nossos jovens. Antigamente víamos trabalhos voluntários, mas parece que até os voluntários têm medo e não vêm mais”, protesta.

Betânia conseguiu se mudar do bairro, mas nem todos têm condições para isso. Edvane mora com cinco filhos e o marido e presenciar crimes virou rotina. “Eles já assaltaram meu marido muitas vezes, na porta da minha casa. Eu vi, me assustei e tentei fazer alguma coisa, mas é difícil”, afirma. As histórias dessas famílias retratam a de muitas outras. Elas se repetem e se cruzam. “A gente espera que a comunicação nos ajude. Se os governantes olhassem para nós a dor de muitas mães seria evitada”, desabafa. (Diário do Pará)

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